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Você repensou sua carreira em 2020?

Tenho conversado e também observado nas redes sociais que, em 2020, além de planos terem sido adiados e remanejados, a mudança de carreira virou um tema forte para muitas pessoas.

Seja por uma mudança de cenário forçada, como uma demissão, ou pela busca de um antigo sonho, percebo que tem muita gente com garra de recomeçar, se transformar. Mas também sei que muitos não têm certeza sobre como iniciar essa transição.

Este ano pegou todos nós de surpresa, claro. E fiquei bem pensativo ao ver que 76% dos brasileiros afirmam que a pandemia de covid-19 os fez repensar a trajetória profissional. A Global Learner Survey, realizada pela Pearson, também constatou que 59% das pessoas no Brasil estão preocupados em ter que mudar de área por conta da crise.

Nova call to action

Acho que dificilmente existe um caminho único para uma mudança de carreira, mesmo porque os motivos que levam a essa transformação são muito diferentes. Mas ter um planejamento talvez seja o primeiro passo para encarar uma nova área profissional.

Vida em perspectiva

Planejar significa traçar metas e definir o que será necessário para alcançá-las. Alguns exemplos de perguntas que podem ajudar no planejamento de mudança de carreira:

• Qual é a carreira que quero seguir?
• Quais são os conhecimentos que eu preciso para isso?
• Onde/como posso adquirir as habilidades necessárias?
• De quais pessoas devo me aproximar (networking)?
• Qual será o investimento financeiro que terei que fazer?
• Em quanto tempo eu consigo fazer essa transição?

É um processo que leva tempo, então, você precisa de paciência. Na mudança de carreira, é importante definir prazos, não somente para motivar o seu plano de ação, mas também para que você consiga se programar, de uma forma geral. Será possível manter seu atual emprego, enquanto você se qualifica para outro? Ou terá que reestruturar toda a sua vida?

Eu passei por isso, de certa forma, e o que me ajudou muito a encontrar meu caminho como gestor foi me planejar para isso. Eu atuava na área de finanças, tinha um bom desenvolvimento, mas queria migrar para administração geral. Apesar de as áreas serem afins, eu sabia que não conseguiria fazer isso sem estudar de verdade, porque precisava dominar outros conhecimentos.

Levei um tempo para me planejar, inclusive financeiramente. Então, abri mão da minha realidade na época para fazer o MBA em Stanford, que sabia o quanto significaria para mim em termos de novas oportunidades.
De toda forma, acredito muito que não devemos colocar a vida em perspectiva apenas quando as coisas “vão mal” ou estamos inquietos. Acho que o nosso desenvolvimento pessoal e profissional pede uma certa consistência sobre o que precisamos para sermos melhores.

Isto é, toda semana, acho válido anotar conquistas e questões que podem ser aprimoradas em nós mesmos. Isso ajuda muito a compreender se estamos vivendo da maneira como gostaríamos, de acordo com nossos valores e objetivos.

Por outro lado, isso requer hábito e muitas vezes só começamos quando a vida traz uma sacudida inesperada.

Não se esqueça das “soft skills”

Outros números interessantes da pesquisa que mencionei acima:

• 65% dos brasileiros sentiram necessidade, nos últimos 24 meses, de estudar mais por causa do cargo ou pela mudança na ocupação;
• 54% sentiram necessidade de ir além nos estudos porque perceberam que as habilidades necessárias não foram aprendidas na escola ou na faculdade.

Ou seja, se sua ideia – ou necessidade – é mudar de carreira, você vai precisar aprender coisas novas. São muitas as oportunidades de cursos (online ou presencial) de capacitação, nas mais diversas plataformas, como Coursera, edX, Future Learn etc. Mas, além das habilidades técnicas, se eu puder dar um “conselho” como gestor de pessoas, eu digo a você para investir também em “soft skills”.

Talvez esse tema possa ser explorado melhor em outro artigo, mas, em linhas gerais, o grande diferencial que temos da tecnologia, do poder das máquinas e da automação dos processos, é justamente criatividade, capacidade de aprender, inteligência emocional e outras características que são essencialmente humanas.

O domínio delas vai fazer toda diferença, seja qual for o caminho profissional que você deseja seguir.

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Por: Marcelo Miranda

Marcelo é um executivo e empreendedor com um forte perfil de liderança consciente e com compromisso na criação de inovações que levam ao desenvolvimento sustentável. É Engenheiro Civil formado pela UFMG, com MBA em Stanford e cursos de especialização em Harvard, Columbia e Singularity University. Marcelo Miranda é o CEO da Consolis Tecnyconta na Espanha, filial espanhola do grupo multinacional francês Consolis, líder em pré-fabricados de concreto na Europa. No Brasil, foi, por oito anos, CEO da Precon Engenharia, empresa líder regional no mercado de pré-fabricados de concreto e referência na incorporação imobiliária industrializada e sustentável. Em 2015, foi eleito Executivo do Ano pela Revista Encontro e faz parte da lista dos 10 CEOs de destaque do Brasil com menos de 40 anos pela Revista Forbes. Marcelo atua também como conselheiro e investidor em start ups e participa do conselho de entidades de classe, como a ABRH a AMCHAM

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