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Tecnologia da Informação: Fantasia x Realidade

Tecnologia
da Informação: Fantasia x Realidade

A
informação é a bola da vez. Ativo de importância permanentemente crescente, similar
à do capital. Sobretudo no mundo dos negócios, onde os processos de tomada de
decisão, suportados pela informação, tornam-se cada vez mais críticos. Hoje
se afirma: informação é dinheiro em movimento.
Como conseqüência, no mundo empresarial a atividade de Tecnologia da Informação
– TI passou a exercer um papel mais estratégico. Mudou da posição de mero
redutor de custos para investimento gerador de receitas.

A
indústria de TI vem sofrendo uma violenta transformação, criando ciclos de
mudanças cada vez mais freqüentes e proporcionando aos seus usuários maior
facilidade de aquisição e acesso aos recursos da Informática. Estamos vivendo
hoje a 5ª geração (daí o nome “Pentium”) de TI, onde equipamentos
portáteis possuem capacidades de processamento, armazenamento e comunicação
superiores a de mainframes de 20 anos atrás e com custos proporcionalmente cada
vez menores .

Entretanto,
essa violenta evolução dos recursos tecnológicos (equipamentos, softwares,
bancos de dados, redes de comunicação de dados) não foi acompanhada na mesma
proporção pela evolução dos recursos organizacionais (missão, estrutura,
escopo de atuação, pessoal, equipe de trabalho, treinamento, relacionamento
com usuários). Baseado numa experiência acumulada ao longo de mais de três décadas
em dezenas de projetos de consultoria, concluí que em distintas empresas de
diferentes portes e ramos de negócios, utilizando diferentes soluções tecnológicas,
as causas dos problemas com TI têm como origem central os aspectos
organizacionais, em especial o ser humano: técnico, usuário ou gestor.

Significa
dizer, por outro lado, que o sucesso da aplicação da TI nas empresas depende
essencialmente dos recursos organizacionais e não dos tecnológicos, como
muitos ainda acreditam.

A
constatação de que a solução dos problemas com TI está no homem e não na máquina –
o Paradoxo da Produtividade de Robert Solow – gerou por um lado um enorme
desperdício de dinheiro, sobretudo em empresas da chamada Velha Economia. Mas,
por outro lado, resultou num aumento da consciência dos seus executivos para a
necessidade de alinhamento estratégico da TI com o negócio, ou melhor com a
necessidade do cliente final. Um fenômeno semelhante ocorreu na Nova Economia
provocando o desaparecimento de centenas de empresas de alta tecnologia em todo
o mundo, onde as sobreviventes foram obrigadas a fazer cortes dolorosos e
reformular seus planos e estratégias de negócios para se adaptar as mudanças
exigidas pelo mercado consumidor.

A
conclusão a que se chegou é que as decisões de investimentos em TI pelas
empresas são muito mais uma questão de fé do que de análise técnica do
retorno financeiro desejado, já que os benefícios resultantes são, em sua
grande maioria, intangíveis e qualitativos e portanto, de difícil, embora não
impossível, mensuração.

Como
conseqüência, os profissionais de TI passaram a ter um perfil mais voltado
para a satisfação das necessidades dos clientes (externos e internos), para a
produtividade das pessoas e para os resultados da empresa, reduzindo a ênfase e
a preocupação com a tecnologia em si, cujo equacionamento está cada vez mais
com os fornecedores de soluções e serviços.  

Os
maiores fornecedores mundiais de TI, sejam de hardware ou de software, estão
atualmente focados em soluções e serviços, cada vez mais especializados,
segmentados, integrados e orientados ao negócio, quase que “sob
medida” para as necessidades específicas de cada cliente. Esse
re-direcionamento de foco fez com que o poder saísse das mãos dos fabricantes
vendedores para as mãos dos clientes compradores. Esperamos assim que muito em
breve as empresas poderão utilizar os serviços de TI da mesma forma como serviços
públicos como água ou eletricidade, ou seja, sem a preocupação com a
infra-estrutura tecnológica que está por trás. Uma evolução que permitirá,
finalmente, aos seus usuários a tão desejada concentração no seu próprio
negócio (“core business”).

A
onda tecnológica que estamos vivendo agora – e que passa obviamente pela
Internet – vai tentar conectar pessoas e máquinas via WEB com plataformas para
criação e utilização de aplicativos, processos e sites visando serviços
personalizados, integrados e compartilhados para oferecer as soluções que as
pessoas e as empresas necessitam.

Como
conseqüência, ficaremos novamente perplexos querendo acreditar que dessa vez a
fantasia tecnológica solucionará finalmente os problemas que a dura realidade
dos negócios nos impõe. Será que vai dar certo?  

A
reflexão sobre esse tipo de indagação deve passar pela afirmação de um dos
maiores estudiosos e pensadores da área de Gestão Empresarial de Negócios –
Peter Drucker – quando nos alerta dizendo: “Há boas razões para que
os administradores de empresas aprendam logo o que um computador pode ou não
fazer por eles”.

Luiz Guylherme Dias, 
Consultor do do MVC – Instituto MVC

www.institutomvc.com.br

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