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Uma Nova Liderança, Uma Nova Empresa, Um Novo País

DUAS PREMISSAS ORIENTAM ESSA
APRESENTAÇÃO

1ª – Não tenho a pretensão de apresentar
informações que sejam totalmente desconhecidas de um público tão selecionado
como este. Questionando as formas tradicionais de tratar a Liderança, acredito
que poderei estar trazendo aspectos novos. Quero convidá-los para olharmos de
maneira diferente, procurar ter “olhos novos” para um assunto bastante
debatido e conhecido.

2ª – Não tenho e não conheço verdades e
certezas. Convivo feliz como inúmeras dúvidas. Tenho convicções, acredito em
muitas coisas, mas duvido da maioria das “verdades” que a vida quis me
impor.

A verdade é uma doença infantil que não
tenho a menor condição de contrair.

Em ciência social, não lidamos com a verdade,
mas sim com aproximações de aplicabilidade limitada

O TEMA CENTRAL

Trata-se de tema que envolve três assuntos
–Liderança, Empresa e País, complementares e interdependentes na medida em
que, para se conseguir transformar o Brasil em um ” Novo País” ; para
se conseguir criar “Novas Empresas” que venham realmente atender as
expectativas da sociedade, dos acionistas e dos colaboradores teremos que,
necessariamente, contar com Lideranças diferenciadas, em termos de valores e
crenças, das que estamos habituados a conviver nos últimos anos.

Liderança

O assunto Liderança é, a um só tempo,
paradoxal, complexo, polêmico e apaixonante. É paradoxal porque estamos
acostumados a atribuir um valor extremo a resposta única, definitiva. Achamos
difícil ou impossível aceitar realidades ou soluções contraditórias.

Por isso, acredito que a primeira concepção
que precisamos abolir de nossa estrutura mental é a tirania do ” OU
“, mencionada por James Collins em seu livro

” Feitas para Durar”, como sendo um
dos fatores de sucesso das empresas visionárias.

Exemplos da tirania do ” OU “:

  • Você pode mudar OU ser estável
  • Você pode ser idealista (voltado para
    valores) OU pragmático (voltado para lucros)

  • Você pode ser líder OU servo
  • Você pode ser líder OU inocente.

Uma nova concepção de liderança requer a
teoria da simultaneidade. Ao invés do “OU”, passaremos a utilizar a
proposição “E”

  • Objetivos além do lucro “E” Busca
    pragmática do lucro.

  • Metas audaciosas e assustadoras
    “E” Progresso evolutivo e incremental

  • Você pode ser Líder E SERVO
  • Você pode ser Líder E INOCENTE

Lembre-se: ” O teste para uma inteligência
brilhante é a capacidade de ter duas idéias opostas na mente e ainda assim ser
capaz de funcionar”

F.Scott Fitzgeraldo.

 

MERGULHANDO NO PASSADO

O antropólogo Arthur Parker encontrou no
passado a ” liderança do próximo século”

O texto a seguir é de 1754, que consta da
Constituição da Nação Iroquesa.

(Os líderes) serão mentores do povo até o
fim dos tempos. A espessura de sua pele será de sete palmos, o que equivale a
dizer que eles não deixaram entrar em si o ódio, as ações ofensivas e o espírito
de crítica. Seus corações estarão cheios de paz e da boa vontade e sua
mentes repletas de anseio pelo bem estar dos povos da confederação, Com
absoluta paciência eles desempenharão suas funções e sua firmeza será
temperada por uma ternura pelo povo. Nem a raiva nem a fúria farão morada em
suas mentes, e todas as suas palavras e ações serão marcadas pela deliberada
calma. Os líderes devem ser honestos em tudo…não devem jamais pensar em si
mesmos….”

Com isso, fica cada vez mais verdadeira a tese
que ouvi de Nélida Piñon;

” O Ser Humano não é um SER
inaugural”

 

RETORNANDO AO PRESENTE

 

1º – Mudar a essência:

O conceito de liderança vem sendo redefinido várias
vezes na história moderna. Muitas dessas redefinições só alcançaram um nível
bastante superficial.

Tenho observado que existe um forte tendência
de adaptar – maquiando apenas a forma e aparência — sem alterar os princípios
básicos, a essência, os valores e normas da Liderança.

 

2º – A mudança deve começar nas pessoas.

É bastante freqüente ouvir afirmações
semelhantes as seguintes:

” Na teoria é bom, mas na prática as
coisas são outras”

” Tudo bem, eu quero ser fiel aos meus
princípios. Mas aqui trata-se de negócios. E as coisas são totalmente
diferente”

” Preciso “pegá-los” antes
que eles me peguem”

” Ora, eu sou um Gerente, e não um
santo”

” Lugar de amar é em casa, lugar de
disciplina e ordem é no trabalho.

Os princípios que muitas pessoas afirmar que
“prezam” não se aplicam ao mundo dos negócios. Elas pensam – mas
se iludem – que conseguem se dividir em dois, adotando uma filosofia no mundo
do trabalho e outra no outro ” mundo” de suas casa, com amigos.

Afirmam que se sempre agissem com honestidade,
abertura, sinceridade e franqueza, seriam “engolidas vivas” pela
concorrência, colegas, chefes, e subordinados.

Essa divisão ilusória, pode estar sendo
resultado da falta de sentido que as pessoas encontram na vida moderna, em
especial no trabalho.

Victor Frankl – em seu livro ” O Homem
em Busca do Sentido” denomina esse comportamento de ” vazio
existencial”

Acredito que o exemplo não é o principal meio
de influenciar os outros, é o único meio.

A mudança radical é a mudança NOS líderes;
não a mudança ORDENADA pelos líderes.

Pessoas em posição de liderança, acreditam,
com freqüência, que a única maneira de agir nos negócios é “jogar
segundo as regras
“, e, segundo afirmam, na maioria das vezes esse jogo
não é limpo. No entanto, julgam que seja possível deixar seus valores e as
crenças pessoais do lado de fora da porta do seu escritório.

Talvez seja por isso que os ambientes de
trabalho sejam atormentado pelo “stress”, pela insegurança, pelas
decisões difíceis, medo, tensão e por semanas de 60 horas. Talvez estejam
esperando que surja outro Maquiavel para justificar todas as suas ações como líder.

Por tudo isso, o novo estilo de liderança
exige um compromisso profundo – um novo contexto – uma mudança na própria
essência do líder. Esta virada contextual exige que um número cada ver maior
de pessoas assuma a responsabilidade sempre que for preciso.

Na realidade, o mundo vem conhecendo muito mais
pessoas em posições de liderança que têm imposto as mudanças em vez de
inspirá-las. Inspirar, sim, medo. Conhecemos muito mais “patrões” do
que líderes.

Isso tem nos levado à formação de uma
sociedade primitiva, litigiosa e competitiva em que vivemos hoje.

No filme “Rede de Intrigas”, o
apresentador do noticiário afirmou enfaticamente: “Estou ficando
completamente maluco. Eu simplesmente não agüento mais.”

Os líderes precisam se dispor a uma mudança
profunda nos campos pessoal, psicológico, emocional e até mesmo espiritual,
caso queiram que os seus seguidores estejam abertos às transformações da
sociedade e das empresas.

Os líderes não podem continuar pedindo que
todos mudem, exceto eles mesmos.

Uma das qualidades da nova liderança é a
disposição de se ver como parte do problema existente, como um dos elementos
do sistema que precisa mudar. Lembrem-se de ler o “Vôo dos Búfalos”,
de Belastre.

“Cada um tem que ser a mudança que quer
ver ocorrer no mundo”, segundo Gandhy

 

3º Novas maneira de enxergar e praticar a
Liderança

Constatamos que tudo que é mecânico evolui,
tornando-se melhor, mais eficiente, mais sofisticado. Neste século em que somos
atores, autores e espectadores das mudanças , tudo que é mecânico vem tendo
uma transformação fantástica, assustadora. Todo dia tomamos conhecimento de
novas descobertas no mundo mecânico/ material .

Em contrapartida, tudo que é orgânico, parece
que vem regredindo. Das sementes até nós mesmos. Os bens manufaturados parecem
ser muito mais interessantes do que as pessoas que os produzem.

Nos últimos 60 dias, procurei me dedicar a ler
e reler muitos artigos, revistas e livres a respeito de Liderança. Constatei
que existem novas maneiras e ângulos de se conceitualizar a liderança. As
viagens que tenho feito as mais diferentes “paisagens e percepções”
sobre a liderança é estimulante em todos os sentidos.

Para apreender é fundamental que nos
libertemos de todos os tipos de preconceitos e “certezas”. Precisamos
“nos esvaziar”, segundo Picasso.

Destacarei alguns aspectos dessas “novas
visões” que considero bastante interessantes para que possamos renovar e
trazer questões diferenciadas para analisar a Liderança.

 

Liderança de Dentro para Fora.

A liderança de dentro para fora nasce da noção
do “empowerment” (fortalecimento/energização) e da administração
participativa, No entanto, é algo, mais profundo, rico, amplo e pleno.

A liderança de dentro para fora se baseia
numa filosofia diferente.

Ela reflete o âmago do ser do líder. Aliás,
é primordialmente um modo de ser.

Para liderar com eficiência é preciso
possuir um conjunto robusto de competências fundamentais. As técnicas por si
só não definem a liderança de “dentro para fora”.

Stephen Covey, faz uma oportuna observação
a esse respeito:

Os livros escritos nos Estados Unidos nos
primeiros anos em que se iniciou os estudos e debates sobre Liderança
tratavam da realização pessoal e davam ênfase ao que ele chama de “ética
do caráter”. Esta ética valoriza: cumprimento de promessas,
honestidade, coerência e coragem.

Era o ‘PORQUE” da eficiência pessoal.

Nos anos seguintes, esqueceram os
“PORQUE” e surgiram o ‘COMO’

O “COMO ” é importante, mas sem o
‘PORQUE “, o “COMO “, não tem o menor sentido, se manifesta
de forma desequilibrada

Hoje parece que as pessoas começaram a se
concentrar exclusivamente no “como”, que se esqueceram do
“porque” .

A propósito, acho importante chamar atenção
para a seguinte constatação.

Hoje existem centenas e milhares de livros
ensinando o “COMO” das inúmeras coisas das existentes nas nossas
vida, desde questões pessoais passando pelas amorosas e profissionais.
“Como ser feliz” , “Como fazer as pazes com o dinheiro”;
“Como liderar, motivar etc, etc….

Fico refletindo como seria fácil solucionar
tudo, se o “COMO” fosse suficiente, sem se conhecer o
“PORQUE”. O surgimento desses livros fortalece uma postura passiva e
pouco questionadora em nossa empresas.

A teoria de liderar de “dentro para
fora” , sempre começa com o “PORQUE” e, e busca reduzir o
“hiato” entre falar e fazer, como Argyris diria, as teorias que
esbossamos – é aquela que aplicamos. Além do mais, as pessoas só podem dar
aos outros aquilo que eles tem em si mesmos. Ninguém pode dar os outros o que
não tem.

 

Abordagem de Liderança do tipo Tanto/ Quanto

Nenhum integrante da qualquer Empresa, nem
mesmo o mais eficaz dos Presidentes, é capaz de possuir todas as informações
para guiar as direções da Empresa.

Para conter na mente vários pontos de vista
essencialmente diversos, precisamos desenvolver a capacidade de aprender com
as pessoas sem necessariamente concordar com elas. Além do mais, é
importante admitir que o nosso pensamento é mais automático do que profundo.
O que pode nos levar a ter comportamentos burocráticos e robóticos.

Todas as coisas e todas as qualidades que
existem tem pelo menos dois lados; uma manifestação externa óbvia e um
aspecto sutil, oculto.

Precisamos TANTO a capacidade de afirmar os
nossos pontos de vistas QUANTO a de respeitar os pontos de vistas das pessoas
que discordam de nós

Precisamos TANTO da confiança necessária
para expressar nossa capacidade, QUANTO da humildade necessária para aprender
com as pessoas que tem mais conhecimentos.

Quem se dispuser a liderar qualquer sistema
humano, deve compreender que ninguém é absoluto. Não há quem esteja certo
ou errado sempre. Todos nós precisamos dos conhecimentos e das contribuições
um dos outros para ter acesso a um panorama mais completo ou montar o
quedra-cabeça.

A mente inexperiente tende “a
certeza” , “a segurança, e a arrogância” .

Com o pensamento do TANTO/QUANTO as pessoas não
precisam ter estilos semelhantes ou os mesmos valores para vir a trabalhar
juntas. É preciso haver respeito pelas visões e contribuições do outro.

O novo ambiente profissional será composto
por uma enorme diversidade de linguagem, estilos pessoais e premissas
culturais.

Exemplo:

Pensamento Exclusivista.

Aquele empregado não esta motivado.

Temos que despedi-lo

Pensamento Tanto Quanto

A maioria dos empregados tem potencial,
tanto para dar o melhor de si quanto para jogar o tempo fora.

Quais as condições que favorecem o desejo
que em essa pessoa tem de dar o melhor de si ?

 

Líder Inocente

A premissa é seguinte: Assim como nós
percebemos que é importante desistir de controlar as pessoas que integram uma
empresa, assim também a nova era exige que a mente deixe de se preocupar com
o que seria a melhor liderança ou a melhor empresa.

O líderes serão muito mais abertos e menos
dogmáticos quanto ao que é “certo’, ‘melhor” ou “inevitável’”
para a liderança empresarial. Terão perdido a vontade de fazer com que o
mundo se adapte às mais recentes teorias.

Serão pouco ciosos do seu próprio
pensamento o quanto o serão dos objetos do pensamento.

Serão “inocentes” , tranqüilos no
paradoxo do oposto. O paradoxo fará com que as novas lideranças se lembrem
de ignorar as fronteiras entre o verdadeiro e o falso e de abrir a sua visão
das coisas.

Em vez de jogar um conceito contra o outro,
os líderes vão transitar livremente entre a certeza do saber e a inocência
de pensar sem barreiras.

Os líderes inocentes vão respeitar a
indiferença natural da liderança, permitindo assim que as organizações
reajam espontânea e criativamente a imprevisibilidade do futuro.

 

O LÍDER SERVO

Peter Senge, autor da 5ª Disciplina afirma:

“Não se preocupem em ler outro livro a
respeito de Liderança até que tenham lido o de Robert Greenleaf. Sem dúvida
alguma, é o mais útil e notável dos livros sobre Liderança”

 

O Grande Líder se forma com a prática de
servir aos outros, ou seja, a verdadeira liderança se manifesta naqueles cuja
motivação primordial é um profundo e genuíno desejo de ajudar os outros.

Tudo começa com o sentimento natural que a
pessoa tem de querer servir, de servir de livre e espontânea vontade, em
troca de nada.

Em seguida, uma decisão consciente o leva a
inspirar a liderança

A diferença se manifesta no cuidado tomado
pelo servo — que livremente se pôs nessa posição – em ter certeza de que
as prioritárias de outras pessoas vêm sendo atendidas. A melhor prova da
avaliação da eficácia do líder servo é saber se aqueles que estão sendo
servidos estão crescendo como pessoas. Será que as pessoas que estão sendo
lideradas dessa maneira estão se tornando mais saudáveis, mais sábios, mais
livres, mais autônomos, mais dispostos a fazerem de si mesmos novos servos ?

A liderança do servo não á algo milagroso
nem simples, nem pretende ser uma solução imediata, nem mesmo que se
introduza rapidamente numa organização.

A liderança do servo é forma muito mais
amplo de ver a vida e o trabalho. A longo prazo pode criar mudanças positivas
em várias faixas da sociedade.

 

As 10 principais características do Líder
Servo são:

  1. Escutar (inclusive a própria voz
    interior)

  2. Empatia.
  3. Consciência
  4. Persuasão
  5. Conceitualização.
  6. Antevisão
  7. Curadoria
  8. Compromisso com o crescimento de pessoas.
  9. 10 construção da comunidade

 

O KOAN DA LIDERANÇA

O Koan é uma charada, um enigma cuja solução
só pode ser encontrada quando a pessoa se livra completamente de todo
condicionamento e de todo o pensamento.

A mente que decifra o KOAN é vazia de toda
representação. Nenhuma definição ou formulação da liderança atingirá o
alvo. É necessário encarar a liderança de uma forma de se libertar do
condicionamento e do pensamento. E assim estará qualificado a ser um
verdadeiro Líder.

Segundo KOAN

A visão intuitiva não é fruto do
conhecimento especializado, mas sim do silêncio,

A solução não vêm dos especialistas, vem
da percepção.

A ação hábil não nasce da previsão,
espontaneamente da lucidez.

A consciência e auto-conhecimento é que faz
a diferença.

O auto-conhecimento revela que a nossa
verdadeira natureza é muito diferente da colagem de impressões e crenças
que, com freqüência, enchem nossa mente, criando confusão em que transitam
pensamentos ruidosos.

 

CONHECER O SEU EU VERDADEIRO É A PRIMEIRA
RESPONSABILIDADE DO LÍDER. SEM ISSO, O RESTO É INÚTIL.

CINCO LIÇÕES BÁSICAS

Por tudo que tenho visto, lido e observado a
respeito de Liderança as lições mais significativas que tenho aprendido são
as seguintes:

  1. As teorias de liderança e teorias de vida
    se superpõem, muito mais do que a primeira vista possa parecer.

  2. Antes de buscarmos ser eficazes como
    lideres, precisamos prestar muita atenção se somos eficazes como pessoa

  3. Um líder não é simplesmente alguém que
    desfruta da satisfação de estar no comando. Um líder é alguém cujas ações
    podem têm as mais profundas conseqüências nas vidas de outras pessoas,
    positiva ou negativamente, e, na maioria das vezes, para sempre. (Bennis)

  4. Uma liderança eficaz não é suficiente. É
    fundamental que os líderes, tanto da vida pública como da privada, se
    lembrem de suas obrigações sociais.

  5. Conheço muitas pessoas com uma total
    incapacidade psicológica para perceber a distinção entre suas concepções
    e seus comportamentos, suas intenções e os impactos que realmente causa
    aos outros, entre seu pensar e seu agir.

  6. A pergunta que sempre me fazem nas ocasiões
    em que menciono essa questão é a seguinte:

 

Esta incapacidade é tratável, tem cura ?

 

Tenho afirmado o seguinte: “O líder não
muda porque não sabe como e em que sentido mudar. A verdadeira mudança
só se concretiza quando há mudança efetiva de comportamento. E isso quase
sempre significa alteração não só, ou não tanto de conhecimento, mas de valores
e atitudes
.”

 

ABORDAGENS MAIS TRADICIONAIS DE LIDERANÇA

 

1 – DIFERENÇAS SIGNIFICATIVAS ENTRE

CHEFES/GERENTES & LÍDERES.

Como todos nós sabemos, LIDERAR não significa
GERENCIAR/CHEFIAR.

Conhecemos várias empresas bem gerenciadas e
pessimamente lideradas. Elas podem ser excelentes na capacidade de lidar com
rotinas diárias, e ainda assim nunca são capazes de perguntar se essas rotinas
deveriam continuar existindo.

Líderes, segundo o dicionário, é seguir
à frente de, mostrar o caminho, influenciar, induzir, orientar em termos de
direção, curso ação, opinião
.

Gerenciar/Chefiar significa operacionalizar,
realizar, ter o encargo ou a responsabilidade de conduzir.

A DIFERENÇA PODE SER SINTETIZADA:

LIDERAR:

GERENCIAR

Atividades
de Visão
Atividades
de eficiência e discernimento
Puxam Empurram
Comunicam:
mão-dupla
Informam:
mão-única
São
treinadores
São
comandantes
Donos dos
ouvidos mais acurados
Donos da
voz mais alta
Focalizam
as pessoas
Focalizam
sistemas e estruturas
Perguntam:
O que”” e “porquê
Perguntam
“como” e “quando”
São
contestadores
São
obedientes
São
criativos
São
fazedores
São eles
mesmos
São
clones
Participam
dos negócios da Empresa
Vestem a
camisa da Empresa

 

CAPACITANDO LÍDERES

Os profissionais de Recursos Humanos têm-se
preocupado tanto em formar gerentes e chefes, que podem estar esquecendo da
formação de líderes.

Os programas de desenvolvimento gerencial
“produzem” profissionais que raramente procuram mudar a direção, a
natureza, os valores, a cultura e a missão de suas organizações. Eles podem
estar até mudando, mas não inovando ou transformando, tornando diferente do
que atualmente é. Os gerentes normalmente aperfeiçoam o passado, mas não
modelam o futuro.

Por isso, alguns programas gerenciais são
perdas de tempo e recursos, a não ser que estejam fortemente vinculados
explicitamente a questões que intervenham sobre a cultura, valores, normas e
sobre a “razão de ser da organização”

Os líderes na verdade raramente sobrevivem em
organizações com vocação castradora da capacidade de inovar. Em razão
disso, muitas de nossas empresas estão repletas de gerentes/chefes, vazias de líderes.

 

O QUE AS ORGANIZAÇÕES PODEM FAZER

– quanto mais autoridade de Chefes e Gerentes,
MAIOR NULIDADE.

– quanto mais LIDERANÇA, MAIOR SEGURANÇA

As organizações precisam começar a apreender
e praticar que é muito mais fácil morrer por falta de confrontação do que
por excesso dela. O conflito faz parte da natureza humana. Todo ser vive e em
crescimento vive em conflito.

É importante lembrar que o poder como um todo,
se eficazmente compartilhado, mais se multiplicará se mais se dividir.

Muitas pessoas só entendem o poder SOBRE,
não conseguem perceber o poder COM.

O verdadeiro líder sente-se a um só tempo:

INSATISFEITO E DECIDIDO
INSUFICIENTE E CONFIANTE
APRENDIZ E MAESTRO
INTERDEPENDENTE E AUTÔNOMO
ABERTO E CONVICTO
CRIANÇA E AVÔ

 

Mais uma vez essa dualidade
contraditória faz do líder uma pessoa “igual”, mas diferente, sólida
mas sensível, solitário, mas solidária.

O líder é um visionário realista, busca
ansiosamente aprender com os outros. Ele sente-se poderoso ainda num contexto de
líderes, e não em um bando de “amensistas” ou “” vacas de
presépio”

A IMPORTÂNCIA DO PAPEL DE UM SEGUIDOR ?

A vontade de dizer a verdade. Num mundo
complexo, os líderes dependem mais e mais dos seus liderados para obter informações
corretas, queiram ouvi-las ou não. Os liderados que dizem a verdade, e os líder
que a escutam, formam um combinação imbatível.

Novamente, enfatizamos que o silêncio – não
a discordância – é a única resposta que os líderes deveriam se recusar a
escutar.

 

UMA NOVA EMPRESA

As empresas serão redes, aglomerados, equipes
interdisciplinares, sistemas temporários, forças de trabalho constituídas
para fins específicos, treliças, módulos, matrizes – tudo menos pirâmides.
Só sobreviveram as menos hierarquizadas, cujos vínculos internos estiverem
baseados em metas comuns do que nas relações tradicionais de subordinação.
É provável que as empresas bem sucedidas venham a encarnar aquilo que Rosabeth
Mossa Kanter chama de 5Fs, fast, focused, flexible, friendly and fun (veloz,
focada, flexível, amiga e divertida.

Mais enxutas, menos camadas hierárquicas,
capacidade de se engajar em funções e alianças. Compreender as práticas
comercias, os consumidores e as cultura de vários países e povos em todo o
mundo.

Quarenta e sete por cento das empresas que
faziam parte das 500 da Fortune em 1980 não estavam mais na lista.

Transformar a cultura de uma empresa não é fácil,
mesmo para aqueles que a buscam. É necessário pluralizar os ambientes de
trabalho. As empresas precisam apoiar, endossar e apreciar as diferenças entre
as pessoas: idade, gênero, antecedentes sociais, personalidades, níveis de
inteligência, crenças políticas, orientação sexual, raça, destreza,
habilidades interpessoais e outros.

UM NOVO PAÍS

Para encerrar essa nossa conversa, gostaria de
reproduzir um trecho do ensaio de Roberto Pompeu de Toledo, publicado na revista
Veja de 7 de abril deste ano, sob o título ” SOBRE FARINHAS DO MESMO E DE
OUTROS SACOS”


Tanto o “sempre foi assim” e o “todo governo faz isso”
remetem ao axioma-mãe o qual os políticos são todos iguais. Se não se
acreditasse que todos são iguais, não se acreditaria que sempre foi assim e
nem que todo o governo faz isso. Ora, acreditar que os políticos são todos
iguais é, ao mesmo tempo, uma impossibilidade lógica e uma renúncia de
direitos. Impossibilidade lógica porque duas pessoas, mesmo que profissionais
de mesma atividade, ou mesmo da mesma corporação são iguais. Os advogados não
são todos iguais, nem os pedreiros, nem os bandidos. É uma renúncia de
direitos porque o cidadã que pensa assim mentalmente rasga o título de
eleitor. Se é tudo igual, para que votar? O cidadão em geral acredita que os
políticos são iguais de boa-fé, mas com isso acaba fazendo o jogo dos piores.
São eles os principais interessados em que se acredite que “é tudo
farinha do mesmo saco” …

Construir uma democracia supõe saber
distinguir diferenças. Começaremos a construir a nossa quando deixarmos de
acreditar que tudo é a mesma coisa.

Esta brilhante lógica do articulista precisa
OBRIGATORIAMENTE ser também relacionada aos líderes e empresas.

Nem todos os líderes são incapazes

Nem todas as empresas são iguais

É preciso acreditar e fazer o melhor que
temos.

JOÃO
ALFREDO BISCAIA

CONSULTOR
DO INSTITUTO MVC

 

Por:

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