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Ética nas Relações de Trabalho

A questão que pretendo abordar nesta conversa, não com pretensões doutrinárias, longe disso, mas antes, e principalmente, para fomentar a discussão, e como bom acólito, muito mais aprender com esta troca, é a questão da ética nas relações de trabalho, todavia antes de nos adentrarmos neste assunto, entendo necessário esclarecer um pouco mais o que vem a ser a ética, qual o significado desta palavrinha largamente utilizada e tão pouco compreendida?

Para isso recorro, como não poderia deixardes ser, a conceitos exarados por pensadores de renome, assim temos que Ética, nas palavras de Adolfo Sanchez, são normas de conduta moralmente aceitas pela sociedade e que distinguem o que é certo do que é errado.

Para Kant a ética formal, são regras ditadas por uma moral conhecida a priori, consequência de ordens moral que devem ser cumpridas incondicionalmente, baseados na universalidade do reconhecimento do que é bom e do que é mal, neste contexto, ética são normas públicas que atingem a todos de maneira geral, obrigando-as a determinada conduta, e moral são regras privadas de foro íntimo que cumprimos por vontade própria, baseado em nossas experiências, preconceitos, e ensinamentos, dai em termos mais simplistas, podemos inferir que a ética resume-se em fazer o que é certo, em dedicar-se moral e profissionalmente para atender a nossos princípios, mas como saber o que é certo?

Nova call to action

E como aplica-lo as relações de trabalho? Acredito intimamente que esta pergunta encontra resposta, sem qualquer apologia religiosa, ou discussões de ordem teológicas, que não são neste momento o propósito desta discussão, numa máxima bíblica, “fazei ao outros aquilo que gostarias que fizessem a ti mesmo” simples assim, e que pode e deve ser utilizada como termômetro das relações interpessoais, se fulano entregou errado o relatório, antes de entregá-lo ou censurá-lo, devo pensar, como eu gostaria que fosse chamada minha atenção se o erro fosse meu?

Sicrano chega sempre atrasado, ou beltrano é relapso com suas obrigações, em cada um desses casos como eu gostaria de ser tratado se me encontrasse nestas mesmas situações? Não se está falando em acobertar o erro, em encobrir, as falhas, mas em aponta-las de forma mais humana, objetivando o desenvolvimento pessoal do reclamado, e não sua execração pública.

Alguém pode estar pensando, ah!!! mas eu não me comporto assim, eu sou responsável, cumpridor de minhas obrigações, etc. Mas será? Pode até ser, não quero aqui negar a competência, não erramos de propósito, erramos tentando acertar, mas será que é realmente assim que você é visto pelos demais? As vezes a imagem que temos de nós mesmos, não reflete a realidade do que vêem as demais pessoas, porque vocês acham que é tão difícil dar e receber feedback?, por isso devemos pensar sempre, em como gostaríamos de saber isso?

mapeamento comportamental

De forma rude e ignorante ou de maneira afável e educada? Certamente responderemos de maneira educada, cordial, e solidária, então porque não adotar como prática de conduta, um comportamento leal, companheiro, e solidário? Toda ação produz uma reação, plantando o bem, colheremos o bem, isso é lógico, quem trabalha no campo, quem vive da agricultura sabe, se eu plantar feijão, não adianta querer colher milho, pois o que vai dar é feijão, é preciso mudar primeiro o que temos de errado em nós para poder depois corrigir o companheiro, é preciso colocar-se no lugar do outro, sentir a sua angústia e solidão, é urgente valorizar o companheiro de trabalho como o ser humano que ele é, cheio de defeitos e qualidades como todos nós, porque não priorizar as relações pessoais?

Porque esse individualismo exacerbado, essa postura de não é comigo, cada pessoa é parte de um todo, se faltar uma pessoa, o todo estará incompleto, e ninguém faz nada sozinho, devemos sair da posição de dependência e assumir as rédeas de nosso destino. Devemos ter o compromisso de nos desenvolver e de desenvolver nossos companheiros de jornada, de lhes conduzir para o atingimento de metas e resultados, de nos constituir-mos numa equipe de alta performance, entre todas as tarefas que nós possam ser confiadas, certamente, desenvolver pessoas é a tarefa mais importante que pode ser confiada a alguém.

E o exemplo de uma conduta ética, de um comportamento empático, de um comprometimento verdadeiro com os problemas e limitações de nossos colegas, certamente fará com que o trabalho flua com muito mais facilidade e desenvoltura, com muito mais participação e satisfação por parte de todos os empregados. A verdade é que somos seres sociais, e a sociedade só pode ser feita com pessoas, ninguém se engane, sem pessoas não existe sociedade, não existe organizações, não existe trabalho, ser companheiro, não significa eliminar a concorrência.

É claro que pode e deve existir concorrência entre as pessoas, é salutar a competição para os seres humanos, mas uma competição leal, companheira, com fins ao crescimento pessoal e profissional, afinal, ser competitivo não é ver o colega de trabalho como um inimigo que precisa ser eliminado. Mas sim como uma referência a ser ultrapassada, é te-lo como padrão de crescimento e desenvolvimento, é orgulhar-se de compartilhar com ele as lutas do dia a dia.

É urgente melhorar a qualidade das nossas relações de trabalho, e ser ético é portanto a melhor forma de se atingir estes resultados, de construir relações verdadeiras e duradouras, de estabelecer um clima de cooperação e confiança, mas para ser ético é preciso ter caráter, é preciso ter a capacidade de se indignar diante de injustiças e deslealdade.

Chegamos num ponto chave sobre o caráter, é um traço de conduta pessoal, que nasce com o indivíduo, não está venda em farmácias ou supermercados, o sujeito tem ou não tem e pronto. Se tem, ótimo, e a boa notícia nesta caso é que a maioria das pessoas tem, as vezes não usa, por medo, por vergonha, por sobrevivência, etc.

Entretanto se o sujeito não tem, nada se pode fazer, pois competências técnicas são possíveis de se prover através de programas de capacitação e treinamento, mas caráter, se ela não tiver, nenhum programa jamais poderá ensinar, e nenhuma empresa consegue crescer e se manter no mercado. Sem uma equipe unida, parceira, coesa, focadas em objetivos comuns, e apenas através de relações verdadeiras, construídas através de posturas éticas, onde se pode olhar o companheiro de frente, sem reservas ou meias verdades, podemos atingir este estágio.

Contribuindo assim, de forma significativa não apenas para o crescimento da empresa, mas principalmente para nosso próprio desenvolvimento pessoal.

Antônio Henrique de Lima Neto
Gerente de Recursos Humanos
antoniohque@hotmail.com

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