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Rh Servil O Cliente

Estava lá, escrito com todas as letras, o que fez engasgar metade da platéia e acordar a outra metade, numa apresentação sobre RH feita por um coleguinha, provavelmente distraído, mas tudo indicando precisar urgentemente de um passar d´olhos por uma gramática. Quatro míseras palavrinhas: RH SERVIL O CLIENTE, só faltando que a palavra “servil” estivesse separada para “enroscar” ainda mais e fazer tremer, espumar de raiva, todos os gramáticos vivos e mortos da nossa paciente língua! 

Imagine como ficaria: RH SER VIL O CLIENTE! Quem seria o vil e desprezível ser: RH ou o cliente? Poderia até ser o titulo de um “rap” para descrever a “piração” de um RH!

Além do engano — está bem… vamos debitá-lo a uma compreensível distração na revisão… afinal, RH não erra tão feio assim… —, o que temos na frase que serve como título desta coluna (muita gente, além do editor do nosso P&N em RH deverá empalidecer assim que deparar com esse título!) é uma bela confusão quando ao significado do verbo servir. 

Servir o cliente, assim mesmo, com o artigo, é próprio dos garçons, por exemplo: o que esses profissionais fazem, com todos os salamaleques e cerimoniais que variam de caso para caso, é atender os pedidos dos clientes à mesa e… serví-los! Se, contudo, pensarmos em servir ao cliente, nesse caso substituindo o artigo pela preposição, aí sim estaremos construindo uma expressão mais condizente com a missão, trabalho, importância e valor da Gestão de Recursos Humanos!

Artigos e preposições à parte, posto que o propósito desta coluna não é invadir as competências do professor Pasquale, dentre outros zelosos defensores das normas cultas de expressão, o que nos interessa é colocar as coisas nos seus devidos lugares: RH serve AO cliente! Nunca serve O cliente, muitíssimo menos podemos aceitar SERVILIDADE de RH (pode ser servilismo também) ao cliente! Servilidade é subserviência, comportamento de submissão conjugada em doses altas com bajulação, medos, falta de auto-estima e assemelhados. Nosso trabalho é o de prestar serviços de alto grau de sofisticação e especialização, exercendo ações como provedores de solução para demandas que requerem a aplicação de inteligência em doses superiores, o que não é uma característica dos que se quedam servis, humílimos serviçais, sem que entremos em discussões dos méritos políticos e/ou sociológicos da questão.

Reconheço que não deva ter sido intenção do citado apresentador defender a tese de que RH deve servir o cliente, assim como vir a ser servil e, é claro, ser vil (vige santa! O editor deve estar fazendo caretas, horrorizado com tanto trocadilho e jogo de palavras!). Mas o veículo e o seu editor são cúmplices desse colunista na defesa intransigente de RH como uma especialização profissional que há muito vem se aproximando da Arte, porque, o que fazemos, requer mãos peritas, mentes e espíritos sintonizados com a incessante transformação da cultura organizacional para que possa, enfim, agasalhar a expressão e o trabalho humanos como Arte acima de tudo.

Nossa compreensão para o colega que deixou passar o engano na sua apresentação, mas que ele não repita o feito, o que fará com que corra o risco de experimentar a fúria dos que estão construindo RH como Arte!

Benedito Milioni,
54 anos, é graduado em Sociologia e Administração de Empresas e, por vocação e escolha, um especialista em educação empresarial. Sua carreira começou em março de 1970, como instrutor substituto de programas de treinamento de pessoal de supervisão industrial.

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