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O caminho inevitável rumo ao RH 4.0

rh 4.0

O RH 4.0 é a resposta para a revolução da tecnologia nas empresas e veio para gerar benefícios

Ao longo de muitas décadas, o setor de recursos humanos das empresas atuou de forma puramente burocrática. Nesse período, ainda chamado de Departamento Pessoal, tinha como principal atribuição receber documentos, redigir e formalizar contratos e zelar para que as relações de trabalho entre empresa e funcionário estivessem de acordo com as normas trabalhistas. Entre outras funções, cuidava dos processos admissional e demissional, processava a folha de pagamentos, calculava valores referentes a rescisões e férias – e não ia muito além disso. A rigor, tinha um papel puramente operacional, com pouca – para dizer nenhuma – contribuição para a estratégia de negócios da empresa.

Nova call to action

Aos poucos, com o crescimento da competição entre as grandes corporações não só pelo mercado, mas também pelos melhores profissionais, o setor ampliou sua atuação para a atração e retenção de talentos. Nasceram os programas de benefícios e os planos de carreira e remuneração, que passaram a incluir a participação dos trabalhadores nos lucros das companhias. O velho Departamento Pessoal saiu de cena para o surgimento do setor de Recursos Humanos, em um contexto no qual viria a ser classificado como RH 2.0.

Com a recente revolução tecnológica, marcada pela democratização do uso de computadores e, em um segundo momento, de smartphones, tablets e outros equipamentos voltados à comunicação e disseminação de informação e conhecimento, o setor de RH não apenas acompanhou a onda de digitalização como se reinventou totalmente, passando a atuar – agora sim – de forma estratégica e alinhada aos planos das empresas. No chamado RH 3.0, muitas funções – como folhas de pagamento – foram automatizadas, humanizando as relações e dando aos gestores mais tempo para cuidar da gestão dos talentos.

Nos processos seletivos, passaram a ser utilizados testes personalizados (raciocínio lógico, teste comportamental), entrevistas via chatbots e vídeos de apresentação dos candidatos. No dia a dia, foram adotados indicadores de desempenho para medir a produtividade dos colaboradores e instrumentalizar os gestores para a tomada de decisões estratégicas mais assertivas. Com uma gestão mais horizontalizada e colaborativa, os funcionários passaram a sentir-se responsáveis pela sustentabilidade da empresa – ganharam a chamada visão de donos do negócio.

Agora, estamos em meio a uma nova revolução nos recursos humanos. No RH 4.0, softwares desenvolvidos especificamente para a gestão de pessoas e inteligência artificial são os pilares para a produção e a análise de dados cada vez mais aprofundados e precisos. No recrutamento e na retenção de talentos, as soft skills (habilidades interpessoais) vêm ganhando tanta importância quanto as hard skills (conhecimento técnico), exigindo uma mudança de cultura em algumas empresas.

Hoje considerada uma engrenagem fundamental para o sucesso de qualquer companhia, a área de recursos humanos precisa de um mindset ainda mais dinâmico e de ferramentas ágeis para a tomada de decisões e o desenvolvimento de soluções capazes de atender às necessidades da organização. Nesse contexto, é fundamental que os sistemas e processos de comunicação internos funcionem de forma rápida, fluida e eficiente.

E o que se espera para o futuro é que os conceitos e visões permaneçam em movimento. Em um mercado dinâmico, complexo e em constante ebulição, é natural que surjam novas funções, outras sejam extintas e outras se reinventem – como sempre ocorreu ao longo da história. E, cada vez mais embasado por ferramentas de inteligência artificial, o trabalho de recrutar, testar, selecionar, admitir, treinar, reter e aperfeiçoar talentos compatíveis com as necessidades organizacionais será fundamental para a sobrevivência e o crescimento das empresas.

Por Fábio Pajaro

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