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Ética Empresaria Na Tomada De Decisão

INTRODUÇÃO

O objetivo deste trabalho visa o estudo sobre ética, suas origens,

fundamentos, código de ética e a contribuição para o âmbito profissional e

organizacional inserido na tomada de decisão. O primeiro tópico do artigo está

relacionado à questão ética, suas origens e fundamentação teórica embasados em

autores que fazem parte da história ética.

Devido à competitividade atual, muitos estão em busca da realização pessoal

e profissional. Para isso, é necessário ter um diferencial que se destaque em meio

aos outros, um dos possíveis diferenciais é a ética, envolvendo tanto o contexto

comportamental quanto o profissional organizacional.

No próximo tópico, traz argumentações sobre a evolução e onde tudo

começou no ambiente organizacional, envolvendo ética empresarial. Logo,

empresários e gestores têm o desafio de alcançar vantagens sustentáveis sobre

seus concorrentes, fazendo com que a empresa como um todo faça parte desse

Para que isso seja bem sucedido, é importante levar em consideração a

tomada de decisão, visando ações e atitudes que possam fazer a diferença e

contínuas melhorias no ambiente interno, podendo refletir a imagem positiva da

Existe, hoje, uma intensa relação de troca no relacionamento entre as

empresas e a sociedade em que estão inseridas. Códigos de

conduta, regulamentos, responsabilidade social, políticas, contratos e

liderança são exemplos de como as empresas podem desenvolver

sua ética no contato com a sociedade. (ALENCASTRO, 2012, p. 61)

Visando à melhoria contínua do relacionamento entre empresa, funcionário e

sociedade, são bem vistas as razões para ser criado o código de ética dentro de

uma gestão envolvendo toda organização, razões essas que estão presentes no

Deve-se colocar em prática uma gestão que beneficia não somente uma parte

da empresa, mas que todos possam ser beneficiados de alguma forma. Líderes,

empresários e gestores têm a responsabilidade de passar isso ao colaborador,

mostrando e passando conhecimento a partir do exemplo, assim evitando futuros

A empresa tem como alvo de sobrevivência no mercado o lucro, porém,

aquilo que vai impulsionar realmente a sua conquista, é o modo de como fazer,

ações que irão de fato mexer com a estrutura organizacional com suporte ético,

seguido com o respeito de seus valores morais.

1. ÉTICA: conceito e correntes fundamentais

A palavra ética possui origem do grego ethos (maneira habitual de agir).

Muitos sociólogos, psicólogos, biólogos, entre outros profissionais, vêm fazendo

estudos sobre ética. Isso mostra que a mesma pode ser considerada uma ciência a

ser estudada, pois não é algo exato, e sim muitas vezes entendida pela construção

de crenças e valores do ser humano.

O estudo da Ética busca extrair conhecimentos a respeito do comportamento

humano, entender as regras morais de forma mais clara, fazer uma reflexão

fundamentada e teórica sobre a moral. Tem como objetivo analisar as regras do

cotidiano, explicar e entender o que é bom ou mau, moral ou imoral. O estudo da

ética vai muito além do que uma simples descrição teórica, mas se torna completo

ao inserir experiências verídicas do dia-a-dia, ações e comportamentos humanos,

esse também chamado de moral.

A palavra moral vem do latim mores (costumes adquiridos por hábitos diários),

referindo-se às atitudes obtidas e/ ou que ainda vão ser conquistadas. Percebe-se

assim que a ética está voltada a consciência, à estar ciente dos nossos atos, ficando

claro que moral e ética estão interligados dentro das decisões que indivíduos

No âmbito acadêmico, ética e moral tem diferentes significados. A ética é

entendida como estudos fundamentais dos valores morais, do comportamento

humano na sociedade, enquanto a moral refere-se aos costumes, regras e crenças

Ética é permanente, moral é temporal;

Ética é universal, moral é cultural;

Ética é regra, moral é conduta da regra;

Ética é teoria, moral é prática. (COC, 2012, p.24)

Assim, a ética e a moral estão correlacionadas uma com a outra, trazendo

valores morais e princípios que orientam o homem na sociedade. A moral está ligada

ao cotidiano humano em cada momento das situações da vida humana, enquanto a

ética busca os princípios do homem inserido na sociedade, princípios que

possibilitam uma boa convivência com os demais indivíduos. Enquanto disciplina, a

ética tem se tornado um assunto rico e complexo que envolve a moral e as virtudes

para a definição da boa conduta e que indica que esta deve-se mostrar nas boas

atitudes e ações corretas. Algumas correntes éticas fundamentais no âmbito da

investigação filosófica foram muito importantes para as reflexões mais atuais a

1.2 – As correntes filosóficas fundamentais da ética

Sócrates (469 a.C- 399 a.C) foi o primeiro grande filósofo pensador da ética e

se fez de grande importância para filosofia devido à sua forma inovadora de

investigação dos costumes. Levava seus alunos a uma profunda reflexão sobre a

vida, a virtude e o encontro com seus ideais. Nele, a ética era vista como

conhecimento da vida virtuosa. Seu principal objetivo era que os seres humanos

tivessem a consciência de como cuidar da alma deixando de lado bens materiais e

focando-se no conhecimento do bem absoluto.

Ocorre que muitos moradores de Atenas da Grécia Antiga, local onde

Sócrates se encontrava, não gostaram de sua filosofia. Ele foi condenado pela

sociedade injustamente, por falsas acusações, à pena de morte. Nessa situação,

Sócrates recebeu possibilidades de fugir da prisão, porém, sua conduta ética e seus

valores morais insistiram em não devolver o mal com o mal, e ele seguiu cumprido a

pena mesmo sendo inocente. Portanto, ainda diante da morte, Sócrates reforçou

suas ideias de que se deve viver uma vida virtuosa, levando em conta o equilíbrio e

a moderação para o conhecimento do justo e não se apegando a coisas materiais

O principal discípulo de Sócrates, o filósofo e matemático grego Platão (427 a.

C – 347 a.C), e Aristóteles (384 a. C. – 322 a. C.), discípulo de Platão, também

ofereceram grandes contribuições para pensamentos a respeito da ética.

Platão criou o conceito de que existe um mundo ideal que é fonte do homem

que possui caráter e é virtuoso. Cada pessoa deveria agir com inteligência,

alinhando seus valores com esse mundo ideal para ter comportamentos éticos. Ele

ainda reafirma as ideias socráticas no que diz respeito às ações injustas que não

trazem felicidade e que por isso as pessoas devem buscar o bem ao invés do prazer

com o mal alheio (CÉSAR, 2010).

Aristóteles, por sua vez, indicou que a ética é a ciência da prática do bem.

Indicou uma Ética da Virtude, que em meio aos objetivos cada um deve focar na

finalidade principal: agir bem enquanto ser humano, ser racional. Pois, ao fazer algo

de modo virtuoso é que se é beneficiado na alma, levando à real felicidade.

Aristóteles afirma que ser ético é ser virtuoso, ter caráter. Para ser virtuoso, é

necessário ter controle das emoções e executar a reflexão antes das ações. Para

ele, não somente com a teoria é possível tomar conhecimento da virtuosidade, mas

com hábitos frequentes do dia-a-dia. Deve-se desenvolver dia após dia a virtude de

cada um, já que a virtuosidade moral não pode ser totalmente entendida pela teoria

e sim por experiências, transformando-as em qualidades que nos ajudam a viver

bem, a viver em plena felicidade. Assim, o viver para Aristóteles envolve o equilíbrio

entre escolhas e ações versus relacionamentos em meio às pessoas e as situações

Prosseguindo um salto histórico, voltando a atenção para a importância da

Ética Deontológica que veio a surgir, no período do Iluminismo moderno, com o

filósofo Immanuel Kant (1724 -1804). Ele indicou em sua teoria que o ato moral é o

cumprimento do dever, que atitudes individuais devem ser praticadas ou evitadas

levando em conta somente as intenções, e não as consequências. Kant considera

que é preciso avaliar na moral somente o motivo que a pessoa teve para praticar

essa ação. De acordo com a ética deontológica, deve-se priorizar o cumprimento do

nosso dever, partir da boa intenção do ato, não levando em consideração o fazer de

um bem maior a todos, mas sim cumprir os deveres dados pela razão. “Propõe que

o conceito ético seja extraído do fato de que cada um deve se comportar de acordo

com princípios universais”. (COC, 2012, p. 18).

A ética da responsabilidade, de Max Weber (1864-1920), contrariamente à de

Kant, aponta que toda e qualquer ação tem seu ponto ético e antiético. Weber

indicou a importância de analisar e verificar quais as consequências decorrentes da

ação. Assim, “a ética da responsabilidade é conseqüencialista. Ela considera ética a

ação que traz benefícios para um número maior de pessoas.” (ANTUNES, 2012,

p.74). A ética da responsabilidade tem como foco principal a realização dos

resultados, na verificação dos riscos, mantendo o equilíbrio entre uma postura formal

e ao mesmo tempo, manter a importância quanto a solidariedade.

Nos anos de 1970, os professores da Universidade de Frankfurt, Karl-Otto e

Jurgen Habertmas continuaram a tradição da ética kantiana, porém, seguindo alguns

critérios diferentes, construíram a Ética Dialógica. Levando em consideração um

diálogo levado a sério, envolvendo todos que de alguma forma estão sendo afetados

pelas leis e normas, mostraram a importância de seguir tais leis desde que as

mesmas partam do acordo e beneficiem a todos. Portanto, a Ética Dialógica tem em

si uma definição da importância de dialogar no momento de decisão das regras

Num plano mais contemporâneo, uma contribuição bastante importante é a de

Hannah Arendt (1906 – 1975), uma filósofa alemã que propõe a existência de uma

ética contra a banalidade do mal. Para ela, embora o mal não seja comum, ele está

ocupando o espaço do que é comum. Ela acusa que hábitos ruins vividos pelo dia a

dia estão tornando o mal normal, pois as pessoas vivenciam o mal como se ele

fosse normal. É preciso lutar contra isso através da reflexão dos costumes.

As reflexões filosóficas da moral nos mostram que a ética está envolvida

completamente na relação do homem com a sociedade e que ela se faz necessária

para aprimorar a convivência dos seres humanos, com o objetivo de incluir normas

que adaptam e respeitam cada ser em particular.

2.1 – A reflexão ética no nosso dia-a-dia

É na convivência e desenvolvimento dos valores adquiridos no decorrer da

vida do ser humano que se faz a construção da ética, mas tal deve decorrer de uma

análise e definição profunda da conduta de vida correta que o indivíduo deve seguir.

A convivência com os outros indivíduos faz com que a pessoa

estabeleça juízos de valor sobre o seu modo de ser e também em

relação às atitudes dos seus companheiros. Trata-se da sua

dimensão ética. (ALENCASTRO, 2012, p,28).

O comportamento ético se constrói no dia a dia, na reflexão das pessoas

sobre a forma como agem, sobre seu comportamento, sua conduta humana e sua

postura no meio social mediante as escolhas, boas ou más, que possam afetar aos

terceiros. O dilema da ética sempre surge quando há necessidade de realizar difíceis

escolhas e princípios desagradáveis que interferem na moral.

A ética está presente praticamente em todos os assuntos referentes à

atividade humana, seja elas em decisões entre bem e o mal, certo e errado,

permitido e proibido, enfim, tudo que venha a ser pertinente ao comportamento

humano e suas ações. Segundo Alencastro (2012, p.33), “o interesse maior da ética

é compreender como se dá a formação dos hábitos, dos costumes e até mesmo das

regras e leis que regem uma determinada sociedade.”

É preciso estar atento às relações humanas, pois a partir do nosso cotidiano,

hábitos do dia a dia podem surgir à possibilidade de comprometê-la. Interrompendo

a comunicação, o olhar a escuta e o respeito pelo outro e refletindo isso na

desigualdade social, deixamos expostos o desequilíbrio de valores éticos na

convivência e compromisso da própria espécie humana. “A ética é a teoria ou

ciência do comportamento moral dos homens em sociedade. Ou seja, é a ciência de

uma forma específica de comportamento humano”. (VÁZQUEZ, 2006, p.23).

A reflexão ética nos lembra que para que tenhamos um ambiente ético e

harmônico, a responsabilidade está presente em cada um, que é preciso assim

fazermos próprias mudanças que cobramos aos outros, sermos a mudança.

2.2 – Como evoluiu o conceito de ética nas empresas e negócios

A reflexão da moral no âmbito profissional influencia no modo de lidar e agir,

no comportamento e convivência. Deve ser aplicada diariamente nas atividades de

trabalho e nas relações com os demais que ali frequentam, visando também a

No que tange ao mundo dos negócios, a ética começou a ser debatida na

década de 60, mais especificamente nos países de origem alemã, através das lutas

dos trabalhadores para participarem dos conselhos de administração das

organizações. Até então, não havia a ideia do trabalhador como colaborador.

Entre as décadas de 60 e 70 é que surgiu o novo conceito de ética

empresarial, indicando a aplicação dos conceitos da ética filosófica à real situação

dos negócios. A ética empresarial começou a ser inserida inicialmente nos Estados

Unidos, sobretudo a partir de conflitos entre padrões éticos. Esse acontecimento

incentivou a criação de códigos de ética corporativos, sua inserção como disciplina

nas faculdades e uma primeira pesquisa junto a empresários.

Nas décadas de 80 e 90, o forte impulso no ensino das faculdades de

administração de negócios e MBA dos EUA disseminou-se para o mundo, resultando

na primeira revista científica focada no assunto. Muitas faculdades para além das

norte-americanas inseriram a ética empresarial na grade curricular de seus cursos.

Com toda a expansão e grandiosidade do termo ética, é possível perceber

quão grande é sua importância no mundo dos negócios. Através dela, há o

diferencial no âmbito da concorrência, principalmente nos dias atuais, com a

competitividade acirrada das organizações. A ética nas organizações está se

tornando necessidade no mundo atual, devido à competitividade no mercado.

A empresa ética é aquela que cumpre com seus compromissos e age

de forma honesta com todos os que mantêm relacionamentos com

ela, sendo que esses compromissos refletem expectativas éticas da

sociedade como um todo. (ALENCASTRO, 2012, p,63).

Atualmente, a maioria das empresas estão tomando conhecimento do que

realmente significa a ética dentro das organizações, melhorando continuamente o

desenvolvimento da mesma e mostrando que uma empresa que possui parâmetros

éticos tem todo condicionamento propício para uma crescente trajetória no mercado.

Mas as abordagens da ética empresarial vão além, envolvendo não só o âmbito

competitivo, mas também de relacionamento interno, ou seja, entre funcionário e

2.3 – Âmbitos de atuação da Ética Empresarial

É preciso perceber três modos de equilíbrio inter-relacionados de abordagem

ética no âmbito das empresas, tal como mostra na figura a seguir:

Figura 1: três modos inter-relacionados de abordagem da ética no âmbito das empresas.

Estas três abordagens mostram que deve haver um equilíbrio entre os

extremos da teoria, entendimento e prática da ética. Ou seja, é preciso não apenas

falar sobre o assunto, mas ter o embasamento teórico e colocá-lo em prática de

forma correta. Salienta que isso somente será possível através do desempenho da

empresa em um todo. É muito importante a empresa levar a sério o verdadeiro valor

e significado de ética, pois assim surgem os princípios que geram a aceitação ou até

mesmo a rejeição por parte da sociedade ali habitada.

Pode-se considerar que muitos programas voltados à ética empresarial

tornaram-se um investimento rentável. Implantar um sistema de qualidade visando a

satisfação e fidelização do cliente é um bom exemplo: reforça a credibilidade e

estimula melhorias, tanto para empresa e seus funcionários, quanto para a própria

Quando uma empresa se dispõe a focar na ética, a seguir suas normas e

regras notam-se uma diferença principalmente no clima organizacional,

transformando e motivando cada colaborador. Isso mostra que é extremamente

importante ter o conhecimento do que é certo e errado dentro da ética de cada

Devido à competitividade no mercado, é indispensável que a ética esteja

presente na personalidade e no modo de liderança do líder, mostrando critérios

éticos e motivando os colaboradores em busca de algo comum para alcançar o

sucesso de todos. Tal como indicou Ponchirolli (2002, p. 60), “o líder deve fazer as

pessoas acreditarem na existência de uma probabilidade de sucesso coletivo”.

Na tomada de decisão é extremamente importante ser claro e objetivo, além

de demonstrar sinceridade ao passar informações, pois é a partir daí que o

colaborador se sente parte viva da instituição, evitando, consequentemente, futuros

problemas de interação e comunicação. No processo de tomada de decisões

empresariais, é preciso levar em consideração algumas questões, tal como indica

Qual o problema ou oportunidade?

Quais as prioridades?

Quais os objetivos da decisão?

Quais as alternativas?

Quais as suas vantagens e desvantagens?

Qual a alternativa é melhor?

Como implantar a escolha?

Como será feito o monitoramento?

A resposta efetiva a essas questões no âmbito da ética é refletida isso aos

clientes externos, passando segurança dos serviços e/ ou produtos que a empresa

oferece no mercado, já que os consumidores estão a cada dia mais exigentes. A

ética empresarial também tem esse importante objetivo de fidelizar clientes, gerando

credibilidade e confiança aos laços da empresa. As pessoas que ali circulam estão

em constante percepção do clima organizacional.

No que tange à liderança, as ações e comportamentos éticos do líder são

seguidos como exemplo para sua equipe e liderados. Por isso, como líder, é preciso

estar em alerta e vigiar a si mesmo em toda e qualquer situação dentro da empresa,

tornando possível uma liderança construtiva com todos os colaboradores.

É preciso se precaver se o ambiente é propício para o funcionário

desenvolver suas funções, se há diálogo aberto e sincero com seus subordinados,

se as normas éticas estão realmente sendo seguidas. E, o mais importante, é

preciso avaliar o momento para tomar decisões, faze-las com parâmetros éticos, de

acordo com a situação. Assim, pode-se trazer benefícios, tais como: melhoria da

imagem da organização voltada a população e aos funcionários, maior

comprometimento dos colaboradores e, o principal, prevenção em relação as ações

e comportamentos antiéticos. Segundo Ponchirolli (2012, p.65), em se tratando da

fidelização de clientes, a organização precisa:

Sentir-se livre em relação a subornos e chantagens de governos, de

fornecedores e de outros para tomar decisões; assumir

responsabilidades pelas tomadas de decisão; (…) as decisões,

conscientemente, não deverão ser abusivas em relação ao outro,

dado considerarmos que ninguém é ético em relação a si mesmo,

mas sempre em relação ao outro.

O contexto mais claro e amplo das grandes empresas para produtividade é a

responsabilidade social passando credibilidade, tanto para clientes internos, quanto

A respeito da questão do lucro, é confirmado nos estudos da ética

empresarial que os negócios éticos têm uma visão concreta e correta quando

indicam que para alcançar o lucro tem de haver bons fornecedores, com maior

qualidade. E que, além de ser importante registrar tudo o que é usado durante todo

serviço, os lucros tem que ser distribuídos e ser investidos.

Muitos casos acerca de dilemas da ética empresarial mostram como exemplo

que não deve procurar somente os lucros para depois cair em ações não éticas ou

imorais tão logo a organização consiga os lucros esperados. É necessário que tenha

a expectativa de que o lucro será investido novamente tanto nos produtos/ serviços,

quanto nas pessoas que fazem a empresa girar, se transformando em um novo

Deve haver, assim, uma preocupação em desenvolver o respeito e bom

senso ao se falar de lucro. O foco do comércio deve ser conseguir o lucro como

retorno da confiança naquilo que se faz, ao contrário de manter uma opinião de

buscar o lucro como um único meio de encorajar e conseguir recompensa. O correto

é investir na construção de um negócio, promover melhorias e servir com qualidade

os serviços/ produtos para a sociedade, tendo conhecimento suficiente para

Uma importante análise da ética empresarial é que existem três tipos de

comércio empresarial voltados para ética: micro, macro e molar. Essas são regras

que subdividem e classificam as atividades organizacionais empresarias.

A microética nos negócios é voltada e integrada à ética tradicional, aos

indivíduos, às consequências e ações, tendo seus diversos direitos individuais

perante a empresa. O que é claro na microética é a troca justa nos negócios

acompanhada com salários justos, tratamento justo.

A macroética está ligada ao contexto social e econômico, às questões de

justiça, ao entendimento de como o mundo dos negócios tem suas próprias funções

e fundamentos. Já a ética molar define o ambiente coorporativo da empresa como o

lugar das ações centrais da ética organizacional, que devem ser dirigidas pelos

diretores das organizações que desejam acumular maior tempo de vida no mercado.

Para o nível molar, estas questões da ética empresarial estão claramente

interligadas ao papel das organizações na ética da sociedade e ao papel das

organizações na ética das pessoas dentro de empresas. Nele, o principal conceito

da ética organizacional é a ideia e responsabilidade de melhorias para sociedade,

refletindo isso nos lucros e confiança da empresa.

Logo, os líderes das organizações éticas tem focado em maximizar os lucros

com programas comunitários, tornando a empresa uma referência e proporcionando

a preferência do cidadão de bem, levando em conta a sabedoria e o compromisso

do cliente. Dada a maior fiscalização contrária da mídia, a qual promove críticas à

práticas antiética nos negócios, o mercado livre tem por defesa ser ético e poder

afirmar na publicidade que ele satisfaz a procura das pessoas.

Dentro da gestão de pessoas, especificamente, existem alguns tópicos que

fazem a diferença, principalmente para os gestores, como, por exemplo, mostrar

para os funcionários e para a população que a empresa tem práticas éticas,

comprovar que a mesma possui parâmetros éticos. De acordo com o (COC, 2012.),

é preciso observar a questão da ética empresarial nos casos específicos. Segue-se,

assim, uma possível esquematização da aplicação da ética empresarial no modo

 Ética na contratação de empregados: Ser o mais objetivo possível,

mostrando as principais caraterísticas da empresa e do cargo

almejado, conhecer o candidato e ser transparente com todas

informações descritas.

 Ética e permanência dos empregados: Motivar e incentivar o

colaborador a desempenhar suas funções, mostrando que o mesmo

faz a diferença dentro da instituição, promovendo programas de

remuneração, incentivos com cursos, palestras e se necessário

 Ética no desligamento de empregados: Ser objetivo mostrando o

motivo do desligamento sem faltar com respeito e cautela, incentivar a

cumprir seus deveres de acordo com normas estabelecidas da

 Ética no relacionamento com estagiários: Desenvolver e auxiliar o

estagiário de forma que o mesmo tome conhecimento e prática de suas

atividades, lembrando que seu dever é de aprender a aprender.

 Profissional à procura da empresa ética: O candidato, antes de mais

nada, deve tomar conhecimento de informações importantes da

empresa, tais como sua conduta ética.

3.1 – Os Códigos de Ética Empresariais

Devido a diversos acontecimentos mais divulgados nos últimos anos, tais

como escândalos e comportamentos antiéticos internos e externos das organizações

privadas, surgiu a necessidade da criação do Código de Ética da empresa. No geral,

trata-se de um documento formal, feito com o objetivo de guiar e orientar o

comportamento e a tomada de decisão dos integrantes de uma empresa levando em

conta sua conduta ética e a exigência pelo respeito de todos da organização.

O Código de Ética oferece estratégias e suporte para o crescimento dentro da

empresa. Ele atrai compartilhamentos de igualdade com gestores e colaboradores.

Os gestores têm de fazer uso desse código envolvendo toda a organização,

buscando prevalecer boas ações entre cada um, visando o comprometimento das

“O código de ética de uma organização deve ser desenvolvido com o apoio

coletivo e deve conter as diretrizes e normas que a levam a uma conduta ética.”

A ética empresarial gera credibilidade para os negócios, traz bons

relacionamentos entre os indivíduos, melhora o ambiente interno. A aplicabilidade do

Código de Ética dá maior confiança e mérito no enfrentamento dos concorrentes.

O Código de Ética ou de compromisso social é um instrumento de

realização da visão e missão da empresa, que orienta suas ações e

explicita sua postura social a todos com quem mantém relações.

(INSTITUTO ETHOS DE RESPONSABILIDADE SOCIAL

EMPRESARIAL, 2000, P. 7)

O documento formal do Código de Ética deve ajudar a esclarecer como se

portar em momentos de decisões empresariais, seguido de condutas éticas para

com seu público interno e externo. Além de passar uma boa imagem para a

sociedade e integrar os colaboradores, também possibilita ações educativas e éticas

aos funcionários, tornando possível um acordo de convivência coletiva.

. Ao construir e aplicar o Código de Ética é importante contemplar iniciativas de

conscientização dos gestores e colaboradores, implantar uma comissão de pessoas

responsáveis pelo documento e tornar possível o acesso de todos. Nele deve conter

as definições de valores e estratégias da empresa. Não se deve esquecer que é

importante promover o acompanhamento constante e fazer avaliações das práticas

3.2 – Os Códigos de Ética específicos ao departamento de RH

Além dos Códigos de Ética para a empresa, o RH também pode estabelecer

um Código de Ética específico para o seu departamento. O Manual de Gestão de

Pessoas e Equipes (2002), indica algumas diretrizes fundamentais para o

estabelecimento de um código de conduta ética em práticas de Gestão de Recursos

Humanos. Há diretrizes específicas de conduta ética: respeitar todo e qualquer

relacionamento dentro da organização, evitar constrangimentos de todos e envolver

a ética no processo de seleção colocando transparência e compromisso, ou seja,

deixando claro todas as informações inerentes ao cargo e à empresa.

Não se pode esquecer também do feedback, de estar sempre atento a

questões como remuneração, ambiente físico e qualidade de vida, aspectos que

contam muito para desempenho e motivação de todos. Periodicamente é preciso

verificar e alinhar se a ética da empresa está de acordo com a exigida na sociedade

e fazer mudanças ou melhoras se necessário.

Outro fato importante indicado no Manual é a manutenção do equilíbrio entre

a vida pessoal e profissional. É preciso fazer o possível para não deixar que uma

afete a outra, mantendo o sigilo de informações exclusivas do ambiente de trabalho.

Isso contribui para a responsabilidade social voltada aos colaboradores, que exigem

o apoio e suporte do gestor nas horas em que são necessárias.

Com relação à comunicação, a ética empresarial para RH indica que deve

haver um diálogo aberto, igual liberdade para todos se expressarem e estímulo à

responsabilidade com as informações, caso contrário é possível gerar possíveis

conflitos, trazendo comportamentos indesejados. Para evitar tais acontecimentos,

fica por conta do gestor mostrar as condutas esperadas pelo Código de ética da

empresa e as consequências aos que não a cumprem.

3.3 – O Código de Ética do Gestor de Recursos Humanos

Os Códigos de Ética de empresas são diferentes dos Códigos de Ética de

profissões. Estes enfatizam aspectos relacionados à natureza de uma profissão em

particular. O Gestor de Recursos Humanos também tem, enquanto profissional, um

código específico. O Código de Ética do Gestor de Recursos Humanos, que iremos

analisar agora, é um instrumento a ser usado para alcançar os objetivos da ética

dentro da organização a ser manuseado pelo gestor de Recursos Humanos. Tem

por finalidade repassar as práticas, normas, consciência profissional, princípios e

valores próprios do RH. Também pode ser usada como desenvolvimento profissional

na empresa, passando a ideia moral refletida na sociedade com critérios, regras e

normas. Seu papel é visar à orientação clara e objetiva, saber agir nas decisões

debilitadas, transmitindo confiança.

É possível destacar dois princípios fundamentais do Código de Ética voltados

aos Recursos Humanos: o primeiro está relacionado ao compromisso de verificar e

estabelecer deveres indelegáveis no acordo moral com pessoas, envolvendo cliente

interno, organização e sociedade. O segundo é proteger, em sua conduta, o valor, a

integridade e a dignidade da profissão exercida, cuidando pelo caráter de

imprescindibilidade e de indispensabilidade.

O gestor de Recursos Humanos deve estar, ainda, alinhado a alguns critérios

éticos como deveres: ter compromisso com as pessoas e com suas condições de

vida; ter para si a definição dos valores da empresa; saber diferenciar os aspectos

internos e as documentações; buscar obter comportamento de boas ações usando

estratégias motivacionais e desenvolvendo talentos dos colaboradores, entender as

demandas da empresa no âmbito da ética, envolver a ética na tomada de decisão e

no dinamismo para soluções de conflitos. Tem ainda, como dever, buscar a

qualidade de vida e segurança para todos os colaboradores, manter bom convívio

com o trabalho em equipe, executar suas habilidades com caráter e dignidade de

forma objetiva, estar de acordo com as demandas e normas culturais que a empresa

O gestor tem como direitos ter comprometimento com o serviço que nele é

colocado, independentemente de cor, raça ou sexo; ter cautela e sigilo (fundamental

para o profissional de respeito e confiança); evitar reprimir negócios executados,

Dentro do Código de Ética aos Recursos Humanos existem restrições claras,

tais como: não permitir qualquer caso ou acontecimento de trabalho escravo infantil

seguir os deveres perante a lei quanto a isso, denunciar organizações que aprovam

esse tipo de trabalho; não permitir que haja conflitos, insultos e ofensas no ambiente

de trabalho; não fazer uso de interesse com seus companheiros; não aplicar punição

na empresa e não usar de má fé, em amizades, para crescimentos futuros.

Caso não haja o bom cumprimento do código, as penalidades por ações

antiéticas podem ser variadas. A gravidade será levada a penalidades e

advertências confidenciais em carta reservada, além da suspensão do registro

profissional, sendo comunicado ao conselho federal.

No decorrer deste artigo, foram abordados acontecimentos da atualidade

envolvendo ética em sua amplitude, suas origens, evolução e código de ética

inserida a tomada de decisão, voltada aos Recursos Humanos. Trata-se do que está

acontecendo com empresas e como afastar atitudes antiéticas para que não haja

perturbação no ambiente de trabalho.

Grande parte do que foi ressaltado faz referência ao cotidiano dos Recursos

Humanos, tais como manter e rever condutas éticas entre todos da empresa,

reforçar e identificar melhorias no código de ética sempre que possível e o mais

importante, educar os colaboradores com o exemplo, começando a partir de ações e

atitudes que possam trazer melhorias ao todo.

Portanto, no que diz respeito sobre ética empresarial na tomada de decisão,

nos faz refletir a questão de atitudes simples envolvidas no dia a dia, que, com a

experiência, pode surgir a aprendizagem e aperfeiçoamento no planejamento das

decisões em meio à organização, voltada para crescimento intelectual e competitivo.

Este trabalho é a realização de muitas conquistas indispensáveis, pois nos

conduziu em ações, dando-nos a possibilidade para desenvolvimento pessoal, ético,

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Disponível em: http://www.unifra.br/professores/marcio/A_etica_empresarial.PDF.

ROMERO, S. M. T.; SILVA, S. F. C.; KOPS, L. M. Gestão de Pessoas: Conceitos e

Estratégias. Curitiba: InterSaberes, 2013.

VÁZQUEZ, Adolfo Sánchez. Ética. Rio de Janeiro, 2006.

->Artigo apresentado em Trabalho de Conclusão de Curso das acadêmicas Mayara Matos Azevedo e Ludmila Oliveira dos Santos, da cidade de Goiânia-Go.

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