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Qual a função do RH?

Mais um artigo sobre essa mesma questão? Pois é! Realmente eu, e todos nós, já lemos muita coisa sobre isto. Isso nos indica que: A questão é importante! Senão a discussão não se manteria relevante por tanto tempo. A questão é complexa! Caso contrário a resposta já teria sido encontrada de maneira definitiva. Por fim, talvez não haja uma única resposta, mas sim visões complementares sobre este problema.


É justamente esta a minha pretensão, ao descrever mais uma posição sobre esta mesma e antiga questão: o lugar do RH nas organizações. Penso que, ter a clareza do “lugar” ou da função de determinada estrutura, dentro de uma empresa, auxilia muito a todos no desdobramento de estratégias, planos e ações deste setor. Assim como, cria critérios mais claros e justos de avaliação dos resultados deste trabalho.


Para começo de conversa, proponho um movimento de aproximação e não de distanciamento. O que quero dizer com isso? Muitos artigos capricham nas análises que distanciam o trabalho do RH do restante da empresa. Enfatizam as peculiaridades, ressaltam a necessidade de critérios distintos. Penso que esse movimento apenas segrega o RH e faz com que ele seja olhado pelos outros setores da empresa como algo “de fora”, acessório e até dispensável. Ao contrário, se aproximamos o trabalho do RH do padrão de análise dos demais setores da empresa, criamos a visão do RH parceiro de negócios, que produz algum valor agregado e não pode ser dispensado, terceirizado ou algo do gênero.


É óbvio que cada setor de uma empresa tem suas especificidades, e que há aqueles diretamente envolvidos na produção de um bem ou serviço e outros ligados indiretamente a estes processos. O caminho da analogia nos ajuda na construção de pontes, que integram o RH dentro do mundo corporativo.


Se toda empresa produz bens ou serviços para consumo e queremos a visão integrada do RH nestas empresas, precisamos responder a uma pergunta importante: o que produz o RH? Produz serviços para os colaboradores da empresa, como folha de pagamento, alimentação, plano médico, empréstimos corporativos, serviços de saúde e segurança do trabalho. É uma resposta possível e correta sob determinado ponto de vista. Afinal o RH, na maioria das vezes, é responsável por todos estes serviços e outros mais.


Esta visão aproxima o RH dos demais processos da empresa como um órgão acessório de prestação de serviços. Neste caso, a terceirização seria uma recomendação plausível e pertinente, liberando a empresa para focar no seu core business, enquanto outras empresas providenciam o restante com mais expertise e custos menores.


Vamos um pouco mais longe com a nossa pergunta. Para que o RH presta todos esses serviços? Para que se providenciam ônibus para transportar os colaboradores de suas residências até o posto de trabalho? Para que se calculam e produzem folhas de pagamento, de forma que no dia combinado a remuneração do colaborador esteja presente na sua conta corrente? Para que se manteem postos médicos e serviços ambulatoriais dentro das empresas, atendendo aos colaboradores nos problemas emergenciais e não emergenciais?


Se toda atividade do RH for vista como fim em si mesma, realmente a primeira resposta está correta e não há o que acrescentar nesta reflexão sobre a função dos Recursos Humanos nas corporações. Se no entanto, compreendermos que estas atividades e outras mais que houver, não são fim em si mesmas mas meios para uma outra função, abrem-se portas para una nova visão muito mais rica e integradora sobre o trabalho deste grupo.


O RH produz disponibilidade de mão de obra! E deve produzi-la nas quantidades necessárias, com as qualidades requeridas e num custo compatível com o mercado! Toda e qualquer atividade do RH que não esteja alinhada com essa produção precisa ser revista e ou eliminada. O recrutamento e seleção, treinamento e desenvolvimento, a avaliação e remuneração e todos os processos de RH podem e devem ser avaliados pela sua maior ou menor capacidade, de disponibilizar a mão de obra necessária para que a empresa produza o bem e ou o serviço que ela necessita, para perpetuar-se.


Esta disponibilidade vai desde a presença física do colaborador (quando esta é necessária), passando pelo conhecimento necessário à função que ele vai desempenhar, as habilidades necessárias para que esse conhecimento transforme-se em atitude e alcança a motivação necessária para que este processo aconteça.


Este RH é capaz de planejar, construir estratégias e desdobrar metas, junto com a alta direção e os gestores, para que o fluxo da disponibilidade de mão de obra mantenha-se na medida exata das necessidades da organização. É o RH parceiro e indispensável, sem o qual a corporação perde seu insumo mais precioso e necessário, inviabilizando quaisquer projetos de manutenção e ou ampliação de ações.


Bons gestores de RH possuem essa visão estratégica e não se deixam capturar pela operação cega e rotineira do dia a dia, que não cria novas perspectivas para a gestão dos recursos humanos.
Emílio Amorim é Prof. de Filosofia no Centro de Ensino Superior – Juiz de Fora – MG e Consultor de RH do SENAI – MG

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