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Salário e Remuneração

SALÁRIO E REMUNERAÇÃO

O salário é um poderoso motivador pois com ele realizamos as nossas funções na sociedade. Além do salário, tudo o mais concedido ao funcionário acaba tendo valor salarial, como um plano de saúde por exemplo. Então, modernamente, fala-se em remuneração, para definir o pacote todo concedido ao trabalhador.

O valor do salário leva em conta a especialização, a complexidade, a importância e até o excesso e escassez de mão-de-obra.

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O salário acaba recebendo vários nomes – ora é estratégico, ora é flexível e assim por diante, mas no fundo é uma questão de atribuir-se o justo pagamento por uma tarefa feita. Deve-se registrar também a tendência de se fixar um salário básico e de se estabelecer ao mesmo tempo uma forma de pagamento por resultados. Na prática, tais pagamentos por resultados acabam incorporando-se ao cotidiano do funcionário, perdendo o efeito motivador que possuíam na época de sua implantação.

A primeira impressão que se tem quando se pensa em salário é de que ele representa uma parcela do custo de uma empresa, igualando-se a itens como energia, máquinas, propaganda, impostos e juros. A segunda impressão é que ele é completamente diferente dos demais itens de custos, pois ele tem a haver com pessoas e não números e máquinas.

O pressuposto teórico de que a remuneração pode gerar resultados – e até mesmo reduzir custos – foi determinante para que psicólogos, economistas, administradores, advogados e tantos outros profissionais, ao longo dos séculos, se debruçassem sobre ele – o salário – no intuito de descobrir a receita ideal para a compensação do trabalho, do esforço, do desempenho e, eventualmente, do talento das pessoas envolvidas. A utopia da forma ideal de remuneração tem estimulado consultores, professores e pesquisadores pelo mundo todo, há séculos.

O trabalho nem sempre foi remunerado, e era comum o trabalho ser pago em mercadorias, abrigo ou proteção. A palavra salário vem do latim Salium (sal) e a palavra pecuniário vem também da latim Pecus (gado). Na economia moderna o salário é a forma que o indivíduo usa para vender seu trabalho e atender suas necessidades básicas do cotidiano. Por ser essencial, é o tema mais explosivo nas relações de trabalho.

Os salários têm um peso grande nos custos finais totais das organizações. Daí se procurar mantê-los baixos. As despesas com matérias primas, máquinas, luz, gás, telefone e outras têm embutido nelas os salários dos agentes e funcionários das empresas de origem, ao longo da cadeia produtiva.

Salário e remuneração: salário é o dinheiro básico recebido; remuneração é o pacote todo, incluindo benefícios, adicionais, carros, viagens e outros. O salário nominal é aquele escriturado; já o salário real é o que ele vale ou o que ele compra. O salário bruto é o valor declarado, sem os descontos e o salário líquido é o valor efetivamente recebido. O salário absoluto é o que ele recebe e o salário relativo é o salário comparado aos demais. O salário é fixo quando determinado e é variável quando depende da performance. O salário base é o salário fixo estipulado. Os adicionais são as horas extras, insalubridade, periculosidade, tempo de serviço e que atendem as situações especiais.

Cada pessoa tem uma cesta de consumo, que pode ser alta ou baixa; e esta cesta de consumo, com os itens que as pessoas gastam durante o mês será paga com o salário recebido.

A concentração da folha de salários em determinada época do mês trás problemas de transporte, abastecimento e filas, já que todos compram na mesma época.

A inflação corrói o valor dos salários: com uma inflação de 1% ao mês, um salário pago no dia 5 já perdeu 1% do seu valor. Se o dinheiro tivesse sido aplicado em uma caderneta, renderia 0,5%. Portanto a perda é de 1,5%, pelo menos.

O salário deve atender às necessidades dos indivíduos, pois de outra forma, não cumpre a sua função social. As necessidades são individuais. O salário pode ser determinado por várias formas: por tempo de serviço, por produtividade, por lucros gerados ou por avaliação dos cargos. O salário depende também da demanda: o excesso de oferta de trabalho reduz o seu preço e a escassez de trabalhadores aumenta o preço do trabalho. Toda vez que excedentes de mão-de-obra forem encaminhados para o mercado de trabalho, a tendência natural é os salários caírem, pelo excesso de oferta.

O salário fixo oferece a tranqüilidade de ser um salário certo e previsível. Já o salário variável oferece a possibilidade de maiores ganhos porém o salário varia conforme a produtividade, ocasionando incerteza. Muitas vezes parte do salário vem sob a forma de prêmios em dinheiro ou mercadorias por idéias e sugestões apresentadas. Podem existir outras modalidades que não deixam de ser salário: concessão de vales extras de almoço, dias de folga remuneradas sem o trabalho e assim por diante.

O salário quando comissionado estimula a equipe a um esforço extra e é muito usado especialmente em meses de vendas baixas. Também é muito usado para atingir metas especiais. Gera porém descontentamento em outros setores da Organização que também participam do esforço mas não ganham as comissões, como por exemplo o pessoal do depósito. Pode também levar os clientes a se estocarem em excesso, provocando queda de vendas nos meses seguintes.

O salário é confidencial e o gestor deve enfatizar isto. A empresa deve fixar uma política sobre a sua confidencialidade. O salário interessa ao empregado e a empresa. Mas nem sempre essa confidencialidade é preservada. Há uma anedota corrente nas organizações que diz que o único salário realmente confidencial é daquela senhora do segundo andar que serve o café (… porque ninguém deseja o emprego dela…).
Existe na realidade um mercado de salários e a empresa deve definir com que organizações deseja se comparar e se pretende ficar abaixo, ao nível ou acima dos salários praticados. É também necessário definir como pagar cargos universais de fácil reposição e como remunerar cargos complexos de difícil obtenção. É igualmente preciso avaliar os cargos estabelecendo a importância absoluta e relativa na organização. Um cargo pode ser fundamental para uma empresa e não ser tão importante para outra. Isto faz parte do mundo real e vai influenciar na determinação do salário.

Definido o salário, é preciso pagá-lo. E muitas organizações dispendem elevadas somas para pagar os salários. A folha de pagamento é na realidade um imenso contas a pagar que é processado mensalmente. Pode haver outra freqüência. Nas pequenas empresas poderá ser feita manualmente. Nas demais utilizam-se folhas de pagamento próprias desenvolvidas internamente ou pacotes de folha de pagamento adquiridas no mercado.

Há mais de 50 anos, a periodicidade de pagamento dos salários é mensal. Não deveria ser semanal, ou na data de escolha do trabalhador? Quanta economia e praticidade…

Antonio de Lima Ribeiro
Administrador de Recursos Humanos
e Mestre em Educação.Autor de livros pela Editora Saraiva de São Paulo.Possui um escritorio de assistência técnica em Petrópolis, RJ.

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