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Talento e competência

Elisabeth Walter é Pós Graduada em Docência do Ensino Superior, Graduada em Gestão de Marketing, Técnica em Ciências Contábeis. Atua há mais de 15 anos em administração e marketing. Dedica-se à consultoria empresarial para pequenas e media empresas com o objetivo de melhorar a gestão, aumentar a lucratividade e eliminar custos financeiros desnecessários. Desenvolve metodologia própria de consultoria empresarial permitindo, com rapidez e eficácia, encontrar a melhor forma de resolver os problemas da empresa. Educadora, exerce docência andragógica na área administrativa em programas e projetos ligados a instituições privadas, a governos e ao terceiro setor no âmbito nacional e internacional. Especialista em mapeamento e acompanhamento de redes de conhecimento; elaboração de relatórios e tratamento de informações corporativas. Palestrante sobre temas relacionados a Empreendedorismo e Marketing.

Artigo de Opinião: TALENTO E COMPETÊNCIA.

Cada um de nós nasce com determinados talentos. Talentos revelam padrões de pensamento e comportamento, e estão contextualizados em muitas das habilidades humanas. Talento é algo advindo da persona; está. As competências individuais são qualidades legítimas formadas pelo conjunto de habilidades adquiridas pela livre escolha da utilização do talento de forma ordenada e com objetivo definido.
Para desenvolver competências, o possuidor desta faculdade tem de fazer uso deste dom e aprimorar técnicas para executá-lo transformando este dom na capacidade de desempenhar determinadas tarefas com nível de destreza diferenciado da média. A escolha da forma de uso dos talentos é que difere de pessoa para pessoa. Deixar-se levar passivamente, sem decisões de livre escolha – à vontade do talento – é consentimento submisso à emoção. Submissão qualquer parece ser boa escolha. A parceria emoção (reposta instintiva que temos quando passamos pelas diversas situações de vida), razão (raciocínio que conduz à indução ou dedução de algo) e mente (desenvolvimento intelectual, a faculdade intelectiva), se mostra uma melhor escolha. Acrescente à esta parceria a consciência holística (“tendência da natureza de usar a evolução criativa para formar um “todo” que é maior do que a soma das suas partes” – conceito criado por Jan Christiaan Smuts em 1926) e teremos menos chances de errar.
Muitos buscam saber como serem mais competentes na gestão, administração e realização de tarefas para chegarem ao êxito desejado em suas profissões. Para alcançar tais anseios vale lembrar que o ser humano não é ator de uma só cena no palco da vida. Aquele que deseja ter sucesso deve ter consciência de que somos resultado da interação de diferentes competências nos diferentes pontos de relação social que desenvolvemos durante toda a vida. No ambiente de trabalho – aquele que nos sustenta – para que ele perdure e tenha êxito, existe a necessidade constante do entendimento dos processos e melhoria deles, isto significa fazer sempre melhor o que nos comprometemos a fazer e, manter harmonia com os objetivos da instituição a que nos filiamos é fundamental (não é diferente – ou pelo menos não deveria ser – em nossa vida social e em nossos relacionamentos afetivos).
Revirando a História da Administração e a evolução de idéias durante o passar dos anos, podemos atestar até que ponto esta máxima pode ser verdadeira. O advento da moderna administração trouxe rápidas e profundas mudanças econômicas, sociais e políticas para o mundo e surgiu em resposta às duas conseqüências provocadas pela Revolução Industrial como o crescimento acelerado e desorganizado das empresas que passaram a exigir uma administração cientifica capaz de substituir o empirismo e a improvisação e, a necessidade de maior eficiência e produtividade para fazer face à intensa concorrência e competição no mercado. Reconhece-se hoje que as propostas pioneiras dos primeiros pensadores da administração científica deflagraram a era da racionalização. Administrar passou a ter uma definição pontuada: planejar, organizar, dirigir e controlar. Essas cinco funções essenciais da gerencia administrativa considera a empresa como sistema fechado enquanto outra corrente filosófica enxerga a empresa visando a organização das tarefas. Dessas primeiras teorias administrativas saltamos para a Teoria das Relações Humanas, depois para a do Comportamento Organizacional, em seguida as teorias com ênfase nas pessoas e muitas outras que, no decorrer de séculos, ora se complementam, ora se contradizem, outras vezes se anulam, outras se evidenciam.
Por mais que estejamos convictos de uma suposta verdade, teremos de caminhar muito para a compreensão integral – que na essência é sempre parcial. Quase todos os conceitos que regem a vida necessitam revisão, adequação e melhora. A escala do conhecimento é longa e o que se conhece hoje é um ínfimo ponto deste caminho. A conclusão que se pode chegar é que cada época está marcada pelo que se deve manter e o que se deve descartar. O que podemos classificar como qualidade num tempo pode ser considerado um incapacidade em outro. Esse tempo, nosso tempo, o tempo de agora, está marcado pela tecnologia – o que podemos considerar como uma qualidade. O que contraria é a indiferença, o fascínio que domina a persona do homem. Ainda assim, esta dicotomia talento e competência, qualidade e defeito, moral e amoral é cenário de onde saem os gênios que, de repente se descobrem sozinhos e vislumbram horizontes que a multidão não verá senão depois deles. Vale lembrar as atividades movem esforços de muitos, isto prova a elevação intelectual de cada época.

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