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Transformação empresarial e as pessoas como protagonistas

Yuan-Yuan era uma panda gigante de 11 anos de idade. Moradora do zoológico de Taipé, em Taiwan, ela havia passado por uma inseminação artificial em março de 2015. Algumas semanas depois da inseminação, Yuan-Yuan começou a apresentar sinais de que estava grávida. Quando os cuidadores do zoológico percebem sinais de gravidez em uma panda-gigante, o animal é imediatamente levado a um espaço especial. Nesse novo lar a panda recebe mais comida, incluindo alimentos de melhor qualidade, o espaço é maior e mais confortável, com ar-condicionado e cuidadores 24 horas à disposição da futura mãe. Passaram-se algumas semanas e, após uma ultrassonografia, os funcionários do zoológico descobriram que Yuan-Yuan não estava grávida. Ela havia fingido os sintomas para comer mais e melhor, em um local mais confortável.

A história acima é verídica, um trecho dela foi extraída da revista HSM Management, e nos leva a concluir: pandas são fofos, é inegável! Mas é inegável, também, que pandas não tem ambições. Ofereça um punhado de bambus e um espaço confortável, e um panda viverá o resto de sua vida sem conflitos, desejos sonhos, metas ou qualquer preocupação. Com o ser humano a coisa é diferente!

Essa diferença, presente nos seres humanos e as mudanças que o mundo moderno cobra dos seus líderes empresariais tem impacto direto em toda a estratégia da organização e quando bem executadas e aliadas em pessoas + eficiência operacional, garantem sucesso e sustentabilidade do negócio. Sendo assim, compartilho abaixo alguns pontos de atenção que podem ser úteis e te ajudar no processo de transformação empresarial.

Nova call to action

1. Contratar a pessoa por ela é diferente e demitir porque ela não é igual

Essa é uma falha muito comum em organizações que na prática não reconhecem que diferentes pessoas trazem diferentes experiências, pressupostos, valores, e hábitos ao seu trabalho. Sua diversidade é valiosa porque inovação e aprendizado são produtos de diferenças. Portanto, enxergue quais os perfis de pessoas que você necessita no seu time, seja devagar na contratação, e lembre-se de voltar o seu olhar para pessoas, afinal, são elas que entregam os resultados. Essa ação está diretamente ligada à era da sabedoria, onde o gestor fomenta o desenvolvimento holístico e a aproximação das pessoas como seres humanos.

2. Jogar o bebê fora junto com a água do banho

Quando falamos em transformação empresarial alguns líderes ainda acreditam que inovação é reinventar a roda e começar tudo do zero. Erro fatal!

Um negócio é inovador quando de fato cria, uma experiência nova e melhor na solução de um problema ou necessidade das pessoas que formam seu mercado consumidor, ou seja, não adianta só digitalizar o front office, criar uma página nas redes sociais ou um app maravilhoso, se por trás dessa fachada a empresa continuar a ter a estrutura burocrática de sempre.

Lembre-se sempre de considerar a diferença entre: inovação X evolução. Ainda, não se preocupe com o fato de uma ideia já existir em outro lugar, ela só precisa ser nova e melhor para o seu público-alvo, por isso… preserve sua história!

3. Usar fórmulas antigas para resolver situações novas

Quando a nossa história for escrita, daqui alguns anos, é possível que o acontecimento mais transformador não seja a tecnologia, a internet nem o comércio eletrônico, mas sim o número substancial e crescente de opção que as pessoas têm e o quanto estão despreparadas para lidar com isso.

Então, para mudar qualquer coisa é necessário ter visão crítica da situação atual e isso acontece quando entende-se que o importante não é tanto o plano, mas a flexibilidade para dar respostas novas diante das oportunidades de novidades que aparecem.

4. Pular sem ver se há água na piscina

Percebemos que a relação das empresas com o consumidor mudou. O consumidor hoje não busca mais as marcas e sim outros consumidores. Juntos, eles formam uma comunidade poderosa, com poder para promover o sucesso ou o fiasco das marcas. Nessas comunidades habitam consumidores, criadores (os tais influenciadores digitais) e diversos outros personagens. É uma nova arena, uma nova dimensão na forma como formamos opiniões, compramos produtos, buscamos atendimento, damos feedback.

Ou seja, não adianta sair criando e lançando produtos novos a qualquer custo e considera-los fruto de inovação, mas sim garantir a perpetuidade da confiança dos clientes, que é um privilégio a ser conquistado, não um benefício de longo prazo com o qual se deve contar indefinidamente. Afinal, confiança leva anos para ser construída, segundos para ser quebrada e uma eternidade para ser consertada.

Por fim, espero que estas dicas sejam um ponto inicial, para que você, leitor, consiga refletir sobre o momento que a sua empresa está vivendo, e quais são as principais práticas que podem ser adotadas para que você reduza custos e ganhe produtividade, maximizando o processo de transformação empresarial com as pessoas como protagonistas!

Por: Alan Couto