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Sustentabilidade_coleta Seletiva_reciclagem

BENEFÍCIOS DO PROJETO ECOCEMAR PARA A PRESERVAÇÃO DO MEIO AMBIENTE

Carlos Marcio Reis Silva¹
Rafael Lopes Ferreira ²

RESUMO

O ECOCEMAR foi criado em maio de 2011 pela Companhia Energética do Maranhão (CEMAR) e é um projeto que troca resíduos recicláveis por descontos na conta de energia, possui 12 postos de coleta. Ao reciclar os componentes na linha de produção, poupam-se matérias-primas e energia, ao mesmo tempo em que se atenua de forma significativa o grave problema da destinação do lixo. O objetivo do presente trabalho foi analisar os benefícios ambientais, energéticos e econômicos do citado projeto. As quantidades de matéria-prima e energia economizadas por cada tonelada de resíduo reciclado tiveram como referências os autores Calderoni (1998), BRASIL (2009) e Sottoriva (2011). Para os cálculos que serviram para analisar os benefícios ambientais e energéticos a metodologia utilizada foi a mesma citada por Calderoni (1998) e foram calculados a partir das 2.493,86 toneladas de papel, aço, alumínio e plástico, arrecadados pelo ECOCEMAR do inicio do projeto até agosto de 2013. Conclui-se que o ECOCEMAR gera benefícios ambientais, energéticos e econômicos, contribui para a preservação do meio ambiente e ainda oferece destinação de forma correta.

Palavras-chave: Preservação ambiental; Resíduos sólidos recicláveis; Benefícios ambientais e energéticos.

1 INTRODUÇÃO

Levando em conta o contexto em prol da preservação ambiental e do desenvolvimento sustentável, este trabalho visa analisar e expor como um projeto de coleta seletiva consegue inserir ganhos energéticos e atuar de forma direta com o desenvolvimento sustentável e preservação ambiental, além de possuir também um caráter educacional e social, pois ajuda na redução do valor pago pelos moradores que podem aproveitar esta diferença com outros gastos. Atualmente este projeto possui 12 postos de coleta, sendo 05 fixos e 07 móveis. A abordagem do tema sobre Coleta Seletiva e seus benefícios nos permite interpretar a essência de uma visão geral sobre todo o processo que é discutido na interface do Meio Ambiente, a analise do trabalho permite também oferecer alternativas evidenciando dessa forma o caráter socioambiental e a conscientização da população.

O ECOCEMAR refere-se a um projeto de reaproveitamento de resíduos para promover a redução do impacto ambiental provocada por estes e melhor eficiência energética. Isso é possível, pois proporciona a reciclagem de produtos, economizando no gasto de energia e de novas matérias-primas. De acordo com BRASIL (2010), a reciclagem é o processo de transformação que envolve a alteração das propriedades físicas, físico-químicas ou biológicas dos resíduos sólidos, visando à transformação destes em insumos ou novos produtos. Conforme dispõe a Lei nº. 9.991/2000 (BRASIL, 2000), que trata sobre a realização de investimentos em pesquisa e desenvolvimento e em eficiência energética por parte das empresas concessionárias, permissionárias e autorizadas do setor de energia elétrica, e dão outras providências, estas devem aplicar um percentual mínimo da sua Receita Operacional Líquida (ROL) em Programas de Eficiência Energética (PEE), sendo a aplicação dos recursos regulada e fiscalizada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL).
Segundo a CEMAR (2013), por meio dos PEE a empresa desenvolve todos os anos ações que promovem o uso coerente da energia em residências, prédios públicos e instituições de serviço público, com a finalidade de evitar o desperdício da energia elétrica e diminuir os impactos ambientais.
Ao reintroduzir componentes do lixo na linha de produção através da coleta seletiva e da reciclagem, poupam-se matérias-primas e energia, ao mesmo tempo em que se atenua de forma significativa o grave problema da destinação do lixo.
A reciclagem gera benefícios ambientais, energéticos, sociais e econômicos e auxilia na prática de um modelo de desenvolvimento sustentável, pois implica na redução da utilização de matérias-primas e aumenta a vida útil dos aterros sanitários. Contribui ainda na geração de empregos, conscientização da população sobre o tema ambiental, diminui a poluição e os prejuízos causados à saúde pública em decorrência da inadequada destinação dos resíduos em corpos hídricos e terrenos baldios.
Diante desta panorâmica foi adotado o projeto ECOCEMAR como objeto de estudo deste trabalho visando mostrar os benefícios advindos da reciclagem dos resíduos sólidos e sua contribuição na preservação ambiental.

2 POLITICA NACIONAL DE RESISUO SÓLIDO

Para Lino (2011), resíduos sólidos são os materiais resultantes das atividades humanas, considerados pelos geradores como inúteis, indesejáveis ou descartáveis.
Segundo Calderoni (1998), lixão é o local onde o lixo é depositado, sem qualquer proteção do solo nem outro cuidado sanitário como, por exemplo, a cobertura regular do lixo com terra. Lixões são locais onde o lixo é jogado, sem receber nenhum tipo de tratamento.
Para Lima (1991 apud CALDERONI, 1998) aterro sanitário: terreno onde os resíduos sólidos são dispostos no solo, particularmente o lixo domiciliar, com fundamento em critérios de engenharia e normas operacionais específicas, permitindo uma confinação segura em termos de controle da poluição ambiental e proteção do meio ambiente.
O aterro sanitário deverá ser localizado, projetado, instalado, operado e monitorado em conformidade com a legislação ambiental vigente e com as normas técnicas oficiais que regem essa matéria.

2.1 Destinação e disposição final dos resíduos sólidos

A destinação que inclui a reutilização, a reciclagem, a compostagem, a recuperação e o aproveitamento energético ou outras destinações admitidas pelos órgãos competentes do Sistema Nacional do Meio Ambiente (SISNAMA), do Sistema Nacional de Vigilância Sanitária (SNVS) e do Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agropecuária (SUASA), entre elas a disposição final, onde são observadas as normas operacionais específicas de modo a evitar danos ou riscos à saúde pública e à segurança e a minimizar os impactos ambientais adversos são as destinações ambientalmente adequadas segundo a PNRS (BRASIL, 2010).

Quanto à disposição final dos resíduos no Brasil:

A disposição final de resíduos sólidos ainda aparece como o principal problema a ser superado na transição de um sistema subdesenvolvido de gestão de resíduos para o modelo idealizado pela Política Nacional de Resíduos Sólidos – PNRS, que contempla medidas modernas e soluções integradas, que ainda são minoria em todo o país, uma vez que, grande parte dos municípios adota até hoje as práticas do início do século passado para destinar seus resíduos sólidos, ou seja, de forma inadequada, pondo em risco a natureza e o homem (ABRELPE, 2011, p. 122).

No Brasil das 177.995 toneladas de resíduos que são coletados diariamente, 58% (103.335) possuem destinação adequada – aterro sanitário e 42% (74.660) possuem destinação inadequada – lixões e aterro controlado, pois não são dotados do conjunto de sistemas necessários para a proteção do meio ambiente e da saúde publica (ABRELPE, 2011).
No Maranhão, 68% (2.677) dos resíduos coletados diariamente possuem destinação inadequada e 32% (1.234) vão para aterros sanitários. Em São Luís são coletados 1.075,2 toneladas de resíduos todos os dias (ABRELPE, 2011) e toda essa quantidade é destinada ao aterro sanitário da Ribeira.

2.2 Realidade da destinação dos resíduos em São Luis

Segundo a Constituição Federal de 1988, em seu art. 225 “todos tem direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado […]”, baseados na constituição foram criadas leis, regulamentos e procedimento para tratar a questão dos resíduos. A esfera Federal cabe à definição das normas gerais, a Estadual o licenciamento e/ou fiscalização e a Municipal responde pela coleta, transporte, tratamento e disposição final dos resíduos sólidos urbanos (FONSECA, 2011).
Em São Luis, as articulações e ações de limpeza urbana ficam sob a responsabilidade da SEMOSP, que tem como finalidade coordenar a elaboração e a implementação das políticas públicas de limpeza, bem como minimizar os impactos ambientais decorrentes da geração de resíduos sólidos.
Desde 1995 os resíduos coletados em São Luís são destinados ao aterro sanitário da Ribeira, que fica localizado no quadrante sudeste da ilha, entre o Igarapé do Sabino e o Distrito Industrial. Possui distância de 11,5 km do Km 0 da BR-135 e aproximadamente 6 km do Aeroporto Internacional Marechal Cunha Machado (SEMOSP, 2011). Na figura 2, observa-se a distância do aterro para o aeroporto, para a BR- 135 e para o distrito e ao lado vista área do aterro.

Figura 2 – Distâncias do aterro para o aeroporto e BR 316 e Vista aérea do local

(a) Distâncias do aterro para o aeroporto e para
a BR 316 (b) Vista área do aterro da Ribeira
Fonte: Google Earth (2013)

Quando se fala em geração de resíduos, um dos principais problemas relacionados é a desfiguração da paisagem, infiltração de chorume, com a consequência da poluição dos recursos hídricos, seja superficial ou subterrâneo, sem contar ainda com a emanação de gases e a proliferação de vetores, no caso específico do atual aterro sanitário da Ribeira (SEMOSP, 2011, p.22).
Apesar de em seu projeto inicial o local para onde são destinados os resíduos coletados na cidade de São Luis ser chamado de aterro sanitário o que se vê no aterro da Ribeira são características de lixão: lixo depositado a céu aberto, sem nenhum tipo de cobertura e o chorume – resultante da decomposição da matéria orgânica do resíduo – escorrendo sobre o terreno, podendo contaminar o solo e os lençóis freáticos próximos ao local. Como mostra a figura 3.
Figura 3 – Situação do Aterro Sanitário da Ribeira

(a) Vista externa do aterro
( b) Vista interna do aterro
Em meados de maio de 2014 o aterro da Ribeira encerrará suas atividades e será substituído por uma Central de Tratamento de Resíduos (CTR), segundo SEMOSP (2011) esta seguirá os princípios estabelecidos na legislação aplicável, e terá como objeto a prestação de serviço de beneficiamento, tratamento e destinação final dos resíduos sólidos com características domiciliares gerados na cidade de São Luis. A CTR contará com a implantação das seguintes estruturas de tratamento:
• Aterro Sanitário de Resíduos Sólidos Classe II A;
• Unidade de Triagem e Beneficiamento de Materiais Recicláveis;
• Unidade de Compostagem dos Resíduos Orgânicos;
• Unidade de Tratamento de Resíduos Sépticos;
• Unidade de Beneficiamento de Resíduos da Construção Civil;
• Unidade de Captação de Biogás com aproveitamento dos efluentes.

2.3 Coleta Seletiva e Reciclagem

Para Brasil (2010), o conceito de coleta seletiva é: coleta de resíduos sólidos previamente separados de acordo com sua constituição e composição.
A coleta seletiva é a segregação e coleta na fonte geradora, de matérias que podem ser reaproveitáveis, como por exemplo, plásticos, papéis, metais, vidros, ou os resíduos orgânicos.
No Brasil os primeiros programas de coleta seletiva e reciclagem dos resíduos sólidos começaram em meados da década de 1980, como alternativas inovadoras para a redução da geração dos resíduos sólidos domésticos e estímulos á reciclagem (IBGE; MP, 2010), “A coleta seletiva é apenas parte do processo da reciclagem” (CALDERONI, 1998, p.42). A primeira etapa do processo é a coleta do lixo, que quando é precedida de uma separação realizada na fonte geradora é chamada de coleta seletiva; A etapa seguinte é a triagem, depois os resíduos recicláveis vão para um processo de beneficiamento e acondicionamento, o próximo passo é o armazenamento para posterior distribuição às empresas recicladoras; E a última etapa é a que se verifica no próprio processo industrial, com o efetivo aproveitamento dos materiais para a produção de bens iguais aos iniciais ou transformados em outros produtos.
Segundo Campos et al. (2009 apud LUCENA NETO, 2010) uma forma de se amenizar os resíduos gerados pela sociedade é a reciclagem, que é o conjunto de atividade e processos cuja finalidade seja a separação, recuperação e transformação dos materiais recicláveis, tendo como fonte de matéria-prima os resíduos sólidos, de forma que eles possam ser reintroduzidos no ciclo produtivo.
Para Lucena Neto (2010) a reciclagem é uma alternativa viável para os resíduos sólidos, pois propicia a preservação dos recursos naturais, a economia de energia, a redução de área que demanda o aterro, gera empregos e renda, assim como conscientiza a população para as questões ambientais.
A produção a partir da reciclagem utiliza menos água, energia, matéria-prima, reduz os custos de controle ambiental e também a de disposição final de lixo, a produção a partir da reciclagem do lixo é mais econômica do que a partir de matérias-primas virgens (CALDERONI, 1998).

Os benefícios com a produção a partir de resíduos recicláveis são:

I) Economia no consumo de energia: requer um consumo de energia significativamente menor do que a produção a partir de matéria-prima virgem;
II) Controle ambiental: a produção a partir de matéria-prima virgem provoca um grau de poluição da água, do ar e do solo muito maior do que a produção a partir de materiais sucedâneos recicláveis;
III) Economia de matérias-primas, como petróleo, bauxita e minério de ferro devido ao fato de que estas já estão contidas nos materiais recicláveis e;
IV) Água: utilização de menos água do que a produção a partir de matéria-prima virgens.

2.4 Programas de Eficiência Energética (PEE)

A Lei nº 9.991/ 2000 – Dispõe sobre realização de investimentos em pesquisa e desenvolvimento e em eficiência energética por parte das empresas concessionárias, permissionárias e autorizadas do setor de energia elétrica – as empresas distribuidoras de energia elétrica devem investir 0,5 de sua ROL anual em PEE (BRASIL, 2000). A Lei 12.212/ 2010 alterou os incisos I e III do art. 1º da Lei nº 9.991 e prorrogou para 2015 a redução do percentual, de 0,5% para 0,25%, da ROL para eficiência energética.
Para Silva (2009) a ANEEL estabelece obrigações e encargos para as empresas concessionárias do serviço público de distribuição de energia elétrica a partir do contrato de concessão firmado entre estas. Uma dessas obrigações consiste em aplicar anualmente o montante, que atualmente é de 0,5 % de sua ROL, em ações que tenham por objetivo o combate ao desperdício de energia elétrica. Os PEE propiciam à sociedade conforto, segurança e economia no uso racional de energia elétrica. Em alguns estados brasileiros atendendo ao PEE da ANEEL, as empresas responsáveis pela distribuição de energia criaram projetos que trocam resíduos recicláveis por bônus na conta dos seus clientes. O programa é justificado pelo fato que a reciclagem gera economia de energia, já que não é necessário transformar a matéria-prima bruta (FREITAS, 2009).
“A reciclagem é claramente um processo de eficiência energética uma vez que a utilização das matérias primas recicláveis evita um consumo maior de energia para produzir o mesmo bem pelo processo tradicional” SILVA (2009, p. 49). A eficiência energética decorre da utilização menos intensiva da energia na cadeia produtiva e no processamento dos resíduos em nova matéria-prima. De acordo com Calderoni (1998) para cada tipo de material reciclado tem-se uma economia energética e de matéria-prima, essa economia ocorre porque os resíduos são reprocessados, evitando-se a retirada de matéria-prima da natureza, obtém-se um ganho energético efetivo que contribui com a preservação do meio ambiente, tanto por evitar maior exploração de jazidas como por evitar o depósito de resíduos em rios, lagos, aterros sanitários e etc.

Segundo Freitas (2009) a ideia nasceu em Cuiabá, em 2006, na distribuidora Centrais Elétricas Matogrossenses (CEMAT), com o projeto denominado Viva Luz, outros projetos semelhantes foram implantados em outros estados do país, tais como: Ceará – ECOELCE, implantado em 2007; Rio – ECOAMPLA, implantado em 2008; Pernambuco – ECOCELPE, implantado em 2008; e Rio – Light Recicla, implantado em 2011. De maneira geral os projetos são parecidos e baseados na troca de resíduos recicláveis por descontos na conta de energia.
No estado do Maranhão visando atender ao PEE da ANEEL a CEMAR, cria o ECOCEMAR (CEMAR, 2013).

2.5 Projeto ECOCEMAR

Foi criado em maio de 2011 pela CEMAR e consiste na troca de resíduos sólidos recicláveis por bônus na conta de energia, tem como objetivos: Contribuir na preservação do meio ambiente; Oferecer alternativas para o pagamento das faturas; e Implantar a cultura de coleta seletiva no Estado do Maranhão (Relatório de Sustentabilidade da CEMAR, 2011). O ECOCEMAR foi inspirado no projeto ECOELCE da COELCE, o qual será tratado mais adiante. O projeto até o dia 12 de Julho tinha 13.495 clientes – Unidades Consumidoras (UCs) cadastradas, destas 7.575 coletaram pelo menos uma vez. Em bônus já foram distribuídos mais de 163 mil reais.
O ECOCEMAR é o incentivo à população maranhense em adotar a coleta seletiva de lixo em suas residências, proporcionando, em contrapartida, uma alternativa para contribuir no pagamento da conta de energia com o uso dos resíduos coletados. Indiretamente, o projeto proporciona a geração de renda para a população, que poderá utilizar os recursos economizados para outros fins.
Atualmente o projeto possui 12 postos, sendo 5 fixos (Supermercado Mateus – Cohab, Jaracati Shopping – Jaracati, Ripel Reciclagem – Anil, Supermercado Maciel – Maiobão e CEMAR Sede – Altos do Calhau), 3 móveis semanais (Associação de Moradores da Cidade Operária – Cidade Operária, Igreja Nossa Senhora de Nazaré – Cohatrac e Centro Beneficente Nossa Senhora da Glória – Alemanha) e 4 móveis quinzenais (Igreja Nossa Senhora do Perpetua Socorro – Coroado, Associação Comunitária Itaqui-Bacanga – Anjo da Guarda, Igreja Batista Esperança e Vida – Residencial Pinheiros e Tribunal Regional do Trabalho – Areinha).
A Ripel Reciclagem, localizada no bairro do Anil, é a empresa parceira da CEMAR
na coleta, triagem e posterior envio dos resíduos para indústrias que fazem a reciclagem. As
etapas de coleta dos resíduos nos postos, prensagem e saída para outros estados dos materiais estão representados na figura 4.

Figura 4 – Container posto, coleta do Ecocemar

A Ripel recebe resíduos de outras empresas, além da CEMAR, geralmente papel e papelão. A empresa possui 50 funcionários, sendo que 06 ficam nos postos do ECOCEMAR. Os resíduos depois de triados e separados na Ripel seguem para os seguintes Estados:

• Plástico: Paraíba – empresa UNAPET (PET) e Piauí ( PAD);
• Metal: passam para sucateiros em São Luis e estes revendem para os Estados do: Pará-empresa Sinobras e Ceará – empresa Gerdau;
• Papel: Pará e Ceará – empresa INCOPY;
• Óleo: Sergipe – empresa Recigraxe;
• Tetra Pak: São Paulo – empresa Tetra Pak.

3 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Conclui-se que o ECOCEMAR gera benefícios ambientais, energéticos e econômicos, contribui para a preservação do meio ambiente e ainda oferece destinação de forma correta dos resíduos arrecadados. Com os resultados do projeto foram encontrados os seguintes benefícios: 31.313,26 árvores não foram cortadas, 41.561.236 litros de água não foram utilizados, 3.411,461 barris de petróleo foram economizados, 98,83 toneladas de minério de ferro não foram explorados, 29,88 ou 37,35 toneladas de bauxita foram poupados. Foram economizados mais de 10.735 MWh de energia, o que equivale ao consumo de mais de 115 mil famílias de baixa renda no Maranhão. Com a não compra de matéria foram economizados mais de R$ 700 mil reais e o mais importante 2.945,86 toneladas de resíduos deixaram de ir para o aterro da Ribeira ou de serem descartados em locais inadequados como terrenos baldios e corpos hídricos. Muitos têm noções dos problemas ambientais e de sua causa, porém a participação da população no projeto ainda é pequena.
O projeto ECOCEMAR foi criado para atender uma resolução da ANEEL e vem contribuindo com a gestão adequada dos resíduos recicláveis e com a conscientização da população quanto à coleta seletiva, todavia o projeto ainda precisa melhorar nos seguintes pontos: Maior divulgação; Parcerias com a prefeitura, escolas, recicladoras, associação de bairros, catadores, igrejas; Expansão do projeto para mais bairros e para outros municípios do Estado; Distribuição de brindes, alguma forma de incentivo para as pessoas que doam mais e tentar achar uma forma de trazer de volta clientes que abandonaram o projeto; Fazer mais ações especificas nos bairros, ter um caminhão itinerante que passasse nos bairros recolhendo o material reciclável de porta em porta.
Como já citado, das 1.400 toneladas de resíduos coletados em São Luis pela prefeitura, 36% são potencialmente recicláveis, se todo esse material tivesse como destino a reciclagem, aproximadamente 504 toneladas de resíduos estariam deixando de ir para o aterro sanitário da Ribeira todos os dias, quantas árvores estariam deixando de ser cortadas? Quantos barris de petróleo estariam sendo economizados? Quantas toneladas de minério de ferro estariam deixando de extrair das serras?
As prefeituras dos municípios deveriam despertar para a questão da reciclagem dos seus resíduos, devem investir em uma melhor gestão de resíduos, devem incentivar campanhas de coleta seletiva, oferecer oficinas de Educação Ambiental. Os órgãos ambientais devem fiscalizar com maior atenção as atividades potencialmente poluidoras e devem incentivar as indústrias de reciclagem, pois infelizmente ainda não temos nenhuma em nosso Estado.
Uma dificuldade no decorrer do trabalho, foi para achar os valores correspondentes à quantidade de matéria-prima economizada por cada tonelada de resíduo reciclado, pois entre aos autores existem muitas divergências e ainda são raros trabalhos científicos sobre o tema.
De forma geral, espera-se que este trabalho sirva para incentivar outras empresas e as prefeituras na aplicação da coleta seletiva e da reciclagem, mesmo antes de 2014, que é o prazo para as prefeituras implantarem a separação do lixo. Pois como mostrado no decorrer do trabalho, a reciclagem gera benefícios ambientais, econômicos e energéticos.

REFERÊNCIAS

ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas. Resíduos Sólidos – Classificação, NBR 10004. Rio de Janeiro. 2ª Ed. 2004.

ABRELPE – Associação brasileira de empresas de limpeza pública e resíduos especiais.

BRASIL. Agência Nacional de Energia Elétrica. Lei no 9.991, de 24 de Julho de 2000. Dispõe sobre realização de investimentos em pesquisa e desenvolvimento e em eficiência energética por parte das empresas concessionárias, permissionárias e autorizadas do setor de energia elétrica, e dá outras providências. Brasília, 2000.

BRASIL. GOV. Legislação Ambiental Brasileira. Disponível em: < http://www.brasil.gov.br/sobre/meio-ambiente/legislacao-e-orgaos >. Acesso em: 30 de julho de 2013.

BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. Política Nacional de Resíduos Sólidos. Lei nº 12.305, de 2 de agosto de 2010. Brasília, 2010.

BRASIL. Ministério de Minas e Energia- MME. Secretária de geologia, mineração e transformação mineral- SGM. Relatório Técnico 83: Reciclagem de Metais no País. Brasília: J. Medo, 2009.

CALDERONI, S. Os Bilhões Perdidos no Lixo. 2. ed. São Paulo: Humanitas, 1998, 344p.

CEMAR – Companhia Energética do Maranhão. Disponível em: . Acesso em: 01 de Agosto de 2013.

COELCE – Companhia Energética do Ceará. Disponível em: . Acesso em: 15 de Julho de 2013.

FONSECA, I.P. Problemática socioambiental decorrente da destinação inadequada de resíduos sólidos no lixão do povoado de Iguaíba em Paço do Lumiar. Monografia (Graduação em Geografia). Universidade Federal do Maranhão, São Luís, 2011. 61p.

IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Censo 2010. Disponível em: . Acesso em: 14 de julho de 2013.

IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística; MP – Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão. Pesquisa Nacional de Saneamento Básico 2008. Disponível em: . Acesso em: 14 de julho de 2013. 2010

LINO, H. F. C. A Indústria de Reciclagem e a Questão Ambiental. Tese (Doutorado em História Econômica). Universidade de São Paulo- USP. São Paulo, 2011.

LUCENA NETO, A. P. de. Aspectos socioeconômicos das atividades de coleta, prensagem e reciclagem de metal, plástico e papelão na cidade de Imperatriz- Maranhão.

SEMOSP – Secretaria Municipal de Obras e Serviços Públicos. Articulação da Política Nacional dos Resíduos Sólidos com o Plano de Gestão de Resíduos Sólidos do município de São Luís. São Luís: Prefeitura de São Luís, 2011, 93p.

SILVA, F. A. F. da. Posto de Troca de recicláveis por desconto em conta de energia elétrica, em comunidade de baixa renda. Dissertação de mestrado. Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, 2009.

SOTTORIVA, P. R. da S. Análise do ciclo de vida dos resíduos recicláveis e perigosos de origem domiciliar, REDES, Santa Cruz do Sul, v. 16, n. 3, 2011. Paraná.

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