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Qual é a relação entre cultura organizacional e saúde financeira dos colaboradores?

saúde financeira

Por Charys Oliveira*

A cultura organizacional é fundamental para a retenção de talentos. Ela gera mais conexão nas relações entre a empresa e seus profissionais, além de demonstrar preocupação com a saúde e o bem-estar dos colaboradores. E, apesar de muitos ainda não compreenderem dessa forma, há uma relação muito grande entre a cultura organizacional e a saúde financeira dos empregados.

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Para entender o porquê dessa relação, é necessário saber que cultura organizacional é um conjunto de valores, princípios, crenças e hábitos que a empresa adota com seus funcionários.

Como exemplo, se a empresa tem preocupação com aspectos relacionados à saúde e bem-estar de seus colaboradores, naturalmente  ela estará atenta a outros fatores como a saúde financeira deles, questão que impacta a vida de muitas pessoas.

Companhias cujos RHs ainda não se preocupam com o tema tendem a achar que as dificuldades financeiras dos funcionários não devem ser motivo de preocupação da corporação. Mas não é bem assim.

O alto endividamento e a inadimplência são fatores de redução da produtividade. Uma pessoa nessa situação tende a ser mais dispersa e a se dedicar menos aos afazeres profissionais, além do que, na tentativa de resolver a situação, busca fontes de renda complementares que esgotam suas capacidades físicas e mentais.

Levantamento feito pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) mostra que a porcentagem de brasileiros endividados no ano passado chegou a 66,5%.

Em contrapartida, apenas 3% da população economicamente ativa investe em ações, segundo informações publicadas por veículos especializados em economia e finanças.

Outra pesquisa, realizada por Unicamp, ABEFIN e Instituto Axxus, mostra que 96% dos profissionais de RH entrevistados acreditam que os colaboradores com mais dificuldades em administrar as próprias finanças são menos produtivos.

Esses números refletem a necessidade de promover a educação financeira e a importância da atuação das empresas na mudança desse cenário.

O problema é que muitos RHs não sabem por onde começar. Em primeiro lugar, salários atrativos e pagamentos em dia são necessários, mas não são suficientes, pois o colaborador deve ‘aprender’ a lidar com o dinheiro.

Caso contrário, de nada adiantará o aumento. Por esta razão, é importante implantar ações e dinâmicas voltadas para a educação financeira que auxiliem esses profissionais a prosperar financeiramente.

Para isso, a empresa pode promover palestras e workshops sobre educação financeira, oferecer cursos para que os colaboradores aprofundem seus conhecimentos na área e fechar parcerias que facilitem a tomada de empréstimo consignado aos empregados, quando eles precisarem para alcançar um objetivo.

Como se vê, a cultura organizacional tem forte relação com a saúde financeira dos colaboradores. Em geral, existe o receio de o colaborador interpretar a iniciativa da empresa como uma invasão a uma questão particular. Mas há formas não invasivas de abordar a temática financeira e o RH deve perder esse medo e não considerar o tema um tabu.

Além de estar em dia com as finanças, a maioria dos profissionais desejam crescer e alcançar novos patamares.

Portanto, as empresas precisam oferecer oportunidades de crescimento para que esses profissionais se sintam reconhecidos, definindo formas para promover esse reconhecimento (bônus, planos de cargos e salários ou mecanismos que façam sentido na estrutura organizacional).

Soma-se a isso a promoção de um ambiente de trabalho saudável, no qual os profissionais não se sintam sobrecarregados.

O investimento na capacitação e formação de lideranças, a promoção de espaços de integração para as equipes se conhecerem melhor, as reuniões e happy hours, entre outras iniciativas, contribuem para um melhor ambiente de trabalho.

Dessa forma, evita-se afastamento por problemas emocionais e psicológicos. Vale salientar que a instabilidade psicológica pode ser potencializada por problemas financeiros, como já mencionado.

Como se vê, a cultura organizacional exerce papel essencial na manutenção da satisfação das equipes de trabalho, inclusive contribuindo para aspectos de cunho pessoal, como as finanças, mas que influenciam no cotidiano dentro da empresa.

Porém, mais do que identificar quais valores serão adotados, é imprescindível vivenciar cada um deles na rotina da empresa.

Esperamos que você tenha gostado das dicas sobre cultura organizacional e saúde financeira dos colaboradores.

*Charys Oliveira  é head de saúde financeira e branding com foco em saúde financeira.

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