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Resiliência e o sequestro da amígdala

Quantas vezes em nosso ambiente de trabalho já tivemos reações impulsivas das quais nos arrependemos depois. Seja pedindo demissão após um feedback ofensivo de um gestor ou uma discussão nada produtiva, que passa dos limites numa reunião desmotivando totalmente nossa equipe. Em muitos momentos nos falta a tão famosa, mas pouco utilizada, inteligência emocional.

De acordo com Daniel Golleman há uma explicação neurológica para este comportamento agressivo mediante de situações desagradáveis. O cérebro humano foi formado de baixo para cima, isto é, as primeiras estruturas do cérebro iniciam na parte de baixo e com a evolução outras ramificações foram formadas até chegar ao topo da cabeça.

Os homens das cavernas tinham apenas a parte inferior formada e nesta parte há uma estrutura pequena chamada amígdala, onde ficam armazenadas nossas emoções boas e ruins. Assim que nossos antepassados ouviam ou viam algo esta informação era enviada a amígdala que determinava a reação dele, isto é, se aparece um animal a amígdala dava a ordem: “Fuja” ou “Ataque-o”. A amígdala dava uma ordem emocional, por impulso, sem questionar muito a situação.

Nova call to action

Já o homem moderno além de ter a amígdala também possui uma estrutura próxima a testa chamada neocortex que comanda nossas ações racionais, é a parte pensante do cérebro, isto é, questiona e pensa a melhor forma de executar alguma tarefa.

De acordo com Golleman o problema é que a informação chega primeiro a amígdala e apenas depois chega ao neocortex, portanto se o que está acontecendo no ambiente externo é muito intenso a amígdala pode dar o comando de “Fuja” ou “Ataque”, antes que o neocortex diga ” calma, vamos montar um plano de ação para resolver este problema mais assertivamente”. Este processo chama-se “seqüestro da amígdala”, onde ela não permite que o neocotex aja.

Várias vezes minha amígdala seqüestrou meu neocortex, lembro-me de uma vez que um cliente começou a criticar um projeto que nossa empresa de sistemas havia construído, colocando defeito em tudo e nos chamando de incompetentes. Esta palavra (estimulo auditivo) foi a gota d’água para a Amígdala seqüestrar meu neocortex e eu pegar o meu notebook, deixar a sala de reunião dizendo que nunca mais trabalharia para aquele cliente. Perdi o cliente e oportunidade de desenvolver um projeto que era crucial para o crescimento da minha empresa. Talvez se eu tivesse aguardado o neocortex se manifestar teria explicado melhor para o cliente o projeto e feito as correções necessárias para atender as necessidades dele. Como resultado teria o cliente até hoje e teria um novo produto para comercializar na minha empresa.

Acredito que uma pessoa resiliente consegue desativar o seqüestro da amígdala, não permitindo reações impulsivas, elas fazem aquele famoso “contar até 10” para que a informação chegue ao neocortex e seja processada racionalmente, não permitindo assim cometer excessos que fatalmente serão catastróficos para uma solução eficaz. Eisten já dizia, “um problema não pode ser resolvido no mesmo estado emocional que ele foi criado ou descoberto”.

Uma das frases mais úteis que já aprendi para ser usadas nesses momentos é “Vou pensar nisto e falo com você depois”.

Ricardo Piovan – Palestrante e Consultor Organizacional
ricardo.piovan@portalfox.com.br
www.portalfox.com.br – www.ricardopiovan.com.br

Por: Portal Fox

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Muito bem explicado para que o(a) leigo)a) como eu, compreenda!
Obrigada!