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Tem vaga para engenheiro, mas você está preparado?

vaga de engenheiro

Por Orestes Rodrigues, é diretor de marketing da ABRACOPEL, membro da CE 003 da ABNT, especialista em gestão documental de projetos e obras, palestrante, colunista e influenciador sobre segurança no LinkedIn

Se tem vaga para engenheiro, tem também grandes desafios, mas será que você está preparado?

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Nunca sabemos de fato o que está sendo feito, se o profissional possui realmente a experiência no setor na qual se busca o preenchimento desta vaga, mas apenas isso conta?

A engenharia tem crescido muito, pensamos sempre em civil, elétrica, telecomunicações, mas hoje, existem profissionais especializados em produtos, embalagens, entre outros.

Como profissional do setor de engenharia elétrica há mais de 15 anos, tenho acompanho o talento destes profissionais e os desafios enfrentados para conquistar a tão sonhada vaga.

Vamos juntos?

Neste artigo, elenco os assuntos mais importantes dentro do setor e que sempre geram informações relevantes que precisam ser analisadas na vaga para engenheiro, são elas:

  1. Normas: você conhece e atende estes requisitos?
  2. Só contrata quem é certificado em engenharia?
  3. Como as contratações devem ser feitas?
  4. Como está a qualidade na engenharia?
  5. Os “Skills” da vida ainda são um tabu.
  6. Salários: analistas versus engenheiros.

Normas: você conhece e atende estes requisitos para a vaga para engenheiro?

Um ponto crucial neste artigo e que fica uma pergunta no ar: todos os profissionais contratados conhecem as normas vigentes no país ou simplesmente “acham” que conhecem?

Infelizmente, não apenas os profissionais não habilitados desconhecem, mas profissionais habilitados também, mas tudo depende de sua formação e especialização.

Um engenheiro eletricista pode entender bem de para-raios, mas não entende de projetos elétricos para uma subestação na estação de trem, que envolve outros aspectos.

Infelizmente, os bancos da faculdade não dão subsídios suficientes para este novo profissional, o que o leva a buscar conhecimento em outras fontes.

Contratar por contratar não é caminho, ele pode ser curto agora, até o dia que um problema de tamanho desproporcional apareça à sua frente, sendo necessários mais investimentos.

É crescente a demanda pelo uso da eletricidade; internet das coisas (IoT), indústria 4.0, novos dispositivos eletroeletrônicos, “smart houses e buildings”, carregadores veiculares, energias renováveis.

Será que todos os profissionais estão de fato qualificados em atender às normas para toda esta demanda?

Dados da Abracopel – Associação Brasileira de Conscientização para os Perigos da Eletricidade, mostram que acidentes com profissionais crescem pela falta de preparo.

Só contrata quem é certificado em engenharia?

Toda regra há exceção, então, será que todos os profissionais possuem competências e capacitação para o setor que precisa de um profissional com urgência? A pressa sempre será inimiga da perfeição.

Estes desafios são constantes e o auxílio de um profissional ligado à área se torna necessário, da mesma forma que existem regras para o setor de RH, na engenharia também.

Uma questão fundamental e mais importante é analisar se o profissional da engenharia de fato entende de segurança, não apenas ter um certificado, lembrando que há limites de atuação para cada um.

Como as contrações devem ser feitas?

Isso depende de cada profissional recrutador que preencherá a vaga, cabe a cada um a decisão que achar melhor, partindo sempre de princípios básicos, como: formação, experiência, orientação, cursos de aperfeiçoamento, especializações, entre outros.

Sabemos que há profissionais muito qualificados mesmo sem formação, mas isso ocorreu devido ao fato dele ter passado por uma trajetória, onde sua capacitação foi dada por um profissional habilitado da área, vamos citar um exemplo?

Comecei atuar na engenharia em 2006, como auxiliar; não sou formado em engenharia, mas aos poucos, fui adquirindo conhecimento de materiais, vistorias e, como eu sempre fui muito curioso, através de leituras de artigos, livros, normas, agregava cada vez mais informações para este trabalho.

A experiência trouxe reconhecimento, reconhecimento trouxe valorização e valorização trouxe o respeito.

Todo este conglomerado de informações faz com que as contratações não sejam apenas “superficiais”, tendo apenas o papel, o certificado, o problema é ainda mais complexo.

calendário de RH

Como está a qualidade na engenharia?

Infelizmente, vemos que a qualidade num simples produto que compramos para nossa casa está cada dia mais inferior; caso queira algo superior, deve-se pagar o preço.

Um mercado nos oferece diversas opções de produtos, como exemplo disso, citarei as panelas de pressão elétricas; as duas são fabricadas em um determinado país e muitas vezes, pelo mesmo fabricante.

Mas a questão que fica é: quanto você quer pagar?

Materiais de primeira linha é um preço, durará cinco anos, talvez sem manutenção se usada adequadamente, mas um produto similar, pode durar apenas um ou dois anos.

Conseguem entender a diferença nesta analogia quando falamos em qualidade, sendo que na vida profissional acontece o mesmo?

A contratação de profissionais inexperientes, imposta por algo que muitas vezes ele não tem conhecimento, pressão do mercado tão competitivo, acaba por gerar péssimos serviços na engenharia.

Nos EUA, profissionais recém formados em engenharia precisam de no mínimo quatro anos trabalhando ao lado de um engenheiro sênior antes de chegar à responsabilidade de fato.

A qualidade e urgência devem ser analisados com cautela, sempre.

Os “Skills” da vida ainda são um tabu.

Este assunto de “Skills” tem gerado muita polêmica entre diversos profissionais que concorrem a uma vaga, mas será mesmo ele um problema?

“A união faz a força” é tão atual quanto ao assunto Covid; ter equipes fortes torna uma empresa reconhecida por sua capacidade de resolver conflitos e enxergar pontos que muitas vezes, um outro membro da equipe não enxergou.

Quem está sentado à mesa, realizando projetos não tem a mesma visão que o profissional de campo, vamos entender melhor este posicionamento com um caso simples exemplo.

É muito comum vermos lojas de móveis anunciando: “Traga a sua planta! Fazemos o projeto de acordo com as suas necessidades…”

Facilidades no dia a dia resolvem os problemas de muita gente, mas na entrega final, os ajustes são necessários.

O projetista da loja, não viu de fato os problemas que enfrentaria, como: um registro de água na parede da cozinha, um encanamento de gás pouco detalhado na planta, além também da fiação elétrica.

Isso atrasa não apenas o lado do cliente, mas da empresa também, pois poderia avançar em outras questões e demandas, mas tem que trocar ou fabricar novas peças.

Na engenharia, um profissional capacitado por um engenheiro facilita e muito na hora da execução do projeto ou obra; profissionais de campo, com um olhar de lince podem não entender os cálculos, planilhas que um profissional habilitado sabe.

Apesar de ser relativo, muitos não entendem de certas questões, mas aquele que está in loco, sabe perfeitamente as dificuldades que podem surgir à frente.

Salários: analistas versus engenheiros

Outra questão que tem abalado o setor da engenharia e seus profissionais é quando uma vaga de engenheiro está com valor muito abaixo do mercado, inclusive indo contra os valores mínimos já definidos nas tabelas pelos seus conselhos de classe.

O CREA – Conselho Regional de Engenharia e Agronomia e reforçados pela ABEE – Associação Brasileira de Engenheiros Eletricistas.

Inúmeras postagens são vistas em plataformas, agências e sites, onde os valores são realmente vexatórios, será que a qualidade de trabalho, preocupação com a segurança, falta de atendimento às NRs e normas da ABNT não estão sendo negligenciados?

Vale lembrar o seguinte: O CREA faz uma busca com a palavra Analista e, caso um engenheiro seja contratado para esta função, não ganhando o mínimo estipulado, já é passivo de multa.

Então, cabe aos profissionais de recursos humanos analisarem cada situação sobre analistas versus engenheiros.

Quanto à  solicitação das empresas parceiras, para que não incorram no risco de contratar profissionais com valores menores ao devido, é também uma questão de cuidado para não incorrerem num possível processo.

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RODRIGO C CARDOSO
RODRIGO C CARDOSO
2 meses atrás

Muito bom o texto, vale a reflexão sobre alguns pontos que considero importante, cargo X salário X função.

Conheço bons profissionais que não atuam como engenheiro, como também conheço péssimos engenheiros que estão em posição de destaque.

Como também existem os profissionais altamente técnicos, conhecedores de normas e legislação, como os que dizem: ” Se der errado eu destruo e faço outro”.

Vamos trabalhar buscando fazer o que é correto, atendendo as normas. Assim tofa a sociedade sai ganhando.

Equipe RH Portal
Editor
Equipe RH Portal
2 meses atrás

É isso mesmo, Rodrigo. Muito obrigada por ter lido o artigo e pelo seu comentário.
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VITOR BONATO PACHECO
VITOR BONATO PACHECO
2 meses atrás

Falou tudo Orestes. Bela Explanação sobre a área de Elétrica. Tão essencial, mas que infelizmente encontra-se desvalorizada e a mercê do cotidiano. Tenho a utopia de um dia isso mudar. Abraços!

Equipe RH Portal
Editor
Equipe RH Portal
2 meses atrás

Olá, Victor. Concordamos com você.
Muito obrigada por ter lido o artigo e ter deixado o seu comentário.
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denis castro
2 meses atrás

Artigo excelente, parabéns Orestes, que venha mais conteúdos como estes, um texto leve, pedagógico e esclarecedor para ajudar as pessoas. Viva o Desenvolvimento Humano.

Equipe RH Portal
Editor
Equipe RH Portal
2 meses atrás
Reply to  denis castro

Olá, Denis. Ficamos muito felizes com o seu feedback!
Muito obrigada pelo comentário.
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João Gabriel Schutze
João Gabriel Schutze
2 meses atrás

Interessante esse texto, uma forma de apresentar os engenheiros ao RH e suas especificidades mas por outro lado, apresentar o que o RH também espera.
Parabéns!

Equipe RH Portal
Editor
Equipe RH Portal
2 meses atrás

Olá, João Gabriel. Muito obrigada pelo seu feedback! Ficamos muito felizes com o seu comentário.
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