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Por que o valor financeiro de uma empresa depende de falar sobre trabalho?

O Dia Mundial do Trabalho foi instituído por uma organização sindical, a Segunda Internacional, realizada em Paris, em junho de 1889. Tratava-se de uma homenagem a trabalhadores mortos em uma série de reivindicações que começaram no dia 1º de maio de 1886 em Chicago (EUA). Eles reivindicavam melhores condições de trabalho porque as suas eram desumanas. A jornada de trabalho era de, no mínimo, treze horas, mas chegava a 17 horas. O Brasil legalizou a data comemorativa em 1925.

Em primeiro lugar, as conquistas do mundo do trabalho são importantes porque as empresas são entes sociais e não apenas econômicos. Logo, ter um ambiente laboral mais saudável é oportuno porque ali estão pessoas, seres humanos.

Contudo, a empresa também ganha economicamente em consequência de sua preocupação com os recursos humanos, com a gestão de pessoas.

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Assim, significa dizer que a avaliação econômico-financeira, o valuation de um negócio, reflete este fator humano na organização, além de outros aspectos.

Avaliação de Empresa e valor de mercado

A avaliação de empresas, também conhecida como valuation, é o processo de apurar o valor econômico-financeiro de um negócio. Isso pode ser feito a partir de seu potencial próprio de geração de riqueza ou a partir da comparação com indicadores ou com o valor de outras empresas no mercado. Desse modo, a apuração do valor depende da escolha de métodos próprios para esse cálculo. Eles são escolhidos conforme o contexto e as demandas de cada empresa em avaliação.

Mas, o mais importante, é que dentro do mercado de compra, venda e avaliação de empresas é totalmente perceptível que uma das grandes fontes de valor e valorização das empresas é a equipe de trabalho.

Em outras palavras, o valor de mercado de uma empresa sofre impacto da gestão de pessoas.

E você pode estar se perguntando porque isso acontece. Então, vamos apresentar algumas explicações para isso em tópicos, a saber:

  • Funcionários que se desenvolvem naturalmente desenvolvem o meio em que atuam;
  • Pessoas que entendem a empresa tem mais facilidade de oferecer suas competências pelo negócio;
  • Empresas que investem em gestão de seus recursos humanos tem mais chance de formar líderes dentro de sua própria equipe e contar com as pessoas certas em áreas estratégicas;
  • Equipes fragilizadas colocam a empresa em risco porque comprometem seu desenvolvimento.

Mas, é importante que se diga que é o investimento na equipe que pode incrementar o valor da empresa e não apenas o discurso.

Afinal, o grande desafio é que muitas vezes as organizações têm um discurso contemporâneo, mas as atitudes não.

Contudo a empresa como um todo pode se beneficiar sensivelmente caso se preocupe em garantir:

  • maior transparência;
  • maior coerência entre discurso e ações;
  • canais de diálogo e interação.

E quando se fala em diálogo, consideramos efetivamente de acordo com o significado da palavra, isto é, um espaço em que se possa falar e ouvir.

O papel do líder nesse aspecto é muito importante porque ele pode fomentar essa cultura de participação e de troca.

E até mesmo programas de estímulo à saúde mental podem ser estratégias interessantes. Algumas empresas já tem esse tipo de iniciativa.

As próprias ações de governança corporativa de forma geral podem também considerar esse de politica no que diz respeito à gestão da comunicação e das pessoas.

Portanto, pensar sobre qualidade no ambiente de trabalho é um ato de sobrevivência para a empresa e de valor também tanto para o negócio quanto para os envolvidos nele.

Empresa: valor de mercado tem a ver com compaixão no mundo dos negócios

Ter poder sobre os outros, conviver com o excesso de pressão, a necessidade constante de pensar em estratégias e dar soluções globais eficientes e eficazes podem diminuir nossa sensibilidade.

Os pesquisadores Jonathan Davidson e David Owen concluíram que a arrogância é uma patologia derivada do exercício prolongado e não controlado do poder. Essa conclusão foi fruto do estudo sobre comportamentos de  presidentes norte-americanos e primeiros-ministros britânicos dos últimos cem anos. Está publicada no artigo “Síndrome da Arrogância: Uma Desordem Adquirida de Personalidade?”, na revista Brain, de 2009.

O neurocientista Sukvinder Obhi, da Universidade McMaster, em Ontário, no Canadá, também descobriu que o exercício do poder enfraquece o “espelhamento”, função neurológica responsável por nossa capacidade de compreender os outros.

Investigações como essas levaram Rasmus Hougaard, Jacqueline Carter e Louise Chester a afirmarem na Harvard Business Revew, de abril de 2018, que “O poder é capaz de corromper líderes; a compaixão, de salvá-los”.

Se para empresa, valor depende também de pensar sobre aspectos considerados até então subjetivos, é importante considerá-los como parte da estratégia do negócio. Naturalmente isso vai se refletir em sua avaliação de empresa.

Mas afinal, como cultivar a compaixão?

Hougaard, Carter e Chester propõem treinar até conseguir fazer dela um hábito. Em primeiro lugar é preciso usar a compaixão no relacionamento com as pessoas de forma geral, em âmbito profissional ou fora deles. A sugestão deles é perguntar-se sempre “Como posso ajudar esta pessoa?” em qualquer circunstância de relacionamento.

Buscar oportunidades de exercitar a compaixão é outra sugestão deles. Os autores citam, por exemplo, John Chambers, antigo CEO da Cisco, companhia multinacional na área de TI e redes, como exemplo. Chambers desenvolveu um sistema para ser notificado sobre empregados de qualquer parte do mundo que viviam problemas graves. Quando passava por uma perda ou doença, por exemplo, ele mesmo escrevia uma carta de apoio ao colaborador.

Outra sugestão é realizar diariamente o exercício de se lembrar de alguém que esteja passando por problemas e refletir sobre como essa pessoa deve estar se sentindo. Naturalmente não se trata de internalizar os problemas do outro, mas desenvolver a capacidade de observar a dor dele.

A falta de compaixão gera desprezo pelo próximo, perda de contato com a realidade e comportamento imprudente, impulsivo. Pesquisas apontam que o líder pode ser afetado a tal ponto que decide sobre uma demissão em massa sem qualquer remorso ou dor.

Mas, é claro, que a perda da sensibilidade no mundo dos negócios, portanto, atrapalha definitivamente liderados e instituições. Mesmo porque sentir é uma competência que nos faz humanos. Além disso, o fator humano é decisivo no mundo dos negócios como apontam vários estudiosos, a exemplo de Peter Drucker. Nesse sentido, para empresa, valor significa um conjunto de fatores que necessariamente deve incluir as pessoas. As estratégias de avaliação de empresa apenas demonstram isso.

Sobrecarga informativa: para empresa, valor é ter informação na medida

O excesso de informações também parece-nos um fator relevante a ser considerado dentro desse tema. Caixas de e-mail lotadas, muitas reuniões, dados e fatos que se multiplicam no “mundo lá fora”…

O excesso de informações é considerada uma barreira organizacional tão potente quanto a falta delas. Isso precisa ser administrado para evitar que todos fiquem no piloto automático.

Na área dos estudos de mídia há até um conceito para designar o impacto desse excesso, chama-se “disfunção narcotizante”. Para os autores do Funcionalismo Norte-americano, quando vemos excessivamente a reprodução midiática de uma informação tendemos a adotar dois caminhos. O primeiro é: confundir informação com ação. Assim , a saturação de informação nos cria a ilusão de termos feito algo prático como cidadãos. O outro caminho é a negação da gravidade do fato. É tanta repetição que corremos o risco de considerar normal, casos de violência e corrupção, por exemplo. Isso quer dizer que perdemos a capacidade de nos impressionar e até indignar.

Sem dúvida, também sobre esse aspecto o mundo moderno oferece riscos que impactam as empresas e os empresários. A percepção é uma competência importante para o empresário, especialmente o empreendedor e, logo, para o mundo dos negócios.

Este artigo foi desenvolvido pela equipe de comunicação e marketing da D&R Negócios.

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Isabele Araujo
1 mês atrás

Sem duvidas o papel do setor de RH na empresa proporciona uma criação de valor da empresa que faz total diferença nos resultados positivos o quanto mais nos atualizarmos para 2021 é melhor vem muita estratégia nova por ai.