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Saúde mental na pandemia: o que o gestor pode fazer para cuidar da equipe

saúde mental na pandemia

A saúde mental durante a pandemia foi um dos assuntos mais buscados no Google em 2020. Segundo dados da própria empresa, houve alta de 98% em comparação com a média dos últimos 10 anos.

O indício aponta a relevância do assunto, principalmente no ambiente corporativo. Restrições impostas pelo isolamento social, trabalho em home office e incertezas geradas pelo novo cenário contribuem para o agravamento de doenças, como depressão, ansiedade e síndrome do pânico. 

Nova call to action

Neste artigo, confira como o RH pode ajudar na prevenção e detecção de transtornos emocionais

A saúde mental dos brasileiros durante a pandemia

A pandemia do coronavírus produziu impactos negativos no ambiente laboral. O Brasil teve recorde de solicitação de auxílio-doença e aposentadorias por invalidez, decorrentes de transtornos mentais. 

Quem aponta é a Secretaria Especial de Previdência e Trabalho: foram mais de 576 mil afastamentos, ocasionando, em média, 196 dias longe do trabalho. O número representa 26% a mais do que em 2019, quando os pedidos de auxílio-doença somavam 213,2 mil. 

Já em 2020, as concessões chegaram a 285,2 mil, representando um acréscimo de 33,7%. Os principais motivos para chegarmos a esse cenário foram: 

  • inadaptação ao home office;
  • combinação e sobrecarga de tarefas profissionais e domésticas;
  • endividamento;
  • incertezas sobre o futuro;
  • ansiedade, depressão e síndrome do pânico. 

A Associação Nacional de Medicina do Trabalho (ANAMT) aponta que as doenças mentais mais comuns no ambiente profissional são depressão, ansiedade, transtorno de pânico e Síndrome de Bournout. 

As possíveis causas dos afastamentos que chegam ao balcão da Previdência, segundo a ANAMT, são jornadas exaustivas, falta de reconhecimento profissional, imposição de metas abusivas e pouca autonomia no ambiente de trabalho

Durante a pandemia, o estresse aliado ao isolamento social, agravou a situação, gerando um fardo emocional muito grande. Segundo especialistas da saúde, reações psicológicas e físicas são comuns. Além disso, situações de tensão, medo e angústia resultam em insônia, agitação e ansiedade. 

O panorama da saúde mental deve piorar em  2021, pois a resiliência das pessoas está no limite. Esse contexto mostra que a saúde mental na pandemia é um problema a ser enfrentado de forma conjunta por empresas e colaboradores

A importância de se pensar na boa saúde mental no trabalho 

Como analista de RH, sua principal atribuição é cuidar de tudo o que diz respeito às pessoas. Nesse sentido, o RH deve manter em alta a satisfação e o bem-estar, zelando pela integridade física e mental dos colaboradores

Em um aspecto mais amplo, empresas que assumem a responsabilidade desse cuidado denotam compromisso com seus recursos humanos. Para isso, procuram oferecer aos trabalhadores um ambiente laboral saudável e acolhedor

Ademais, desenvolver estratégias preventivas é importante para evitar afastamentos e manter o bem-estar psíquico das equipes. Esse cuidado melhora o clima organizacional, aumenta a produtividade e a motivação. Como consequência, a empresa alcança melhores resultados e preserva a saúde de seus colaboradores. 

Desafios do gestor para cuidar da equipe

Como gestor de pessoas, o profissional da área pode encontrar obstáculos para tratar do assunto. Infelizmente, as doenças mentais ainda carregam um estigma social muito grande. E as pessoas evitam expor seus problemas ou pedir ajuda. Para romper essa barreira, duas medidas são fundamentais: prevenção e detecção. 

Prevenção

  • escutar ativamente, em diálogos francos e sem rodeios;
  • acolher e oferecer suporte;
  • alinhar gestão de tempo, metas e entregas para diminuir a pressão;
  • organizar conversas e reuniões para aliviar as tensões;
  • oferecer conteúdo sobre saúde mental na pandemia. 

Detecção: observe comportamentos atípicos ou recorrentes

  • atrasos ou faltas injustificadas;
  • distorções de fala ou mudanças bruscas de humor;
  • relatos de problemas para dormir ou insônia;
  • queda na produtividade;
  • isolamento ou problemas de concentração;
  • desmotivação ou falta de interação com os colegas.

Como promover ações voltadas para a equipe

Identificar problemas dessa ordem sempre foi difícil, principalmente no ambiente de trabalho, onde as pessoas precisam mostrar eficiência e comprometimento. Pensando nisso, veja algumas ações práticas que podem diminuir os danos.

Desenvolva um programa de bem-estar

Crie um planejamento específico para tratar do assunto na empresa. Para isso, a gestão de pessoas pode implementar boas práticas que equilibrem trabalho e vida pessoal de forma saudável. 

Estabelecer programas específicos para reconhecer e recompensar a contribuição dos funcionários também pode trazer bons resultados. O mais importante é sistematizar um programa periódico de promoção e proteção à saúde. 

Ofereça benefícios

Além de incluir a cobertura de psicólogos e psiquiatras no plano de saúde, a empresa pode contar com um profissional da área para conversar com os colaboradores — in loco. Trata-se de uma medida preventiva, que permite aos profissionais falarem sobre suas angústias antes que o quadro emocional se agrave. 

Incentive a prática de atividades físicas

Especialistas garantem que a prática de exercícios físicos auxilia no tratamento da depressão. Uma vida saudável e equilibrada faz bem para o corpo e a mente. Nesse sentido, a gestão de pessoas deve incentivar os colaboradores a praticarem um esporte ou uma simples caminhada

Ainda, é válido estabelecer um programa de exercícios leves ou ginástica laboral. Existem educadores físicos contratados para cuidar dos funcionários, uma vez por semana, por exemplo. Momentos de lazer também são importantes e podem, inclusive, fazer parte do cotidiano da empresa. 

Apoie os colaboradores

Ajudar os profissionais em momentos de dificuldade denota solidariedade e comprometimento por parte dos gestores. Assim, oferecer apoio, incentivar as relações de amizade e promover trocas é muito salutar. Ao identificar um problema pessoal ou familiar, oriente o colaborador a procurar ajuda especializada ou abra espaço para ouvi-lo. 

Tenha um canal para dar e receber feedbacks

A melhor maneira para identificar quem está adoecendo mentalmente é estabelecendo uma relação de troca. Para tanto, é importante oferecer um canal para falar e ouvir. Mas a gestão de pessoas deve transmitir confiança para que o colaborador procure ajuda. 

Desse modo, invista na comunicação interna, tornando-a clara, transparente e acessível a todos. Estabeleça espaços, como fóruns ou endereços de e-mail, para que eles possam desabafar. 

Conte com a tecnologia a favor da saúde

O home office, implementado por grande parte das empresas durante a pandemia, impossibilitou o convívio. Mas a tecnologia é uma aliada para promover a interação entre os colaboradores e, principalmente, para detectar se algo não vai bem. 

Nesse sentido, basta migrar os cafés, happy hours e bate-papos para o ambiente virtual. É uma alternativa simples para diminuir a pressão e estabelecer trocas. Promova encontros uma vez por semana para ouvir suas equipes e permita que eles falem sobre suas experiências trabalhando de forma remota. 

Por fim, a dica mais valiosa de todas: não subestime a saúde mental de seus recursos humanos, nem negligencie essa responsabilidade. Afinal, são os colaboradores que fazem tudo acontecer. Eles desenvolvem soluções e tornam o crescimento do negócio algo possível. Saiba como fazer lendo o e-book O colaborador no centro: diferentes formas de conhecer e desenvolver seu time.

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