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Ética e perfil pessoal nas atribuições profissionais do gestor de RH.

Ética e perfil pessoal nas atribuições profissionais do gestor de RH.
Prof. Chafic Jbeili

É bem simplório pensar que o gestor de RH é aquele chefe que detém o poder de admitir ou dispensar colaboradores conforme seu estado de humor, talvez este seja o estereótipo formado ao longo dos anos com base em más experiências de insatisfeitos ex-funcionários, porém o exercício da atividade não é tão simples quanto parece na percepção de muitos.

A função do gestor de RH é de essencial importância para a produtividade e longevidade das empresas no mercado globalizado. O executivo de RH seleciona pessoas no mercado conforme o perfil desejado pela empresa, em seguida realiza palestras e treinamentos para que os novos funcionários exerçam suas atribuições com eficiência e eficácia; na sequência estimula seus colaboradores a desenvolverem competências e, para reter os talentos descobertos e desenvolvidos, cria mecanismos internos de gratificação, recompensas, QVT, plano de carreira, entre outros para que continuem felizes e produtivos na empresa.

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Somente em último caso, quando o colaborador não responde a todo este investimento ou comete falhas graves, ou a empresa passa por ajustes estruturais ou econômicos é que o executivo dispensa o colaborador.

Desta forma, o gestor de Recursos Humanos não se resume naquela pessoa que contrata e demite pessoas com base em questionários prontos atrelados ao seu estado de espírito ou temperamento, e apesar de alguns poucos (indi)gestores agirem desta forma, antes, a função é de vital importância institucional e corporativa. O que irá diferir um bom de um mau gestor de RH é a conjunção aplicada entre sua formação pessoal, capacitação profissional e investimentos próprios em formação continuada.

Em primeiro lugar, em relação à formação pessoal, ao gestor de RH é desejável que seja pessoa com princípios éticos familiares sólidos, sabedor praticante do que é certo, legal, moral e adequado; deve ter boa educação, com bons modos, discreto, cortez e gentil até para dizer “não” e, inclusive, na hora de dispensar alguém. Aquilo que não se pode convencer com argumentos fundamentados em fatos e estatísticas, dificilmente será efetivado pela força do grito ou do murro na mesa. A grosseria e a falta de urbanidade não são úteis ao gestor de RH.

Em segundo lugar, em relação à formação profissional, esse profissional precisa desenvolver-se continuamente mantendo sempre perfil ético e competente a partir do ambiente acadêmico, perpassando pelos primeiros estágios e durante todas as fases da sua carreira, até a última de suas ascensões. Neste quesito, ética, maturidade, bom senso, equilíbrio emocional, pudor humano e ótima habilidade para entender e lidar com “recursos humanos” devem se harmonizar com conhecimentos técnicos específicos, conseguindo traduzir e expressar a junção desses atributos por meio de sua compostura e atitudes.

Enfim, o bom gestor de RH será aquele que foi agraciado com boa formação pessoal, se põe como principal responsável pela sua capacitação técnica continuada, buscando aprofundar cada vez mais o diálogo intelectual entre as disciplinas da filosofia, da antropologia, da sociologia, da psicologia, da psicanálise, entre outras, recusando-se a limitar seus conhecimentos, ações e técnicas às teorias da administração apenas. Não aceita aplicar por aplicar questionários prontos sem pensá-los, antes, usa-os com diligência e a propriedade de quem se preocupou em entender primeiro de gente para depois poder lidar com elas e avaliá-las como convém.

A partir deste ponto, passados dez anos praticando a profissão, estudando sistemática e continuamente sobre assuntos do tipo: Teorias de Taylor, Fayol e Mayo; Teorias sobre desenvolvimento organizacional; Os sete pilares da autoestima (Brandem); Os três pilares da motivação (Guimarães); As quatro fontes do comportamento (Jbeili); O determinismo psíquico (Freud); As necessidades humanas (Maslow); As oito dimensões da qualidade de vida (Walton); Mentes Assassinas (Roland), entre outras inúmeras obras; lendo e escrevendo sobre temas universais e transversais ao RH; participando de palestras, congressos, seminários e especializações diversas; então, depois disso, se o gestor de Recursos Humanos acertar metade de suas avaliações e decisões no exercício do cargo poderá estar certo de que é realmente um bom profissional de RH.

* Prof. Chafic Jbeili é teólogo com habilitação em filosofia, psicanalista, psicopedagogo, doutor honoris causa em psicanálise, professor de pós-graduação atua há 12 anos com treinamentos, palestras, seminários e aulas com temas em recursos humanos, qualidade de vida, clima organizacional, motivação, entre outros. É diretor da UNICEAD e ministra cursos online para gestores de RH, professores, psicólogos, psicopedagogos, educadores e executivos.

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