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Ética e Responsabilidade Social

No século mais competitivo de todos os tempos, a falta de Ética pode fazer com que haja um verdadeiro colapso. É inimaginável um mundo sem Ética, onde normas, condutas, regras e moral seriam simplesmente deixados de lado. Seria o tempo do “cada um faz o que quer”. Você gostaria que fosse assim? […] Um mundo corporativo forte, ético e responsável. Profissionais qualificados, éticos e responsáveis!

Assim começou a descrição da disciplina. Um mundo ético? Profissionais qualificados sim, éticos, nem tanto! Quero que seja assim? Claro que não. Mas o que vemos, ouvimos e SOFREMOS, nos inspira o contrário.

Vou contar-lhes uma história: Trabalho como assessor concursado de secretário público municipal e construo uma relação de apoio aos gestores daquela cidade, dentro da minha área de competência: Educação. Também acumulando como Vice-presidente de órgão consultivo local. Assim sendo, tenho uma ´autoridade´ ou um poder legítimo exercido a partir da posição ou cargo que ocupo. Lá, as pessoas em geral, não são tão dedicadas e possuem certa iniciativa a depender da pessoa que estiver como secretário, como por exemplo, em três anos, tive três secretárias de educação.

Existe uma forte influência política envolvida neste processo, então com um ´empowerment´ muito baixo, jogando a motivação, competências e a confiança mútua a escanteio. Uma piramide de Maslow invertida. Um cargo de confiança que não lembra em nada uma liderança. Ela exerce apenas uma direção. Até porque uma liderança política é coisa séria, nem todos têm o perfil e o sangue frio suficientes. Os fatores chamados ´higiênicos´ de Herzberg não são muito observados. A liderança fica mais a cargo do poder ´posicional´ do que do ´interpessoal´ e a comunicação é negligenciada ou pouco utilizada como fator preponderante do sucesso dos planejamentos. Existe um ´laissez-faire´ e uma ´autocracia´ muito grande. Resumindo, 3/4 do meu trabalho vão embora. É claro que se não fosse concurso já teria ido embora, o que já penso desde já.

Sabemos que quando a administração central é o problema, a assessoria ou consultoria nada pode fazer efetivamente, a não ser cumprir o seu papel a que veio. E é isso que faço:

Primeiro, ´o esforço sistemático de geração de informações sobre a execução das atividades´ foi posto em prática através de um Plano de Trabalho e Ação – PTA, baseado em um relatório prévio revelando os pontos fortes e fracos das ações da secretaria, de forma a ´monitorar, mensurar e avaliar, subsidiando a correção dos desvios´ encontrados. Depois, criamos (eu e uma única colega assessora) um Projeto de Desenvolvimento Organizacional baseado em Lawrence e Lorsch, para modificar procedimentos anteriores através de planos de ação curtos – uma tentativa de implantação de projeto interventivo (macro-orientado) ou um controle estatístico de processos, semelhante ao trabalho de Shewhart – para acompanhar os processos e definir metas, padrões e a partir daí agir, orientar e até antecipar decisões, buscando a efetividade das atividades, numa visão de médio e curto prazo – em nível intermediário e operacional.

Pergunta: deu certo? Não. E foi entregue às duas últimas secretárias. Várias tentativas foram feitas para o plano sair do papel, até agora.

Se nos referirmos – hipoteticamente – à Ética como um instinto individualista – dos princípios que motivam, disciplinam e orientam (Thirry-Cherques), definida como uma moral que teria valor o que fosse bom, belo e verdadeiro (segundo Platão), então Hobbes tinha razão quando disse que o valor de um homem é o preço que se paga para ter o poder, pois se o corruptor acha bom-belo-verdadeiro (estado feliz em Aristóteles – um altruísmo parcial) para ele a conduta do desvio, o seu preço é alto! E nós pagamos esse preço por essa violação de conduta (assim definida pela maioria).

A exemplo das campanhas contra a fome, etc, defendidas socialmente, que vão de encontro a idéia do pacto social do conceito de Estado, garantidor das necessidades básicas do povo – nossa Constituição – A Declaração Universal dos Direitos Humanos, que a todo momento é violada e nada de concreto acontece para mudar esse quadro: a corrupção permanece e o Status Social os alimenta. “Se queres conhecer o caráter de um homem, dê-lhes poder”(Abraham H. Maslow). E o poder do Estado é bem grande. Enfim, se o mercado de trabalho comporta estes meios, isto se torna legal. Trata-se aí de uma ética Kantiana, Socrática, que não se pode mais seguir, uma veracidade como dever absoluto? não. Assim, como foi dito no filme Jerry Maguire, vivemos em um mundo cínico, reconhecido por Peter Druker, o Pai da Administração moderna. Então, a convicção das pessoas está sendo violentada e suas responsabilidades afetadas por uma Ética equivocada.

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Por Marcos Veloso de Albuquerque
Assessor Psicopedagógico em Prefeitura no estado da Bahia; MBA em GP; Professor e Bacharelando em ADM.

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