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Recursos Humanos e Educação

Para se ter sucesso no mundo do trabalho, o papel da educa√ß√£o de base √© fundamental. Certa vez, eu tinha uma vaga de analista de comunica√ß√£o interna, para a qual a principal compet√™ncia era a capacidade de comunica√ß√£o, principalmente escrita, pois a pessoa redigiria muitos dos comunicados feitos para os funcion√°rios. No setor de recursos humanos eu fiz uma din√Ęmica com mais de 10 pessoas.

Todas foram reprovadas na redação. Eram pessoas formadas em faculdades até reconhecidas, mas que não tinham algo que deveria ter sido desenvolvido ao longo de toda a sua formação fundamental e média. A vaga foi fechada na terceira tentativa de reunir profissionais para selecionar alguém que tivesse a competência necessária.

Falamos que temos muitos profissionais com diploma universit√°rio desempregados, mas ser√° que esses profissionais est√£o preparados para o que as empresas precisam? Qual percentual do que as empresas precisam s√£o de Educa√ß√£o Fundamental e M√©dia? Qual percentual √© de forma√ß√£o de car√°ter e qual percentual √© de conte√ļdos t√©cnicos aprendidos em uma forma√ß√£o universit√°ria? Ser√° que todos j√° se questionaram a esse respeito?

Nova call to action

Algumas das compet√™ncias valorizadas pelo mercado de trabalho, tais como comunica√ß√£o, capacidade de racioc√≠nio l√≥gico e an√°lise cr√≠tica s√£o desenvolvidas primariamente, durante a Educa√ß√£o Infantil e Ensino Fundamental, por meio de disciplinas como portugu√™s e matem√°tica. Algo que parece simples, como a formula√ß√£o de hip√≥teses ou as quatro opera√ß√Ķes b√°sicas da matem√°tica s√£o bases para a capacidade anal√≠tica e cr√≠tica. A concord√Ęncia e o respeito √†s regras gramaticais, assim como a capacidade de falar e escrever com clareza, bem como a capacidade de interpretar o que foi dito ou escrito, √© fruto de est√≠mulos ao longo de toda a forma√ß√£o.

Recentemente, acompanhamos na imprensa os resultados do Exame Nacional do Ensino M√©dio, que revelaram que apenas 6% das escolas brasileiras tiveram uma nota m√©dia acima de 600 (em uma escala aproximada de zero a mil). Nos pa√≠ses participantes da OCDE (Organiza√ß√£o para a Coopera√ß√£o do Desenvolvimento Econ√īmico), 600 √© o patamar equivalente √† m√©dia das notas das escolas. O Brasil tem, portanto, muito o que melhorar na √°rea da educa√ß√£o de base.

O problema da deficiência da educação de base aparece em todos os níveis e, em maior grau, nas classes sociais menos favorecidas. Nos processos seletivos, reprovamos em redação tanto pessoas que concorrem às vagas de base, como operadores de máquina, promotores, como pessoas que concorrem a cargos como analistas e coordenadores. Até em processos de executivos, já vi casos de reprovação por falta de competências que tinham correlação direta com a educação de base, entre elas a capacidade de se expressar através da escrita.

Para lidar com essa defici√™ncia nas empresas, temos de selecionar as pessoas certas e dar continuidade na forma√ß√£o que veio deficiente, por meio de parcerias das empresas com institui√ß√Ķes s√©rias, como o SESI, por exemplo. Para os j√° formados com defici√™ncias, investir em treinamentos em portugu√™s e matem√°tica, retomando conte√ļdos que deveriam ter sido aprendidos na forma√ß√£o (Ensino Fundamental e M√©dio) pode ser uma sa√≠da.

Outra forma de lidar com profissionais que já têm diploma universitário, mas apresentam problemas de formação é dando feedback contínuo para que eles mudem de comportamento. Em alguns casos, é necessário ajudar com a base conceitual, ou seja, através de treinamento e capacitação.

RECUPERANDO O TEMPO PERDIDO

Se você acha que pode ter tido alguma deficiência em sua formação, sempre é tempo de aprender. Para tanto, seguem algumas dicas:

1) Estude, fa√ßa cursos que retomem conte√ļdos que voc√™ tem dificuldade;

2) Peça feedback, assim você toma consciência de quando não demonstra a competência a contento, tendo a chance de mudar;

3) Leia! A leitura, além de ser complementar em assuntos técnicos e vinculados à sua especialização, serve para aumentar a capacidade analítica, formulação de hipóteses, além de incrementar seu vocabulário e fazer com que o cérebro registre sistematicamente a forma correta de se escrever.

Concluindo, pessoas que tiveram a oportunidade de ter uma boa educa√ß√£o de base t√™m mais chance de assumir postos mais altos em uma organiza√ß√£o e serem selecionados nas vagas em aberto. Para as empresas, ter em seu quadro de funcion√°rios pessoas que t√™m compet√™ncias desenvolvidas mostra uma preocupa√ß√£o com a imagem e com a marca da companhia. Ter pessoas competentes passa, sem nenhuma d√ļvida, por uma boa educa√ß√£o. Siga confiante e boa sorte!

Cíntia Bortotto é consultora de RH e psicóloga. Saiba mais em www.consultoriaemrh.com.br

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