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Psn – Delírio Em Marketing


“A quem erra
perdoa uma vez e não três”.
ANEXIM

Existem muitas maneiras de se denominar a mesma síndrome:
“Superdimensionamento de Mercado”, ou “Delírio em Marketing”, ou
“Sonho logo Existe”, ou, se preferirem, “Se Deus Quiser…” como se
Deus tivesse alguma coisa a ver com as alucinações e exuberâncias
irracionais de adoradores de produtos e tecnologia e cegos definitivos em
termos de mercado. A PSN – PANAMERICAN SPORTS NETWORK -, à semelhança de
muitas outras empresas que acreditam em fadas e milagres, apostou que mercados
crescem sempre e para sempre; e jogou muitas, quase que todas as suas fichas
nessa direção. Se uma ESPN e uma FOX SPORTS estavam dando certo e razoável
resultado, o negócio era entrar arrasando, ocupar o espaço ainda que
inflacionando o preço, e depois, com os então líderes debilitados pela
perda do “recheio”, do editorial, renegociar com os detentores dos
direitos. Uma espécie de operação “cavalo de tróia”. Só que o cavalo
chegou ao território a conquistar completamente debilitado, e nem mesmo
conseguiu desembarcar a tropa. A PSN nasceu para dominar o território do
esporte na América Latina. Sob inspiração e comando do milionário texano
TOM HICKS, e com recursos de seu fundo de investimento HICKS, MUSE, TATE &
FURST, foi rapidamente desbancando ESPN e FOX SPORT pagando mais que o dobro
por direitos de transmissão de campeonatos de futebol na região, da Fórmula
1, do tênis do uso pen e Wimbledon, apostando, na partida, mais de US$ 650
milhões.


E ainda apoiando
a criação de novos torneios com prêmios milionários, como foi o caso da
“falecida” COPA MERCOSUL. Apostava no apreço que os latinos americanos têm
pela prática do esporte, muito especialmente, do futebol. No talento e competência
dos pilotos de carros de corrida, muito especialmente nos brasileiros,
herdeiros de Fittipaldi, Piquet e Sena. Na trajetória de Guga, Lapente, Rios,
e uma safra generosa de tenistas argentinos. E, muito especialmente, no
desenvolvimento e progresso econômico da região, no crescimento da TV por
Assinatura no Brasil, e também se deixaram contagiar pelo “furor de
otimismo de vento” dos primeiros meses da “nova economia”. O milagre
previsto por HICKS, e pelo HMTF não aconteceu – e nem poderia, mesmo, como
pessoas sensíveis e experientes estavam cansadas de saber; muito
especialmente as que passam suas vidas debruçadas sobre o mercado procurando
entender seus movimentos e tendências. A região entrou
em crise. As TVs

por Assinatura no Brasil estacionaram. O maior mercado da região, e onde a
PSN contava com 10 milhões de assinaturas, a Argentina, bateu no fundo de um
poço onde o fundo era muito mais fundo do que se imaginava. Pagando em dólares
e recebendo em moeda local o buraco da PSN foi se agigantando e, finalmente,
no início deste ano, jogou a toalha, amparando-se no capítulo 11 da Lei das
Quebras dos Estados Unidos. Os investimentos nos direitos de transmissão, na
maior parte paga à vista, JAMAIS RETORNARÃO. De novo, e como já ensinava
DRUCKER no início dos anos 50, “Quem dá mais importância ao produto que
ao mercado, fica com o produto e perde o mercado”. Que o sonho de ontem,
pesadelo de hoje da PSN, ao menos sirva de lição.

Francisco
Alberto Madia de Souza
Diretor Presidente e Sócio do MADIAMUNDOMARKETING – espaço empresarial de
Marketing; Advogado e Administrador de Empresas, com cursos de especialização
em marketing no Brasil e nos Estados Unidos

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