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R&s: O Profissional Também Seleciona A Empresa Onde Quer Trabalhar

No período em que buscava recolocação no mercado de trabalho, pude conhecer várias empresas, profissionais e processos de seleção. Retornar ao mercado depois de um período estável na carreira não é fácil, mas não deixa de nos ensinar. No início das buscas, aceitava de prontidão todos os convites para participar de entrevistas. Estava ansiosa para me recolocar e fugir do desemprego. Passei por processos seletivos diversos, sentindo na pele o que é ser candidata.

Participei de muitas entrevistas e em todas elas, aprendi e ensinei alguma coisa. Como atuo com RH há algum tempo, além de “estar” candidata, observava as entrelinhas do processo de seleção, me imaginando conduzindo-o.

O interessante é que o processo seletivo inicia para o candidato bem antes da entrevista, e poucos percebem isso. Sim. O processo de seleção inicia no momento de visualização da vaga. Há algo naquele anúncio que faz com que o profissional se interesse, e isso varia de perfil para perfil. Pode ser a remuneração, os benefícios, as atividades, o cargo, a reputação da empresa, dentre outros. Depois da candidatura, se compatível com os pré-requisitos da vaga, ocorre à convocação para uma entrevista.

A forma de convocação para uma entrevista também é muito importante. O candidato inteligente fica atento a todos os indícios dados pela empresa contratante como o modo de convocação (e-mail, telefonema, sites de emprego), horário do contato (após o expediente, por exemplo, sugere que existe o hábito de se realizar hora extra naquela instituição, ou que o tempo de trabalho é mal organizado), o trato do representante da empresa (se foi educado, claro e transparente sobre a vaga) enfim, tudo isso possibilita um maior conhecimento sobre a organização na qual temos o objetivo de atuar.

Na fase de entrevista, outros sinais são apresentados aos nossos olhos nos dando a oportunidade de continuar ou não com o processo de seleção. O local da entrevista, a disposição dos móveis, a cor da empresa, o contato com as pessoas, o tempo de demora para ser atendido e/ou entrevistado, a forma da entrevista (individual ou coletiva), o trato do entrevistador, dentre outros.

O importante é que o candidato conheça seu objetivo profissional, mantenha-se atento em relação a sua área de atuação, pesquise a média salarial de sua profissão, se qualifique, identifique o ramo de atuação que lhe interessa, reconheça o grau de desafio que procura, ou seja, trace o seu objetivo profissional considerando suas habilidades e competências a serem desenvolvidas, aprimoradas.

Muitas vezes os profissionais se candidatam às oportunidades de emprego sem possuir as exigências mínimas do cargo como formação, experiência profissional, idioma, disponibilidade para mudança, horário flexível, cursos específicos da área… e quando são contratados pela empresa, rapidamente se desmotivam sentindo-se frustrados com a carreira que escolheram.

Vale ressaltar que tanto o processo de seleção quanto a efetivação do profissional é feita de comum acordo com o mesmo, assim, o candidato pode e deve optar a dar continuidade ao processo ou não, com base no autoconhecimento, objetivo de carreira e intuição fomentada durante todo o processo seletivo.

Quando avaliamos criteriosamente as oportunidades de emprego que de início nos interessam, embasados na nossa experiência profissional e de vida, aumentamos consideravelmente as chances de sermos bem sucedidos em qualquer empresa, além de evitar frustrações pessoais e retrabalho por parte do RH.

Assim como as empresas recrutam e selecionam profissionais, estes por sua vez, escolhem as empresas onde querem trabalhar.

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