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Quando pedir demissão não resolve o problema

Por Psicólogo Ronaldo*

É pensamento corrente que o ambiente estressante na empresa pode de tal modo fazer com que a pessoa perda a vontade de interagir, de participar que acaba preferindo isolar-se ou até boicotar o trabalho alheio.

Se a situação conflitiva atinge ponto insuportável, a pessoa pode optar por saída radical como pedir demissão ou buscar afastamento médico. No caso de pedir a demissão, mesmo tendo facilidade de arranjar outro, a pessoa pode perceber o mau passo somente a médio e longo prazo. Admitida na nova empresa, em poucos meses, pode se deparar com a sensação que o antigo problema retornou com força total.

Nova call to action

Trocando em miúdos, antes de sair do emprego por causa de problemas interpessoais, procure resolver esses problemas. Do contrário, eles estarão esperando nova empresa. Diante de situação estressante no emprego, têm-se duas opções a analisar: pedir outra demissão ou procurar entender a situação, buscando administrar o ambiente.

Na primeira opção, corre-se risco da repetir o resultado infeliz. Na ausência da satisfação esperada, a ação pode acarretar maior desmotivação. O sucessivo abandono da vaga gera na pessoa a dúvida: estaria perdendo a capacidade de lidar com a pressão diária, de colocar seu ponto de vista e de argumentar?

Ao persistir na atitude de não intervir nas relações interpessoais, o desânimo tomará o controle emocional. Antes de entrar na segunda opção, é preciso dizer que esta requer treino. Do contrário, o que era para ser remédio pode ser tornar veneno.

O pensamento popular diz que às vezes a pessoa comete erros dos quais se arrepende, ainda que tenha agido com a melhor das intenções. Quanto mais se desenvolve habilidade interpessoal mais se diminui a chance de cometer esses erros sem querer. E para desenvolver esta habilidade requer treino.

O primeiro passo é identificar quais os comportamentos da pessoa estariam reforçando a situação de estresse. A pessoa que julga estar sendo vítima pode, sem perceber, sem querer, estar sendo a própria causa do seu estresse no ambiente de trabalho.

É preciso rever os hábitos e atitudes que podem estar facilitando a perda da capacidade de manejar o ambiente. Em momento de maior cobrança na família ou no trabalho, é de se esperar que o estresse tome conta. Nesse cenário, é considerado normal a pessoa que se mostra abatida ou desanimada de vez em quando.

A pessoa deve procurar orientação quando o desânimo se torna crônico. Não se está aqui para achar culpados ou insinuar quem sofre mais: se a chefia ou o funcionário, se o patrão ou empregado. No ambiente de trabalho, o nível de estresse é tão acentuado na chefia quanto nos subordinados.

Para a pessoa que se sente mal em seu ambiente de trabalho, esteja em que nível hierárquico for, a orientação é localizar os comportamentos disfuncionais. Jamais recorra ao fingimento ou faça de contas que se está de acordo com o que considera injustiça. Em vez de diminuir o sofrimento, gera maior dano.

Antes de conversar, antes de sentar com a chefia ou colega de trabalho que esteja causando o mal-estar, consulte um profissional – da sua empresa ou externo –, exponha sua problemática e peça sugestões de como agir. Leituras especializadas ajudam também.

O ambiente de trabalho merece investimento emocional de nossa parte. É nele que passamos no mínimo um terço do dia. Ele é o resultado de tantos anos de formação escolar e preparo técnico. É a fonte de nossa riqueza ou sobrevivência. Ele é nossa identidade. Quando há fonte de frustração severa no serviço, a família também sente o impacto negativo.

Antes de decidir abandonar o emprego por causa de relações interpessoais estressantes, vale a pena compreender quais atitudes nossas emperram a capacidade de dialogar.

* Atua como psicoterapeuta, palestrante e consultor de RH.

https://www.psicologoronaldo.com.br/

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