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trabalho uma concepção

Trabalho uma concepção
A concepção de trabalho como fonte de identidade e auto-realização humana, foi constituída a partir do Renascimento onde o trabalho adquire então um significado intrínseco. Isso implica que o trabalho é, pois, constituído do campo do fazer humano porque o homem age, cria, empreende, produzem objetos e saberes, bens materiais e bens simbólicos. Esses objetos e saberes são produzidos, distribuídos, apropriados socialmente, não só no âmbito do trabalho, mas também no campo da cultura e da política, tais dimensões estão intimamente entrelaçadas. A categoria trabalho não pode ser pensada como natural ou a – histórica.
O trabalho é impregnado de toda uma subjetividade, inserido em um contexto econômico, político, social e com tantas diversidades, leva os indivíduos a terem vivências bastante distintas. Ao longo dos tempos, identificamos visões contraditórias do trabalho que convivem nos mesmos espaços, e por vezes, um mesmo indivíduo revela sentimentos ambíguos em relação a sua vida profissional. Ora é visto o como busca das realizações, tornando-se uma atividade que além de definir o homem pode gerar prazer, ora pode ser fonte de desprazer, gerando tensões e podendo causar estresse além de outras doenças contemporâneas. Na sociedade pós-industrial, qual o sentido e o valor do trabalho? Teria ele desaparecido ou ainda podemos observar a relevância da ética do trabalho tradicional na composição de nossos hábitos subjetivos?
A situação hoje em relação ao trabalho e à sua conexão com a identidade é ambígua; de um lado, o trabalho perdeu centralidade, ao menos se comparado ao período moderno, quando da vigência da sociedade industrial. De outro lado, porém, ele ainda preserva um papel importante na definição de quem somos sobretudo ao nos oferecer rotinas, um papel social e uma carreira. Isso implica que as complexidades como desenvolvimento tecnológico e cientifico trazem novas emergências e desafios para a sociedade. Entretanto o trabalho continua sendo ainda vital para o sujeito e para a sociedade, pois engendra uma contribuição social possível. A organização do trabalho expressa um modo de ser, de pensar e de agir de uma determinada civilização.
Na perspectiva marxista, o trabalho está intimamente ligado na relação entre o homem e a natureza. Podemos então compreender o trabalho como um resultado de determinado esforço, realizado pelo homem, e que na sociedade do capitalismo esta ação é tida como mais uma transação entre o trabalhador – possuidor da força de trabalho e o capitalista detentor do capital. Mas claro que não é uma mercadoria qualquer. Enquanto os produtos a serem usados simplesmente desaparecem, o uso da força de trabalho significa, ao contrário, criação de valor.
Neste contexto nada mais é determinado naturalmente. Isto significa que na sociedade contemporânea a sempre possibilidade prática de mobilização. Sendo assim, podemos entender que vivemos em um capitalismo global e em rede. A questão do trabalho não se coloca apenas no campo da exploração, mas também no campo da transformação. O homem pode modificar o mundo e a si mesmo, produzir cultura e se autoproduzir.
Marcos Antonio Batista da Silva é Psicólogo e Professor Universitário da Dsiciplina de Psicologia Organizacional

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