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Recursos Humanos: Perspectivas Para 2005


Primeira perspectiva: em 2005, os profissionais de RH vão deflagrar uma revolução.

Quem lê meus artigos com alguma regularidade, sabe que sou um otimista por natureza quanto à possibilidade de mudanças radicais dos atuais modelos de gestão de pessoas, esses terríveis modelos que “coisificam” os funcionários e cujos adeptos usam o poder para a manipulação, a opressão e a ameaça para a busca de resultados a qualquer preço. 

Graças a esse meu otimismo, acredito forte e sinceramente que isso vai mudar, que a humanização das relações no trabalho é um processo irreversível, que já entrou na reta de chegada e que vai, a qualquer ano, tornar-se o “boom” organizacional. 

Então, diante da pergunta: “quais são as perspectivas para 2005 para a área de RH?” – eu sempre fico entusiasmado e acho que o Ano Novo será o Ano da Virada. Aliás, já passou da hora. Portanto, meus comentários partem dessa premissa: o ano de 2005 vai ser o ano da virada em RH. 

Primeira perspectiva: em 2005, os profissionais de RH vão deflagrar uma revolução. Vão dar um “basta!” e lutarão com mais empenho pelos seus verdadeiros ideais e conceitos, até então apenas latentes na maioria deles. Abandonarão os ultrapassados paradigmas e vão propor ações que efetivamente demonstrarão a importância que tem para as empresas o seu capital humano. Sim, amigos, será uma fascinante revolução! 

Mas que ninguém alimente temores infundados, pois esta será uma revolução pacífica, sem comícios, sem passeatas na Av. Paulista, sem desfiles com faixas reivindicatórias, sem palavras de ordem. Eu diria até que será uma revolução silenciosa. 

Os primeiros movimentos dessa revolução acontecerão no interior de cada profissional de RH; por isso seus efeitos não serão logo percebidos. Esses movimentos iniciais começarão por uma inquietude interior, uma reflexão insistente, um desejo imenso de ver pessoas felizes. Tudo isso virá acompanhado por uma vontade incontrolável de dizer aos dirigentes o que está errado na empresa quanto à condução dos colaboradores. Depois, em cada um, virá um jorro de idéias extraordinárias, criativas, focadas em tornar mais motivado e mais produtivo o ambiente de trabalho. 

Depois que, devido às novas ações e propostas do RH, a revolução se tornar explícita, é claro que os conservadores ficarão escandalizados. Tentarão apontar mil e uma desvantagens e “riscos” dessas “modernidades”. Resistirão às mudanças sob o desgastado argumento de “sempre se fez assim! Por que mudar?”. 

Os excessivamente racionais franzirão a testa numa demonstração de ceticismo. Não verão lógica em expressões subjetivas como motivação, alegria, qualidade de vida, comprometimento, felicidade. Os humanistas recuperarão o entusiasmo. Vibrarão e torcerão para que o presidente ou o Conselho de Administração aprove a implantação das novas políticas e programas de RH – nem que seja só pra ver no que vai dar… 

Em 2005, os profissionais de RH lembrarão das palavras de H.J.Brown: “As pessoas podem ser divididas em três grupos: as que fazem as coisas acontecer; as que olham as coisas acontecer; e as que ficam se perguntando o que foi que aconteceu” – e, graças a Deus, eles decidirão ficar no primeiro grupo. 

E, por causa dessa decisão, em 2005, os profissionais de RH repetirão para seus dirigentes as premonitórias palavras da Judi Neal, conhecida consultora que ensina “management” na Universidade de New Haven, PhD. em Comportamento Organizacional, fundadora e diretora do Center for Spirit at Work e co-autora do livro “Passion and Prosperity at Work”: “Se qualquer organização quiser sobreviver, terá que promover radicais transformações em si mesma. Estas transformações não se referem à estrutura, mas sim aos valores do coração e da alma”. Os profissionais de RH, em 2005, darão o ponta-pé inicial para essas transformações. 

Ao longo do tempo, o mercado de trabalho passou por várias fases de priorizações: em uma, a produtividade era o alvo; depois, a qualidade passou ao primeiro lugar do pódio. Em seguida veio a fase em que o cliente era o rei e sempre tinha razão. Agora, chegou a fase voltada para as PESSOAS. Certamente isso não significa que o foco nas pessoas implique abandonar os investimentos e preocupações das empresas com a produtividade, a qualidade e os clientes. Há que se ter produtos e serviços em quantidade suficiente e de alta qualidade para a satisfação e encantamento dos clientes – ou nenhuma empresa sobrevive. 

A grande “novidade” é que as modernas organizações começam a descobrir que quem produz, quem responde pela qualidade e quem cativa clientes são PESSOAS, e que se elas não estiverem devidamente motivadas e comprometidas com a missão, aquele trinômio (produtividade/qualidade/cliente) não existirá a contento. Parece óbvio, não? Pois para muita gente boa do RH, não é tão óbvio assim – mas passará a ser em 2005. 

Ter boas, justas e estimulantes políticas de RH será o grande diferencial competitivo das organizações em 2005 para atrair e manter talentos. Políticas que assegurem a ética, a transparência, a afetividade, o respeito e a qualidade de vida. Por causa dessa perspectiva, as áreas de RH serão chamadas a opinar nas grandes estratégias das empresas, terão mais verbas e serão mais bem-estruturadas. 

Há poucos meses lancei meu mais recente livro, “A Terceira Inteligência” (Editora Butterfly), onde proponho novos conceitos comportamentais além da razão e da emoção, muitos dos quais aplicáveis à gestão de pessoas no trabalho e em linha com as idéias acima. É minha contribuição para a “revolução do RH”, para o ano da virada. E que ninguém se deixe contaminar pelo pessimismo do “não adianta, o que posso fazer sozinho?…” Se essa dúvida atingir alguns, recomendo lembrar das palavras do Edward Everett Hale: 

“Sou apenas um, mas ainda sou pelo menos um. 
Eu não posso fazer tudo, mas ainda posso fazer algo. 
E só porque não posso fazer tudo, 
não deixarei de fazer o que posso fazer”.

Floriano Serra
Psicólogo, com Pós-graduação em Propaganda e Marketing (ESPM), e Especialização em Análise Transacional (ALAT).

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