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Quadro De Avisos De Rh: Ui, Que Medo!!

No número anterior a este do nosso Profissional & Negócios em RH, foram mostradas as “pérolas” folclóricas de algumas mensagens contidas no quadro de avisos de diversas empresas. A intenção era apresentar de forma descontraída algumas das bobagens que gestores de RH deixam escapar por ocasião da inserção de mensagens nos quadros de avisos, provavelmente desatentos ou mesmo levados por alguma ingenuidade, e que levam a prejuízos de imagem da área junto à comunidade interna. 

Neste artigo, vamos compartilhar outras mensagens selecionadas dentre muitas, porém sob um outro ângulo: o da herança autoritária de um passado felizmente distante na história de RH. Só para lembrar o leitor, especialmente se sua entrada na área se deu a partir de 1990, RH foi formatado no caldeirão de procedimentos meramente regulatórios e de controles e mais controles sobre as pessoas, cujos temperos principais eram “gente como mal necessário”, “gente como recursos descartáveis” e “gente como seres imaturos que demandam controle rígido”. Estes temperos dominaram a cultura de RH notadamente entre 1964 e fins de 1980, período marcado pelo autoritarismo político vigente em nosso país, que contaminou a cultura organizacional de forma profunda.

Muitas transformações foram implementadas por gestores de RH a partir do final dos anos 1980, profissionais com formação e valores intensamente comprometidos com o Ser Humano, no bojo da onda de redemocratização do país. Desde então, estas transformações mostram-se amadurecidas pelas práticas de gestão de pessoas e um grande respeito às emoções, sentimentos, inteligência e talentos como vetores principais.

Escolhi três mensagens entre as que anotei e que me chamaram a atenção como marcas autoritárias absurdas, totalmente incompatíveis com a essência realmente HUMANA da gestão de pessoas. Vamos a elas:

Março de 2000: “Ficam os empregados cientes de que todos os engenheiros da empresa devem ter seus nomes precedidos pelo título, ficando o tratamento de doutor apenas para o Presidente da empresa”.

Caramba! E como ficam os colaboradores das outras especializações? Não podem ser por elas caracterizados em seus nomes? E aqueles que conquistaram um título de doutorado, não podem ser chamados de doutores? 

E que diferença faz na competência do indivíduo o título da sua especialização? E, afinal, por que para apenas o presidente fica reservado o uso de um título? Autoritarismo puro e pior: pouco inteligente!

Setembro de 2001: “No prédio da administração é obrigatório para todos os funcionários o uso de blazer, com blusa por baixo, mantida fechada no primeiro botão para evitar a exposição de elementos desabonadores”.

Mama mia! Em primeiro lugar, se depender de uma leitura rigorosa do texto, os cavalheiros dessa empresa devem também usar um delicado blazer sobre uma blusinha cheia de fru-frus “basiquinha”, não é? E se o primeiro botão de uma dama mais ousada estiver colocado, digamos, dois centímetros acima do umbigo? E que elementos desabonadores são os que devem ter exposição evitada? Elementos desabonadores… sei o que é isso não… elementos desabonadores…

Dezembro de 2002: “Comunicamos a todos os funcionários que é proibida a saída do recinto da festa de confraternização antes da autorização (bela construção essa, não? n. do a.). A autorização será dada pelo sistema de som da festa (êpa! eis um sistema de som com autoridade e, suspeito, vontade própria! n. do a.), logo depois que a diretoria sair da festa. 

Ao ler o aviso, pensei: “Ainda chamam a isso de festa? Se a pessoa precisar voltar cedo para sua casa, como fica?”. 

São frases emblemáticas. Há nelas o regurgitar de um inconsciente talvez saudoso dos tempos nos quais se alguém dissesse o que achava, nunca mais era achado! E são frases (e comportamentos) que colidem frontalmente com o atual perfil de filosofias, crenças e práticas da modernidade da Gestão de Pessoas, que já volta seus olhos e ouvidos para os sussurros suaves da Espiritualidade!

Benedito Milioni,
54 anos, é graduado em Sociologia e Administração de Empresas e, por vocação e escolha, um especialista em educação empresarial. Sua carreira começou em março de 1970, como instrutor substituto de programas de treinamento de pessoal de supervisão industrial.

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