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Tudo Azul Para O E-learning

A aplicação do ensino à distância se
justifica com a obtenção de bons resultados. Três grandes empresas mostram os
benefícios que obtiveram com essa modalidade de treinamento

Por Marcela Canavarro

A preocupação com a formação continuada por intermédio da capacitação
permanente dos profissionais, há algum tempo, deixou de ser exclusividade dos
ambientes acadêmicos. Cada vez mais as empresas trazem essa filosofia para
dentro de seus domínios e o processo educativo já apresenta ares, digamos,
mais corporativos.

Uma das armas mais poderosas nesse processo, e que vem sendo bastante difundida
nos últimos anos, é o e-learning, que tem como principal característica a fácil
adaptação à agilidade que o mercado exige atualmente. Apesar de ter um custo
de implementação superior ao do método presencial, as vantagens do e-learning
são notáveis.

É chegada a hora da adaptação

As aulas presenciais, embora sejam de grande valor, fazem com que o processo de
aprendizado seja menos maleável, limitando-se a horários rígidos e turmas
padronizadas.

A adequação do e-learning às necessidades e à disponibilidade dos
profissionais é fator fundamental para o sucesso desse método de ensino. Não
foi à toa que várias empresas já perceberam isso e adaptaram o quanto antes
seus programas de capacitação a essa nova realidade.

Uma dessas empresas é a BCP, operadora de telefonia celular que atua na grande
São Paulo, que aderiu a um programa de e-learning em maio de 2002, quando optou
por desenvolver uma versão virtual do centro de treinamento que a empresa
mantinha até então.

– A idéia surgiu porque precisávamos adequar a necessidade de aprendizado dos
funcionários ao mercado de telecomunicações. Temos a oportunidade de fazer
esse treinamento de forma consistente, adaptada ao horário e ao local de
trabalho de cada um – diz o analista sênior de Recursos Humanos da BCP,
Daniel Tucci.

Investimentos e aplicações

A BCP investiu até agora R$ 400 mil em seu programa de e-learning, que
atualmente oferece 20 cursos a, aproximadamente, mil funcionários. Alguns têm
público-alvo específico, como o de Vendas, para a área Comercial, e o de
Tarifação, voltado para a equipe de Atendimento. Há também treinamentos
focados na área gerencial, como Matemática Financeira, Serviço de Qualidade e
Gestão e Estratégia, por exemplo.

Alguns cursos foram desenvolvidos a partir do conteúdo dos programas de
capacitação presenciais que já existiam na BCP. Outros foram adquiridos de
empresas especializadas no desenvolvimento desse tipo de aplicativo.

Segundo Daniel Tucci, todos os funcionários da BCP podem fazer qualquer um dos
cursos, mas cada área tem um currículo próprio, no qual estão especificados
os treinamentos que são pré-determinados para cada departamento, e que devem
ser feitos por cada funcionário, de acordo com sua área de atuação.
Normalmente, esses currículos são híbridos, englobando aulas presenciais e
on-line.

– Acreditamos que o ensino on-line potencializa o aprendizado mas não substitui
o formato tradicional – diz o analista.

As atividades de cada funcionário no decorrer dos treinamentos da BCP são
gerenciadas por um Learning Management System, que faz todo o controle do
programa, incluindo o número de horas utilizadas durante o aprendizado e o
aproveitamento dos profissionais no final de cada curso.

Durante o treinamento, o funcionário responde
questionários ao fim de cada módulo ou é submetido a uma prova, devendo,
portanto, atingir uma pontuação mínima para ser aprovado. Cada curso tem duração
de quatro horas e pode ser feito na própria empresa, durante o horário de
trabalho.

Há também um serviço de suporte aos funcionários em treinamento, em que cada
área da empresa tem um profissional especializado, denominado trainer,
cuja tarefa é dar auxílio no que for necessário, de acordo com sua área de
conhecimento. Para isso, o contato pode ser feito via chat, e-mail, fórum ou
telefone.

A intenção da BCP é que seus funcionários gastem, em média, 15 minutos por
dia estudando, podendo estender esse tempo para até uma hora diária, tendo o
prazo de um mês para completar cada curso.

Estímulo direcionado ao conhecimento

Segundo Daniel Tucci, o aprimoramento dos funcionários é estimulado pela
empresa, a partir de uma política voltada para o desenvolvimento. Por esse
motivo, a BCP arca com todos os custos do programa de capacitação de
e-learning.

– Queremos investir no desenvolvimento do funcionário, trabalhar a mão-de-obra,
valorizar o recurso humano e, em contrapartida, ter um serviço melhor. É claro
que há um objetivo final, que é o retorno para a empresa – diz.

Para o futuro, a BCP planeja investir em novos cursos, expandir a cultura de
comunidades virtuais e ampliar o acesso ao conhecimento.

– Em breve, teremos um curso de espanhol e estamos pensando em disponibilizar
alguns cursos voltados para o bem-estar dos funcionários, focados em qualidade
de vida – finaliza Tucci.

E-learning à moda francesa

Na Renault, o autodesenvolvimento tem um valor especial. Desde 2002, a empresa
vinha desenvolvendo seu projeto de ensino à distância, o E-learning Renault,
que entrou em funcionamento em 2003. Para atender a todas as partes envolvidas
na rede da empresa no que tange à capacitação profissional, da montadora à
concessionária, o e-learning foi a solução ideal.

– O ensino à distância nos permitiu disponibilizar a informação de forma rápida,
eficaz, prática e atualizada – diz o gerente de Treinamento à Rede de
Concessionários da Renault, Victor Rizzi.

Outro fator importante foi a redução de custos no que se refere ao transporte,
já que antes era necessário deslocar os funcionários de seu ambiente de
trabalho para o desenvolvimento de competências.

Novidades à vista

Por enquanto, o E-learning Renault tem cinco cursos à disponíveis, que
são destinados à equipe comercial, formada por gerentes de vendas e
assistentes; às funções técnicas, como mecânicos; e aos funcionários que
lidam diretamente com produtos e clientes.

A média de duração de cada curso é de quatro horas e como eles estão disponíveis
na Internet, também podem ser feitos em casa. Embora os cursos sejam
auto-explicativos, cada funcionário tem à sua disposição um serviço de
suporte para tirar todas as dúvidas que surjam no decorrer dos cursos, por
intermédio de um telefone 0800.

Atualmente, o projeto da Renault conta com 400 funcionários em treinamento e
pretende ampliar sua atuação para outras áreas da empresa, dando continuidade
a aos programas de desenvolvimento gerencial já existentes, que ainda não estão
disponíveis na versão on-line. Segundo Rizzi, já há uma cobrança em cima
disso.

Na Roche, uma das maiores empresas farmacêuticas
do mundo, os programas de capacitação e especialização à distância estão
organizados sob uma estrutura denominada Academia Roche, responsável pela gestão
de cada um dos cursos que mantém.

O projeto foi lançado em 2001, com o intuito de estruturar de forma estratégica
todas as atividades da empresa voltadas para a educação, sistematizando ações
até então já existentes, porém, de forma isolada.

– Queremos garantir que o profissional já entre aqui com um planejamento de sua
capacitação ao longo da carreira e que a empresa veja isso atrelado a um
resultado – diz a coordenadora da Academia Roche, Neusa George.

Encurtando distâncias

Como a Roche trabalha com representantes espalhados por todo o Brasil, a
capacitação no formato presencial esbarrava em grandes dificuldades, em função
da distância e, conseqüentemente, seu alcance era limitado. Com o e-learning,
isso mudou completamente.

O programa da Academia Roche é composto de quatro formações on-line,
acompanhadas de um CD-ROM, cujo conteúdo enfoca técnicas de vendas e de
negociação. Um portal também está sendo preparado para que a gama de cursos
oferecidos pela empresa seja ampliada.

– Queremos que os representantes se familiarizem com nossos produtos e levem as
informações para os médicos. Por termos uma força de vendas descentralizada,
o e-learning é muito importante para isso – diz Neusa.

Metodologia

Os cursos da Academia Roche são divididos em três tipos: Básico, que
traz informações importantes sobre determinado produto; Avançado, voltado
apenas para especialistas em um produto; e Manutenção, referente às novidades
que a equipe de vendas precisa saber sobre um determinado produto.

Cada um desses cursos é dividido em módulos, que duram de quatro a oito horas
cada um, e podem ser realizados em turnos de duas horas pelos alunos. Um único
curso pode ter um total de até 16 horas de duração.

Para Neusa George, o e-learning consegue atender as pessoas focando no tema em
que elas têm mais dificuldade. E no intuito de melhorar seu programa de
capacitação, a Roche busca instituições de ensino que possam estabelecer
parcerias. Entre elas está a Fundação Dom Cabral, em São Paulo, que utiliza
seu know-how para desenvolver o conteúdo de alguns cursos.

A tendência é que o e-learning se espalhe cada vez mais no ambiente
corporativo e estimule o desenvolvimento de aplicações das mais variadas. Bom
para os negócios, bom para os profissionais.

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