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Remuneração Variável E O Nível De Acomodação


É enorme a quantidade de livros, cursos,
seminários, workshops e palestras tratando do assunto remuneração. Fala-se
em remuneração estratégica, remuneração por competência / habilidades e
remuneração variável. São algumas das soluções lógicas e claras para se
enfrentar os problemas que as empresas têm, frente a um ambiente de extrema
competição e de resultados positivos mandatórios. É o caminho lógico
através do qual o principal diferencial competitivo da atualidade, as
pessoas, se comprometerá automaticamente, pensamos nós, com os objetivos
corporativos e de cada unidade de negócio, transformando-os em uma
maravilhosa realidade.

 

NEM TUDO SÃO FLORES

Infelizmente, a realidade que vemos nas
empresas é outra, muitas vezes os comportamentos esperados não se tornam
efetivos após a implantação de práticas de remuneração modernas. Vemos
Planos de Participação nos Resultados em que comportamentos óbvios,
simplesmente não acontecem na prática. Mas como isto pode acontecer ? Se as
pessoas adotando o comportamento esperado, como por exemplo a redução do nível
de retrabalho, terão uma remuneração maior ? Qual a razão ou as razões
para não acontecer o esperado ?

O mundo dos negócios de hoje e,
principalmente, o mundo da gestão de pessoas, já nos demonstrou claramente
que não há verdade absoluta. Desta forma ouvimos com frequência – a área
de Recursos Humanos já era, deve atuar como consultor interno – Algumas
empresas estão aplicando esta fórmula, outras mantém e até reforçam a
estrutura tradicional, e ambas com bons resultados. Ouvimos ainda – estrutura
organizacional tradicional já morreu – Muitas empresas vêm trabalhando com
estrutura matricial, alocando as pessoas nos diversos projetos, outras ainda
funcionam com o organograma tradicional, e vão muito bem obrigado.

A questão é que tudo é relativo, não
podemos simplesmente adotar verdades teóricas como o único caminho a ser
seguido. Ë preciso analisar cuidadosamente a realidade de nossa empresa, e
verificar que parte da verdade teórica pode ser adotada por nós, com
sucesso.

 

QUAL O CAMINHO ?

Acontece que esquecemos de por em prática
tudo aquilo que pregamos e em que, inclusive, acreditamos. Pregamos e
acreditamos que a parceria é o caminho para o sucesso, que o cliente tem que
ser ouvido e atendido em suas necessidades e expectativas, que o atendimento
tem que ser personalizado. E o que fazemos quando desenhamos algum plano de
remuneração variável ? Aplicamos um tratamento de massa, construindo o
plano de acordo com as novas formas ( as verdades teóricas ) e de acordo com
o que nós achamos que todos gostariam.

A experiência tem demonstrado que uma das
variáveis que interfere diretamente, e de forma bastante contundente, nas
respostas dos colaboradores, em termos de mudança de atitude, nos planos de
remuneração variável, é a questão do nível de ambição e acomodação
de cada indivíduo. Que é esquecida quando simplesmente aplicamos verdades teóricas
e usamos tratamento de massa.

Não vamos aqui ver o termo acomodação como
desinteresse pelo trabalho. Vamos entendê-lo como o nível a partir do qual
uma pessoa não se sente motivada a realizar esforço adicional. Isto
significa que se esta pessoa atinge um determinado nível de ganho, que já
atende perfeitamente a suas necessidades e aspirações, não verá razão
para empreender esforços adicionais. Nem todos querem ganhar sempre, cada vez
mais. Ë bastante significativo o número de pessoas que, atingindo um patamar
confortável de ganhos, não vê necessidade de se desgastar para conseguir
mais.

Ë preciso, portanto, que a empresa ao
desenhar seu plano de remuneração envolvendo ganhos variáveis decorrentes
de resultados alcançados, analise o nível de acomodação de seus
colaboradores, para adequar o desenho do plano aos diversos patamares de ambição
e acomodação.

É importante, ainda, considerar o perfil das
pessoas envolvidas e checar se ele é adequado às necessidades da empresa.
Isto porque, se uma empresa muda de um sistema de remuneração tradicional
para um sistema de remuneração variável, ela está, com certeza, em busca
de uma ferramenta de suporte para a mudança que está precisando empreender
em sua forma de gestão, nas atitudes dos colaboradores e até no seu foco de
negócios.

Portanto, através da análise do perfil, é
preciso identificar aqueles que não irão mudar de forma nenhuma, por melhor
que seja o desenho do plano, pois estão extremamente acomodados no seu atual
nível de ganhos. Estes, normalmente, resistem fortemente as mudanças, lançam
dúvidas quanto ao sucesso do novo sistema de remuneração, e,
inevitavelmente, são atropelados pelos acontecimentos.

Não adianta perder tempo tentando fazer com
que o novo esquema de remuneração os sensibilize.

Não existe uma ferramenta específica para a
análise do nível de acomodação/ambição, mas ela pode ser efetivada
utilizando-se um conjunto de informações geralmente disponíveis nas
empresas, tais como testes de seleção, histórico profissional, natureza da
atividade, observação das chefias imediatas, entrevistas e pesquisas, entre
outras.

O importante é não arriscar a saúde de seu
plano de remuneração variável por não considerar, em seu desenho, o nível
de acomodação/ambição de cada pessoa.


João Baptista Vilhena

Diretor do MVC

 

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